As mãos firmes dele me amarrando, brincando e dançando com
as minhas, tão frágeis e insensíveis aos outros. Insensíveis àqueles não eram ele.
Éramos como dois bailarinos dançando. Ele segurava-me de forma gentil, tratando meu corpo frágil com
carinho. Entrelaçando seus dedos nos meus; fazendo sua língua, um tanto tímida,
dançar com a minha. Tudo nele me encantava.
Seu cheiro que me lembravam rosas, sua dócil personalidade
que me lembravam os melhores morangos que já tive o prazer de provar, sua forte
determinação que me lembravam das crianças que na vida crescem, aprendendo como
o mundo é cruel.
Ah, como ele era
lindo. Quase tão poético quando a lua e suas estrelas durante a magnífica noite
que se manifestava. Seus olhos de um azul profundo me faziam mergulhar nesse
oceano de paixões e sentimentos puros. Eu o amava.
Eu ouvia o som de violinos a cada vez que o sentia
abraçando-se a mim. Aquele momento de amor, aquele momento que todos, um dia,
têm que ter. É estranho retratar a poesia que sinto num momento desses. Mas é
impossível deixar de pensar e de agir quando estou com ele.
O meu querido, meu amado. Aquele com quem desejo passar a
eternidade junto. Aquele que têm meu coração, minha alma, minha paixão. Aquele
que pode ouvir as teclas do piano em dueto com os violinos. Aquele que me salvou
da triste vida que eu tinha.
Era amor carnal, mas uma maneira de ficarmos juntos, como um
só. A maneira que se conhecia para que isso pudesse acontecer. Podíamos ter as
mesmas formas. O mesmo sexo. Mas não importava. Nada mais importa, desde que
estejamos juntos.
Ele, que me
salvara da triste invocação da morte. Aquele me salvara de tudo e de todos.
Sentia-o se movendo por dentro de meu corpo, gentil como uma brisa. Ondas de
luxúria passeando por todo ele e por
todo o meu ser. Pela minha mente, minha alma.
Era como se fosse o primeiro amor de minha vida. Mesmo que
contratempos nos afetem. Mesmo que ondas de ódio e de rancor entrem em nossas
vidas. Mesmo que tentem nos afastar... Nada fará com que ele saia de minha
vida.
Nossa vida.
Era como um sonho. Aliás, é. Estar pensando de tal maneira,
neste momento tão impróprio, é quase como se eu conseguisse ouvir os
pensamentos dele. Como se eu conseguisse ler seu próprio movimento. Seu
próprio, e belo, corpo.
Entrelaçamos nossos corpos pela última vez, abraçados num
calor bom, num suor frio, nas emoções confusas e pusemos nossos orgulhos de
lado. Nada poderia nos separar agora.
Apenas eu.
E ele.