sexta-feira, 25 de julho de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
O Som de um Piano
O que é este som que
ouço?
Daqui, deste interno
calabouço?
Seria algo assim?
Tocado por teclas de
marfim?
.
O que ouço é uma
marcha,
Uma melodia
orquestrada.
Ouço um piano, forte
como uma mancha,
E ao mesmo tempo tão
suave quanto uma doce caramelada.
.
Sons finos, sons
graves,
Fazem com que eu
trave,
Fazem com que eu
imagine coisas,
Coisas que me
agradem.
.
Me deixa mais calma,
Me deixa menos
ansiosa,
Consigo assim
lembrar,
Da minha pessoa
preciosa.
.
Lembro-me da angústia
que sinto,
Quando alguém não
consigo ajudar.
Lembro de minha
vontade de chorar.
Lembro de minha
vontade de me cortar.
.
É uma digna mistura
de sentimentos,
Tantas memórias,
tantos acontecimentos,
Parece até que dançam
pelo vento,
Me distraio apenas
vendo.
.
A sensação que te dá,
Naquelas teclas
tocar,
As vezes me fazem
delirar,
Mas o prazer de
ouvir..
.
É simplesmente algo que
eu não posso recusar.
Entredentes.
Essa dor,
Tão incessante.
Tão agonizante.
Faz-me chorar e me
perder em pensamentos.
Faz-me lembrar das
coisas que me fazem gritar entredentes.
.
Tudo é uma questão de
minha mente,
Que se enrola com
coisas dementes,
Criando alucinações
E coisas que me fazem
gritar entredentes.
.
Sinto minhas lágrimas
caírem,
Formando um percurso
reto em minhas bochechas,
Deixando minha
tristeza eminente,
Coisas que me fazem
gritar entredentes.
.
Logo elas secam
E minha pele fica com
uma sensação estranha.
Logo abro um sorriso
alegremente
E me esqueço das
coisas que me fazem gritar entredentes.
.
Se perceberes bem,
Estou quase sempre
sorrindo,
Quase sempre me
abrindo, quase regularmente
Deixando com que
outros saibam as coisas que me fazem gritar entredentes.
.
Preferi tentar ser
feliz.
Preferi parar de
chorar no canto dos lugares.
Preferi desistir de
tudo que me era ruim.
Desistir das coisas
que me fazem gritar entredentes.
Memórias Congelantes
Capítulo 1: Prólogo
“Branco. Tudo branco, com uns detalhes em azul cristalino,
combinados com um sufocante e incessante frio. A Terra chora, sofre, grita. Está
congelada.
Mas assim é perfeito. É o mundo dela. É o mundo da Deusa do
Inverno. Tirana, infantil, invejosa e
curiosa; é como se uma criança mimada assumisse o trono de um reino inteiro.
Ninguém ousa desafiá-la, e se ousasse, nunca mais se ouviria seu nome. Nunca
mais se encontraria o seu corpo. Nunca mais seria lembrado.
Frio é o nome dela, combinando com tudo que se passava por
três longos séculos.
Não era assim antes. Ah, de jeito nenhum que era.
Afinal, no início, havia mais cinco deuses.
Os dois supremos se chamavam Loyan e Mayan, deuses do dia e
da noite. Marido e mulher. E seus filhos, do primogênito a última, eram os
deuses do verão, do inverno, do outono e da primavera. Seus nomes, conhecidos
por entre todas as regiões e continentes do mundo, eram Liad, Frio, Mirante e
Kirla.
Liad, o único filho homem, de uma coragem e amor profundos.
Frio, a primeira filha, de uma curiosidade e criatividade
imensas.
Mirante, a penúltima, de bravura e perseverança eternas.
Kirla, a caçula, de gentileza e carinho sem fim.
Ah, o mundo era bom. Era perfeito.
Mas a perfeição se desfez por causa da inveja de uma
criança. Por causa do coração impuro e mal que se desenvolveu na deusa do
inverno, a segunda mais velha. Por tantos milênios, tantos séculos passados sem
que lhe fosse dada grande importância, tanto tempo em que passou presa em seu
próprio pensamento, um sentimento de revolta crescia em sua alma.
Todos tinham sua importância, claro, mas Frio se recusava a
ver a sua. Mesmo que sua mãe lhe confortasse e com sua irmã caçula brincasse,
nada a satisfazia. Queria o trono. Precisava dele. Queria que a atenção de tudo
e de todos fosse sua, que tudo que existisse lhe pertencesse, e não apenas dois
polos de neve num mundo enorme.
Um a um, matou quem pudesse lhe dedurar. Um a um,
congelou-os sem pensar. E num momento em que seus poderes engrandeceram, num
momento em que tudo estava por uma fina camada de gelo, uma grande avalanche
perseguiu e matou a quase todos. Mirante e Kirla puderam sobreviver, mas
nenhuma fazia ideia do que estava acontecendo. Tinham consciência de que aquilo
poderia ser obra de sua irmã, mas
recusavam-se a acreditar nisso.
Mas puderam ter certeza de tudo ao virarem-se para trás e
virem, flutuando, a deusa do inverno. Com um sorriso maligno e branco estampado
em seu rosto, com as cabeças congeladas de seus pais e de seu irmão mais velho
em suas mãos.
Mirante, sem conter sua raiva, obviamente foi para cima,
forçando Frio a jogar as cabeças num lugar qualquer e lutar com ela, deixando
Kirla, a mais inocente, sozinha naquele pesadelo gelado em que se encontrava.
Ela tremia, sentia frio, estava praticamente paralisada no mesmo lugar. Caiu de
joelhos e passou a gritar, mesmo sem muita voz. Pôs as duas mãos em seus olhos,
se dizendo que tudo não passava de uma ilusão, de um sonho ruim.
Mas, depois de uns curtos minutos, pôde ouvir alguém se
aproximar. Era um barulho de passos, obviamente, mas eram passos tão suaves que
mais pareciam estar a flutuar. Olhou
para cima, retirando as mãos que lhe fizeram de venda.
Não se sabe o que houve com Kirla, muito menos o que foi
feito de Mirante. Só se sabe que a Deusa do Inverno venceu esta batalha. E até
hoje, depois de três séculos, ainda se encontra em seu auge.”
-...Todos os pergaminhos dizem a mesma história. Mas têm
detalhes diferentes... – Disse a cavaleira, fechando o pergaminho que tinha em
mãos.
-Sim, senhorita, mas este é o mais recente. Foi escrito por alguém da Cidade do Norte,
inclusive! – Disse o vendedor, tentando convencê-la a levar o artefato para si.
-Da Cidade do Norte, huh?
-Floretta! -
-Hm?
-A r-rainha está te chamando.. – Disse o pequeno mensageiro,
Menphis. Uma criança ainda.
Floretta devolveu o pergaminho ao vendedor, e calmamente
andou ao lado da criança até onde a monarca se encontrava. Não foi uma
caminhada muito longa. Somente uma meia hora foi o necessário. Já conseguia
avistar o palácio. Continuou andando, mesmo que seu nome fosse clamado pela
população de Soultinder. Afinal, ela era a mais forte cavaleira dali. Sempre
acompanhada de sua montante lendária, Morkch.
-Ah, é aqui que me despeço, Floretta!
-Até mais, Menphis. Não vá se meter em encrencas, tudo bem?
Floretta também era conhecida por sua simpatia com crianças.
Suspirou de leve e entrou no palácio. Recebendo cumprimentos e reverências de
seus subordinados cavaleiros e soldados, mas não chegou a responder todos. Não
conseguiria com aquele tanto de gente. Caminhou e caminhou, até finalmente
chegar até a sala do trono. As grandes portas se abriram para a cavaleira
ruiva, que sem demoras adentrou e se ajoelhou em frente a mulher que possuía
uma coroa.
-Tenho uma nova missão para você, Floretta, minha cavaleira
rosada. – Disse a rainha, com voz suave. – Entregue isto na cidade do norte. –
Olhou para um dos guardas ali presentes, que possuía uma pequena caixa em mãos.
Floretta levantou a cabeça para saber o que seria, e viu o
guarda se aproximando. Pegou o objeto em mãos logo em seguida e voltou a olhar
para baixo.
-Posso saber o que se encontra por dentro da caixa, minha
rainha?
-Cartas, Floretta. Documentos e afins. Precisam ser
entregues rapidamente ao rei da Cidade do Norte.
-Será uma jornada bem difícil, majestade. A senhora sabe
como a viagem para lá é...E como as pessoas de lá são.
-Eu sei, minha jovem. Mas eu confio em você. Tenho certeza
que não falhará comigo.
-Sim, majestade.
-Pode se retirar.
A cavaleira se levantou e virou-se de costas, começando a
andar novamente, em direção do seu próprio lar. Estava, de fato, deveras
curiosa para abrir a tal caixa e ver se o que a rainha disse era verdade. Que
eram apenas cartas e documentos. Afinal, já foi vítima de suas mentiras mais
uma vez. Não por sua vontade, claro. Era obrigada a obedecê-la, pois era a
única forma que tinha de sustentar sua família. Especialmente sua mãe, tão
doente.
Partiria pela manhã.
Não demorou tanto para anoitecer. Apesar de o dia ser
praticamente tão escuro quanto. Esse céu permanentemente nublado não ajudava
tanto a distinguir um do outro. Antes de sair do palácio, foi até o estábulo,
ver como sua égua estava. Brisa foi o nome que deu à ela. Tirou-a dali e foi
com ela até em casa. Assim a caminhada não a cansaria muito e deixaria seu
irmão brincar com Brisa.
-Mãe, pai, estou em casa.
-Floretta, Floretta, olha o que desenhei! – Disse a criança,
seu irmão menor, com o mesmo nome do antigo deus do verão.
-Ah, que bonito, Liad. O que é?
- É a Brisa!
- Ela está simplesmente fabulosa, Liad. – Bagunçou um pouco
os cabelos castanhos do menino, sem se importar com a careta que ele fez.
Logo se dirigiu ao quarto de sua mãe, e ajoelhou-se ao lado
da cama em que ela estava deitada.
-Mamãe? Está acordada?
-Sim, querida. Como você está?
-Estou bem, obrigada. Eu só vim avisar que eu vou em outra
missão amanhã.
-Outra? Já é a 15ª dessa semana, Floretta!
-Eu sei, mamãe, mas eu não posso contestar a rainha, posso?
-Essa rainha, viu? Parece mais com a Frio do que com uma
humana normal.
-Shh, mamãe. Não fale o nome dela. Sabes que ela escuta
tudo.
-Eu sei, querida, eu sei. Mas eu já estou velha, não tenho
que me preocupar muito com isso.
-Não fale assim.
-Quando você vai partir?
-Amanhã de manhã. Preciso ir à Cidade do Norte para entregar
isso.
-À Cidade do Norte?
-Sim.
A mãe de Floretta fez uma careta.
-Eu sei que é perigoso, mas eu tenho Morkch comigo. Eu
treinei para isso, mamãe.
-Tome cuidado...Você é a única que tenho..
-Liad e o papai cuidarão bem da senhora, mamãe. Não se
preocupe.
Dito isso, a conversa foi encerrada. Floretta fez os
preparativos para sua partida na manhã seguinte, sem saber quantos dias
levaria, ao certo, para chegar ao seu destino. A Cidade do Norte era grande e
seus arredores eram repletos de lugares perigosos. Especialmente o Labirinto de
Espinhos. Aquilo sim seria difícil de se atravessar. Mas bem, não era bom
pensar nisso agora, certo?
-Certo..
Pouco a pouco, tudo foi se encontrando, tudo foi se
resolvendo, e em questão de horas tudo o que Floretta precisava estava
devidamente separado. Então, tal como o resto de sua família, dirigiu-se a seus
aposentos e dormiu.
De manhã, estranhamente foi a última a acordar. Levantou-se
e vestiu-se adequadamente, com sua armadura e roupas de frio, saindo de dentro
do quarto em seguida. Alimentou-se e foi para fora da casa, indo em direção a
Brisa. Não gostava de despedidas. Suspirou e se desejou sorte, e assim cavalgou
até a fronteira da cidade. Por onde passava, as pessoas que estavam acordadas
lhe desejavam boa sorte e a aclamavam, desejando mais uma vitória. Mas Floretta
sabia que não seria nem um pouquinho fácil.
E tinha um pressentimento estranho, também...
O que será que lhe aguarda na Cidade do Norte?
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