Susan Chase
A
caçadora de vampiros
Meu nome é
Susan Chase. Tenho 15 anos e faço parte de um grupo de caçadores de vampiros.
Ultimamente tenho sido a melhor de todos , sem querer contar vantagem é claro,
mas até eu acho isso. Uso uma serra-elétrica como arma e decapito todo e
qualquer vampiro que cruza meu caminho.
Tenho meu cavalo
selvagem Roy, que só obedece a mim (afinal, é por isso que ele é selvagem), meu
tutor James Blindman e meu colega de equipe Glen Huntering. Na boa, eu gosto
bastante do meu tutor, mas o Glen... Ele é o maior chato, nem sei como eu já o
idolatrei quando era pequena... Mas agora que sou melhor que ele eu não posso
falar mais nada.
Só sei eu que,
hoje de noite, quando eu estava praticando minha flexibilidade (o que eu
geralmente faço nua), senti um cheiro de vampiro. Logo peguei a minha toalha e
liguei minha serra. Fiquei procurando o vampiro, mas nem precisei fazer isso
por muito tempo, pois ele surgiu na minha frente. Ele era um vampiro até que
bonitinho pra espécie dele.
Com cabelo
moicano preto, piercings no queixo e na orelha direita e camisa xadrêz, com o
tanquinho aparecendo. Apontei a serra-elétrica pra ele. Ele sorriu, como se
achasse que eu fosse fraca. Então o encarei. Corri para atacá-lo mas ele era
mais rápido que eu e me prendeu numa parede antes que eu pudesse perceber. Até
lutei com ele pra me libertar mas ele ganhou (Que merda ).
- Era pra eu matá-la, mas eu não consigo. Vou dizer que
não achei você.
- Por que tem piedade de mim? Você não é um vampiro?
-Não é piedade. Poderia matá-la quando eu quisesse.
Afinal você tem um cheiro delicioso.
- Hunf.
Dessa vez eu consegui me soltar (mesmo porque ele deixou
eu sair ).
- Não pense que eu vou deixar você sair dessa.
- Isso é verdade. Os caçadores de vampiros não perseguem
o vampiro até a morte?
- É, mas já que você atrapalhou meu treino, vou ter que
fazer tudo de novo. Outro dia vou atrás de você.
- Assim espero. A próposito, meu nome é Joseph Riverland.
- Susan Chase.
- Até qualquer dia Susan. Só que talvez você não saia
viva de lá.
-Digo o mesmo pra você, Joseph.
Joseph foi
embora, me deixando ali de toalha segurando a minha serra. Até que eu achei ele
legalzinho. Se ele não fosse um vampiro eu até ficaria com ele. Bem, notei que
ele não foi exatamente “embora”, ele ficou me olhando treinar. Eu diria que ele
é meio tarado, mas eu deixei assim mesmo. Fiquei meio pensativa naquele
momento, mas era com outras coisas.
Como o tempo
passou e eu fiquei cansada de tanto treinar, fui tomar banho e ir dormir. Dormi
rapidinho. Tive um sonho bem estranho. Sonhei que o Joseph entrou pela janela,
se deitou do meu lado na minha cama e ficou me observando. Até cheirou meu
pescoço, mas eu acho que ele se controlou e foi embora.
Eu me acordei
umas 11:00 da manhã... Eu tinha dormido muito. Fui trocar de roupa. E dentro do
meu guarda-roupa notei uma coisinha interessante. Uma rosa com um bilhetinho.
Peguei o bilhetinho e começei à ler. Estava escrito: “ Olá Chase. Passei aqui
na sua casa ontem a noite. Gosto de ver você dormir. Espero que goste de rosas.
Joseph.”
Sorri um pouquinho. Parecia que o sonho tinha acontecido
mesmo. Peguei a rosa que ele me mandou e coloquei num vaso de vidro perto da
minha cama. Depois tomei meu café da manhã e saí pra caçar alguns vampiros. Só
pra testar a minha flexibilidade que havia treinado. Andei,andei,andei e nada
de vampiros. Tanto que até pensei em parar um pouco e tocar meu violino só pra
passar um tempo. Mas escutei um tipo de rugido atrás dos arbustos.
Me aproximei um
pouco para ver o que era e de lá saiu o maior urso que já tinha visto na vida.
Poxa, logo o único bicho que eu tenho trauma saiu de lá? Por que não um coelho,
um gatinho fofinho.. Mas não, tinha que ser um urso. Saí correndo de lá e quase
esquecia minha serra (Eu não tinha coragem de enfrentar ursos por menores que
eles fossem).
Corri muito mas o
urso me seguia rápido e parecia que nunca se cansava. Até que ele me cercou .
Fiquei tão trêmula que mal ouvia meus pensamentos. O urso se levantou pra me
atacar, mas alguma coisa me puxou pra trás e me escondeu e o urso não me achou
de volta. Tentei olhar por aí pra ver se achava alguém ou qualquer outra coisa,
mas não achei nada nem senti cheiro de nada.
Quando vi que o
urso estava longe, senti mãos frias me pegando por trás e me abraçando de
costas. Quando me virei pra ver, adivinha quem era? Era o Joseph. Uau parecia
que ele me seguia aonde quer que eu fosse. Achei até bom isso, eu queria mesmo
alguma compania.
-Joseph por acaso você está me seguindo?
- Se eu te disser que estou o que acontece?
Eu ri. Sério, eu gostava mesmo dele. Era o primeiro
vampiro com o qual eu conversava livremente. Sentamos embaixo de uma árvore e
começamos a conversar. Ele me perguntou um monte de coisas e eu também
perguntei um monte de coisas. Parecíamos duas crianças conversando com os pais.
Ele me pediu para tocar meu violino. E eu toquei (óbvio). Toquei uma música
improvisada, mas parecia que ele havia gostado. Passamos horas e horas lá
conversando até escurecer.
Estávamos bem
longe da minha e da casa dele. Então resolvemos passar a noite ali. Logo eu
senti fome e fui pescar no lago que tinha lá na nossa frente. Pesquei um peixe
enorme. Assei e até ofereci pra Joseph, mas ele recusou. Terminei de comer e
dessa vez ele começou a se debater um pouco.
- O que foi Joseph?
-Eu estou com muita sede... Bom, eu vou caçar. Estou
morrendo de sede.
-Caçar? Mas os animais estão longe e não há pessoas aqui.
-Eu me viro com o sangue que eu não gosto.
-Espera.
-Pode beber o meu sangue.
-Tem certeza disso?
-Sim.
Rapidamente, ele chegou até mim e me abraçou. Desceu a
boca até meu pescoço e a abriu. Ele respirou fundo e depois me mordeu. Senti
dor. Doeu muito, mas não demonstrei nada além de um gemido. Ele me apertou. E
começei a me sentir fraca. Ele estava bebendo muito sangue. Até que ele parou.
Mas eu estava tão fraca que desmaiei.
------------------------------------------Joseph---------------------------------------------------------------
Bebi a quantidade de sangue que sabia que a faria
desmaiar. Tinha que levá-la comigo. Ela era tudo pra mim agora. Precisava
mantê-la segura.
“Vou pegar a serra.” Pensei. “Agora ela.”
Eu peguei Susan com cuidado e continuei pensando. “Okay,
Susan. Levarei você comigo...
E você ficará comigo para sempre...”
Eu fui levando Susan em meus braços pela floresta, até
que senti o cheiro de dois humanos. Eram dois homens. Um adolescente com cara
de chatonildo e um adulto com cara de ser forte. Tentei passar de fininho e
eles pareciam estar procurando pela Susan. Mas infelizmente eles me viram. E
com isso viram Susan em meus braços.
Como o pescoço
dela estava sangrando e a minha boca toda suja de sangue, é óbvio que eles
pensaram que eu havia matado ela.
- Professor! Ali está ela! Aquele vampiro está com ela!
-Rápido, Glen vamos salvá-la dele!
-Pra ela cair para aquele vampiro... Ele tem que ser
muito forte.
Eles dois estavam perdendo tempo conversando sobre minha
força que esqueceram de vir atrás de Susan. Então eu consegui escapar. Mesmo
que eles não conversassem tanto eu teria deixado Susan em alguma árvore segura
e lutaria por ela com eles. E concerteza eu ia vencer. Não podia deixar minha
Susan.
Consegui chegar
num lugar onde os humanos podiam passar, mas não nos veriam... O problema é se
eles teriam um olfato igual ao de Susan. Aí sim eu estaria ferrado. Mas não
deixaria Susan nas mãos de ninguém além das minhas. Ela é minha. E só minha.
Comecei a cantarolar um pouco pra ela dormir melhor. Dava pra ver que estava
agitada. Minha Susan...
Passei a mão em seu rosto e fiz um curativo para o
pescoço dela não ter infecções. A noite estava fria, então eu não podia
abraçá-la para aquecê-la. O que me fez fazer um tipo de cobertor de folhas.
Fiquei a observando dormir e quando amanheceu a levei para onde estávamos da
ultima vez.
Me imaginei
dançando com ela num baile.. Ela num vestido maravilhoso de cor vermelha e eu
num simples terno preto com uma rosa... Era a primeira vez que eu sonhava
acordado com uma garota humana. Humanos nunca me despertaram o interesse.. E
antes mesmo de ver Susan pessoalmente eu achava que era só mais uma humana
comum.
Mas o seu cheiro, seu jeito, sua aparência... Não pude
resistir... Eu queria o sangue dela.. Mas não tanto para matá-la. E consegui.
Pela vontade dela eu consegui. Nada pode expressar o que eu sinto por ela... A
humana que conquistou o vampiro. Me dá vontade de tê-la pra mim para sempre...
Mas eu não quero transformá-la. Não vou forçá-la à ter a vida que tenho.
Eu a vi acordar com uma expressão serena, como se tivesse
tido um sonho muito bom.
-Bom dia , Susan.
- Joseph? Ainda está aqui?
- Quer que eu saia?
-Não , não. Eu quero que fique.
- Então tudo bem.
------------------------------------------Susan---------------------------------------------------------------
Eu me acordei com um curativo no pescoço. Joseph estava
bem do meu lado. Agradeci o curativo que ele fez em mim.
-Bom, eu acho que devemos nos separar agora. Devem ter
notado a nossa falta. – Disse ele.
-Eu também acho. Mas eu sentirei a sua falta.
-Sabe chegar na sua casa sozinha ou precisa da minha
ajuda, madame?
-Não precisa, eu sei sozinha. Até mais Joseph.
Antes que eu pudesse me levantar, eu me cortei num
espinho. Estava sangrando muito, mas não doía. Joseph somente cheirou meu
pescoço,lambeu meu dedo e foi embora. Eu fui embora também. Quando cheguei já
era de tardezinha. Porque o lugar onde eu e o Joseph estávamos era longe..
Mas cheguei sem problema nenhum. Estavam todos no 15º
sono mesmo. Então resolvi ir tomar banho e ir pro meu quarto fazer qualquer coisinha.
Tomei meu banho, jantei, assisti um pouquinho de T.V e fui pro meu quarto tocar
violino. Até que ouvi alguma coisa batendo na janela. Olhei para ver o que era.
E quando vi era Joseph pedindo pra entrar.
Eu deixei ele entrar. Ele sentou na minha cama comigo e
começamos a conversar.
-Joseph por que veio aqui? Não sabe que é perigoso? Meu
tutor e o chato do Glen estão aqui.
-Mas eles não estão dormindo?
-Estão.
-Pelo visto guardou a rosa que te dei... Você gostou?
-Gostei bastante.
Ele me acariciou no rosto e ficou olhando para rosa. Só
sei que sentir as mãos frias dele me afagando me deixou meio vermelha... Sorri
pra ele. Não sabia o que pensar. Só sabia que já estava começando a me
apaixonar por ele...
Não sabia o que estava acontecendo... Eu estava bem
vermelha. Senti ele se aproximar de mim e sua respiração se mesclar com a
minha.. Logo depois, senti seus lábios frios contra os meus e a sua língua
percorrendo minha boca. Fiquei pálida, mas logo retribui..
Fomos andando bem devagar até que me choquei de leve com
a parede. Ele não parava de me beijar. Já estava nervosa quando o ouvi
sussurar: “Eu te amo.” Não aguentei e começei a beijá-lo ainda mais. Não sabia
o que estava fazendo e ele percebeu, parou e falou:
-Tem certeza que quer continuar com isso?
-Eu quero mais do que tudo.
Eu sabia do que ele estava falando.. Me senti mais
vermelha ainda.. E senti seus labios sobre meu pescoço. Não como mordida, mas
como beijos e provocações... Senti suas mãos frias tirando meu casaco e
desamarrando minhas bandagens.. Não consegui pará-lo. Até que eu estava
gostando daquele momento.
Senti sua língua descendo até os meus seios. E outra vez
eu fiquei tão trêmula que mal ouvia meus pensamentos. A diferença é que era um
vampiro quem estava me fazendo ficar trêmula e não um urso. Senti ele colocando
a mão dentro da minha calcinha e ficou acariciando meu clítoris. Me debati um
pouco.
-Está doendo? – Perguntou ele.
-Não, não.. Só senti uma agoniazinha, nada de mais.
-Ah.
Ele gemeu um pouco, pois mesmo eu estando com a maior
vergonha na cara, começei a acariciar as “partes particulares” dele. Tiramos
nossas roupas e num instante, parecia que éramos um só. Tudo bem eu admito. Eu
era virgem. E doeu pra ca-ra-lho. Mas eu não ia deixar aquele momento passar
sem me divertir , se é que você me entende.
Aquela noite foi a melhor da minha vida, e eu não tinha
que me preocupar por ele ter gozado justamente dentro de mim. Que eu saiba,
vampiros não dão “cria” por assim dizer. Até percebi que ele era virgem
também. Que coisa, pensava que eu era a
única virgem lá.
Bom, só sei eu que em questão de filhos, não quero ter um
agora. Sou muito nova, mesmo eu tendo feito coisas que não devia com Joseph.
Quando acordei ele já não estava lá, mas como da primeira vez que ele veio me
ver dormindo deixou um bilhetinho. Dessa vez tinha escrito:
“ Susan,
concerteza essa foi a melhor noite da minha vida. Desculpe se doeu um
pouquinho, era a minha primeira vez também. Mas de qualquer forma, eu te amo e
quero que fique bem, mesmo quando não estou perto de você. Joseph”
Joseph era um vampiro e eu tinha acabado de fazer sexo
com ele. Não que eu não tenha gostado, mas isso é meio um.. Taboo não? Uma
caçadora de vampiros e um vampiro juntos? Nunca iria dar certo... Mas.. Eu não
quero deixar o Joseph. Nem que me matem.
Escondi o bilhetinho na minha gaveta de calcinhas junto
com o outro, porque assim nem o meu tutor e nem o Glen achariam, pois sabem que
se mexerem em minhas coisas é morte .
Por ordem do meu tutor, Glen veio me acordar.
- Acorda, raposinha desaparecida.
- O que você quer Glen?
- Nada. Foi ele que mandou te acordar.
-Nhéé – Dei língua pra ele.
-Pra onde você foi ontem?
- Nenhum lugar que te interesse, Glen.
- Se eu estou perguntando é porque me interessa Susan. –
Disse ele cercando-me na parede. – Onde você foi?
- Não vou respoder você.
- Eu vou ter que te forçar?
-Vai.
- Péssima escolha, Susie. – Disse ele, passando a mão no
meu rosto e aproximando os seus lábios dos meus.
- Não me chame assim! – Eu disse, dando uma mordida no
nariz dele.
-Isso dói, Susan!
-A intenção é essa. Agora sai daqui! Quero trocar de
roupa. E eu saberei se estiver olhando atrás da porta, seu tarado.
-Sua chata. – Disse ele e saiu do meu quarto.
Ele ficou no corredor me esperando, para certificar de
que eu iria sair mesmo. Por mim eu não sairia, mas não quero deixar nem meu
tutor nem o chatonildo com suspeitas de que estou saindo com alguém. Ainda mais
com um vampiro. Mas eles não iam deixar de notar o curativo em meu pescoço,
mesmo eu o escondendo com o meu cabelo o mais cuidadosamente possível.
Desci as escadas normalmente, com Glen na minha frente.
Meu tutor estava sentado à mesa, nos esperando para o café da manhã.
- Bom dia, Susan. – Disse o meu tutor, com um sorriso no
rosto.
- Bom dia, James-sama. – Respondi, sentando-me.
-Dormiu bem?
-Dormi ótima, mesmo eu ainda estando com um pouco de
sono.
Ele deu um sorriso. Glen sentou bem do meu lado se
esticando. Até eu admito que o Glen é até bonitinho, mas a personalidade dele é
horrível.
-A propósito, Susan, o que aconteceu com seu pescoço pra
ter um curativo nele?
Me lasquei. O James-sama percebeu.
-Nada, só me arranhei enquanto estava na floresta ontem.
– Respondi sorrindo de um modo estranho.
- Então você estava na floresta?
- Sim, hehe. – Respondi sorrindo falsamente.
- Com um vampiro?
- O QUÊ??
Como eles sabiam sobre Joseph??! COMO ELES SABIAM DISSO?
- QUE QUER DIZER COM ISSO, JAMES-SAMA?
- Vimos um vampiro carregando você ontem, com a boca
cheia de sangue e seu pescoço mordido.
-Deve ter sido uma ilusão sua e.. – Glen me interrompeu.
-Que mentira, Susan. Você, pela primeira vez, caiu para
um vampiro. Quem era ele?
-Não sei. Não sei do que vocês estão falando! – Me
levantei e fui pro meu quarto com raiva.
Como eles podiam saber sobre Joseph? Quando eu desmaiei ele me levou pra
algum lugar? Eles foram me procurar? Resolvi passear um pouco com o Roy pra
descansar a minha cabeça de tantas perguntas.
Pulei da janela e fui para o estábulo. Roy estava
agitado, sabia que alguma coisa tinha acontecido comigo.
-Shh.. Não se preocupe, Roy. Eu estou bem. – Disse à ele.
Montei no Roy e saímos cavalgando rapidamente. Fui
explorando cada lugar que a floresta mostrava. E ia me arriscar a entrar no
lado negro da floresta também... Alguém uma vez na vida precisava ir lá. Precisava
saber o que tinha por trás do lado negro. Mesmo eu e Roy estando com um pouco
de medo, entramos lá sem arrependimentos.
Eu não conseguia ver nada. Nem Roy. Por isso ele chegou a
relinchar muito alto e isso podia ser um problema. E meu olfato não ajudaria
nada já que eu não conhecia esse lugar e tinha muitos cheiros novos. Mas um com
certeza eu reconheci. Cheiro de vampiro. E não era o Joseph.
Me mantive alerta. Nunca me esqueço da minha
serra-elétrica. E nesse momento, por mais que para alguns seja besteira
proteger um animal, minha prioridade era proteger o Roy. Fiquei atenta
observando,cheirando e ouvindo atentamente e soube que tinha alguém atrás de
mim. Me virei rapidamente. Tinha um cara muito parecido com o Joseph. Andei um
pouco para trás com o Roy e desci dele.
- Ora, ora... Uma humana por aqui? Que coisa incomum.
Fiquei calada, enquanto colocava minha serra na frente de
Roy para protegê-lo.
-Ah não se preocupe, senhorita humana. Não irei machucar
o seu cavalo. Não gosto de sangue animal.
Não tirei a serra da frente dele. O vampiro veio ainda
mais rápido que Joseph pra minha frente e eu e Roy levamos um susto. Roy saiu
correndo, deixando-me para trás. Não vou culpá-lo. Afinal, ele é um cavalo, não
pensa muita coisa. Mas como reação pra minha defesa, cortei um pouco do ombro
do vampiro.
Ele praticamente ignorou o corte e como Joseph e Glen
fizeram ele me cercou na árvore. O corte aos poucos se curava.. Eu estava
ficando em perigo. Ele colocou a mão em meu rosto e começou a falar:
-Ora. Parece que algum vampiro sortudo já conseguiu te
morder antes. – Falou ele, afastando meu cabelo do pescoço, mostrando meu
curativo. – Não entendo como ele não te matou. Podia ter ficado com esse sangue
delicioso só pra ele.
Continuei calada. Parece que ele se irritou comigo por eu
ter ficado calada de cara feia, e começou a empurrar meus braços a ponto de
quebrá-los. Gemi de dor. Mas continuei calada. Até que ele quebrou meu braço
esquerdo.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!! –
Gritei bem alto.
- Ai, eu adoro quando vocês humanos gritam de dor. E
agora ficarei com o seu sangue só pra mim.
Dei um tapa na cara dele com minha mão direita e saí
correndo. Mas parei no meio do caminho, meu braço doía muito. E eu mal
conseguia respirar de tanta dor. Mesmo andando, ele me alcançou, e eu não sabia
usar uma serra-elétrica comuma mão só. Eu estava em perigo.
Corri mais um pouco mas ele me puxou pelo braço direto
até junto dele e me abraçou, só pra não me deixar escapar e ficou lambendo meu
pescoço. Ficava me debatendo pra ele me soltar, mas não adiantava. De qualquer
forma, eu não desisti. Continuei me debatendo até o fim. Por fim ele me mordeu.
Mas ele se distraiu tomando meu sangue e consegui me libertar. Me arrastei até
uma árvore próxima.
Ele ficava limpando a boca com as mangas.
-De fato... Seu sangue é delicioso. – Disse ele lambendo
os lábios.
Tapei meu pescoço com a mão, mas com o meu movimento meu
braço quebrado doeu mais.
-Ah – Gemi de dor novamente.
-Shhhh. Fique em silêncio. Será horrível ter que dividir
esse sangue tão gostoso. – Disse ele acariciando minha cabeça.
Então ele quebrou minha perna também pra que eu não
pudesse andar. Eu ia gritar mas ele tapou minha boca. Agora eu estava
definitivamente em perigo. Senti o cheiro de outro vampiro, então saiu uma
criança do meio das árvores.
- Nii-chan.. Por que você não disse.. Que tinha achado
comida? – Perguntou a criança.
-Desculpe Peter. Mas ela eu não divido nem com você.
- Seu chato! Eu vou beber o sangue dela também.
O que eles estavam fazendo? Eu era um tipo de prêmio? Meu
sangue era tão bom assim? Depois apareceram uma adolescente e um cara grande.
- Ora, parece que achamos a Susan Chase afinal. – Disse o
vampiro maior.
- É a Susan Chase? Como sabe? – Perguntou o que me
atacou.
- Porque ela é a cara do pai dela.
-Você.. Conhece meu pai? – Perguntei assustada.
- Claro que eu conheço. Afinal, o primeiro caça-vampiros
que enfrentei foi seu pai: John.
Eu não podia fazer nada. Só tremia e fazia cara feia. De repente, ouvi um cavalgar e olhei pro
lado. Assim que olhei surgiram Roy, meu tutor e Glen atrás de mim.
-SUSAN!
Viram meus machucados e ficaram horrorizados com a visão
que tiveram. Eu toda ensangüentada, com o braço esquerdo e a perna direita quebrados,
com o pescoço mordido e com um monte de vampiros ao meu redor.
- O que pretendia fazer com minha aprendiz, Maxwell? –
Perguntou meu tutor, olhando para o vampiro grande.
- Faz muito tempo que não o vejo James. – Respondeu o
vampiro.
Glen me pegou com cuidado e me colocou em cima de Roy.
Não nos arriscaríamos a sair correndo, pois concerteza aqueles vampiros viriam
atrás de nós, porém o Glen ficou ali do meu lado, pronto para atacar qualquer
um que chegasse perto.
-Pelo visto trouxe a sua família, Maxwell.
- Sim. Minha filha mais velha: Amanda, meu filho gêmeo de
outro : Felix e meu filho mais novo: Peter.
- Como assim gêmeo de outro?
- Ainda tenho mais um filho, mas ele não está aqui.
-Humpf. Se não se importa vou levar minha aprendiz de
volta pra casa.
- Espere aí, James, não é assim que funciona.
- Eu quero a garota.
- Não a terá.
- Ela não é mais útil. Veja, a perna e o braço dela estão
quebrados. Ela está toda machucada.
- Não a terá e ponto final.
- Quando eu quero uma coisa, James.. É proibido recusar..
– Disse ele com seus olhos vermelhos brilhando.
-GLEN, TIRE SUSAN DAQUI!
- SIM!
Glen subiu em cima de Roy,me colocou nos braços dele
rapidamente e saímos correndo.
-Atrás deles. – Disse Maxwell
E todos os outros que estavam lá saíram atrás de nós.
- Droga.. Eu sou a culpada.. Não deveria ter vindo aqui..
- NÃO DEVIA MESMO!
De certa forma, Glen estava preocupado comigo, mesmo que
eu não achasse isso verdadeiro. O que me atacou nos alcançou rapidamente, porém
Roy não parou de correr. Glen pegou minha serra e ficou atacando toda vez que
eles se aproximavam. Mas estavamos correndo tão rápido e sem prestar atenção
que todos, literalmente, caímos da montanha que levava ao mar.
--------------------------------------------Joseph------------------------------------------------------------
Eu estava descansando em uma árvore quando ouvi um
barulho enorme. Abri meus olhos para ver o que era e vi que eram meu irmãos, um
humano, um cavalo e.. MINHA SUSAN CAINDO DO PENHASCO? Na mesma hora me levantei
e pulei do penhasco junto. Meus irmãos estavam pulando para a superfície quando
eu caí na água, então não perceberam a minha presença.
Fiquei procurando pela Susan até encontrá-la, toda
machucada tentando nadar. Mas à cada vez que tantava fazia uma expressão de dor
imensa. Nadei como um tubarão para pegá-la. A peguei em meus braços e percebi
que haviam quebrado seu braço e sua perna. Mas quando olhei pra frente havia
outro humano olhando pra mim diretamente, tocando na Susan.
O encarei, e saí da água na direção oposta à minha
família e ao humano e ao cavalo que ali estavam. Saí correndo e quando olhei
pra trás o humano havia saído da água com o cavalo e estava tentando acalmá-lo.
Aproveitei a oportunidade pra correr pra um lugar seguro. Agora era oficial,
nunca mais ia deixar Susan fora da minha vista.
- J.. Joseph? – Perguntou ela com a voz fraca.
- Fique quieta. – Respondi, levando-a para longe da
confusão que estava ali.
Cheguei numa vila diferente. E a levei no primeiro
hospital que vi. Eles pareciam não se importar que eu era um vampiro e a
levaram para sala de emergência imediatamente. Fiquei esperando impaciente no
corredor em frente à sala onde Susan estava. De repente saiu um doutor de lá e
fui até em cima dele perguntar como ela estava.
- COMO ELA ESTÁ? ME DIGA QUE ELA ESTÁ BEM!
- Calma senhor. A senhorita está bem. Mas irá demorar pra
se recuperar completamente. Deseja vê-la?
-SIM. Sim por favor.
Entrei apressado na sala e segurei a mão de Susan ao lado
da maca onde ela estava. Ela abriu os olhos suavemente e deu um sorriso leve.
- Ah, Susan. Não me deixe preocupado assim. – Eu disse
chorando.
- Não se preocupe comigo, eu vou conseguir me curar. –
Ela disse ainda sorrindo.
------------------------------------------------Glen--------------------------------------------------------------
Saí da água,
tentando acalmar Roy. Mas me assutei com o que vi .. Um vampiro, sem nenhuma
vergonha na cara pegou a Susan na minha frente e foi embora. Depois não mais os
vi. Eu iria atrás deles se soubesse pra ondes eles foram. Mas não me lembro de
nada. De qualquer forma, tenho que tentar. Ela não sabe ainda.. Eu tenho que
contar pra ela.
Saí correndo o mais rápido que eu pude para alcançá-los,
mas senti preocupação com o meu mestre e dei meia volta para ajudá-lo. Quando
cheguei lá ele estava lutando sozinho contra os outros vampiros que estavam
cercando-o praticamente. Aproveitei que estava com a serra da Susan e os
ataquei.
-O que faz aqui, Glen? Onde está a Susan?
-Ela sumiu. Não consegui ver aonde ela foi. – Me protegi.
Se eu dissesse pra ele que um vampiro a levou, concerteza ele me mataria. Ela é
como uma filha pra ele.
Depois disso nos concentramos apenas em deter os vampiros
ao nosso redor. Mas eles praticamente nunca se cansavam. E nós dois já
estávamos ficando extremamente cansados a ponto de desmaiar. Ele me mandou
fugir, mas retruquei dizendo que não. Ele me empurrou pra longe e todos os
outros vampiros pularam em cima dele.
Teriam matado ele, se eu não tivesse jogado uma pedra na cabeça de cada
um.
Eu tenho uma ótima mira. E todos eles com raiva vieram
pra cima de mim. Só que o meu tutor gritou:
-MAXWELL DEIXE-O EM PAZ! JÁ NÃO BASTA QUASE TER MATADO A
MINHA DISCÍPULA?
-Mas ela não está morta, está?
-Não sei. E ele também não sabe.
-Ah, então vamos procurar por ela. Quem achá-la primeiro
ganha.
Meu tutor rosnou pra ele.
-E cadê o Joseph que até agora não apareceu? – Perguntou
a vampira que estava lá.
Todos os outros fizeram uma cara de ‘Ah é..’ E procuraram
por ele com seus olhos. Seria Joseph aquele quem pegou a Susan?
-Logo ele que é o mais violento .-.
Assim que a criança disse isso senti um frio na barriga.
Se esse Joseph foi mesmo o que pegou a Susan, ela estaria em um grave perigo.
Depois, aquela aposta que o tal Maxwell fez ganhou vida, e todos fomos atrás de
Susan, com o restinho do cheiro do sangue dela.
-----------------------------------------------Felix---------------------------------------------------------------
Nossa, o sangue daquela humana era bom demais... Eu devia
ter matado ela logo que a vi, e ficado com o sangue dela só pra mim. Mas
estranhei o fato dela já ter sido mordida antes e ainda estar viva.
Tenho uma leve suspeita de quem foi que a mordeu, mas eu
precisaria sentir o cheiro do vampiro pra isso, ou ao menos ouvir seus passos,
para que eu o reconhecesse. Enfim, graças ao restinho do cheiro do sangue dela,
corremos até uma vila vizinha com aqueles humanos que a protegiam.
Tinha um hospital bem movimentado, e eu estranhei sentir
o cheiro do meu irmão gêmeo lá. Aproveitei que todos foram para lados opostos e
entrei lá. Os humanos nem se importavam de eu ser um vampiro, e uma enfermeira
veio ao meu encontro perguntando:
-Por acaso o senhor está visitando a mocinha que chegou
agora à pouco com outro vampiro?
Respondi que sim com a cabeça, então ela me levou até a
sala onde o cheiro de Joseph ficou mais forte. Ela abriu a porta, e me deparei
com ele a humana de mãos dadas encarando-me. É óbvio que eles sentiram o meu
cheiro.
Fiquei pasmo com o que vi. Joseph é justamente o vampiro
mais violento da família depois do meu pai, como é que ele deixou aquela humana
viva? Já tenho certeza de que foi ele que a mordeu.
-O QUE FAZ AQUI, FELIX? – Disse ele raivoso.
-O que você faz aqui, Joseph? – Respondi, calmamente.
-J-Joseph.. Foi esse cara.. Que me deixou assim.. Você o
conhece? – A humana começou à falar.
-Susan fique calada. Você só vai acabar piorando assim..-
Respondeu ele pra ela.
-O que está havendo aqui? – Retruquei, interrompendo os
dois.
-Se prometer não contar nada ao pai, eu falo pra você.
-Tá. Mas já vou avisando que tá todo mundo procurando
essa humana.
-Não tem problema. Esse quarto disfarça o cheiro dela.
Você não veio até aqui justamente por causa do meu cheiro?
-Sim..
-Então deixe-me contar.
Ele me contou absolutamente tudo. Até que havia feito
coisas inapropriadas com ela. Era a primeira vez que vi o Joseph com tanto amor
à alguma coisa. Desde que nossa mãe morreu, ele nunca mais amou ninguém. Como
essa humana conseguiu deixá-lo assim?
Prometi a mim mesmo que não deixaria ninguém interferir
nisso. Nem mesmo meu pai, a quem tanto temo. E pedi perdão à Susan por ter
quebrado a perna e o braço dela.
-Chase.. Desculpa ter feito isso com você.. Eu não sabia
que era de você que o Joseph estava gostando...
-T-Tudo bem. Eu não fiquei magoada. – Ela tossiu. – Você
é o irmão dele?
-Sim. Irmão gêmeo.
Ela sorriu pra mim. Aquele sorriso dela.. Nossa. Era tão
bonito e cativante.. Me deixava confortável.. Entendi porque Joseph gosta dela.
Susan Chase.. Ela dá um jeito de nos acalmar... Não entendo, o que é isso que
eu tô sentindo?
----------------------------------------------Susan---------------------------------------------------------
No momento que senti o cheiro do irmão do Joseph fiquei
assustada, mas depois que o Joseph contou tudo à ele fiquei mais confortável.
Ele tem cara de ser uma pessoa boa, mesmo tendo quase me lascado toda.
De qualquer forma, o perdoei. Isso é comum de um
vampiro.. Bom, pelo menos de todos que já enfrentei. Não vou morrer por causa
de um braço e de uma perna, mas me preocupei ao lembrar do que ele falou.
‘Tá. Mas já vou avisando, tá todo mundo procurando essa
humana.’
Todo mundo? Glen,James-sama e aqueles vampiros estavam
procurando por mim? Bom, eu não tenho tantas dúvidas já que o irmão do Joseph
está aqui, mas será um problema sério se eles me acharem.
Meu braço e minha perna pararam de doer. Tentei mover os
dois pra ver se já tinha recuperado meus reflexos, mas já vi que não. Acho que
vou demorar um bom tempo aqui nesse hospital. Quero ver é quanto isso vai dar
no final.. Mas não tem problema. Eu sou rica afinal de contas.
Joseph me acariciava enquanto conversava com o irmão
dele. Eu só fiquei pensando nas coisas que aconteceram... Eu me apaixonei por
um vampiro... E taí uma coisa que eu nunca imaginei que aconteceria. Afinal,
não foi apenas um urso que matou meus pais. Eles foram mortos pelo urso, mas
estavam fracos por causa da batalha que tiveram antes disso para me proteger...
Ainda me lembro disso como se fosse ontem...
Nós três passeavamos pela floresta. Eles haviam acabado
de me dar Roy de presente de aniversário. Até que de repente alguém atacou meu
pai. Era aquele vampiro grande chamado
Maxwell que o atacou.
-Então John?.. Que tal a minha vingança ser agora? –
Disse ele com os olhos vermelhos como sangue cheios de ódio brilhando.
-MARIA, PEGUE SUSAN E SAIA!
-MAS É MAXWELL, JOHN! – Disse minha mãe, mantendo-me
atrás dela junto de Roy.
-ANDA MARIA!
E lá fomos nós. Minha mãe,Roy e eu correndo
desesperadamente pela floresta, enquanto meu pai e aquele tal Maxwell brigavam
violentamente. Meu pai conseguiu socar o olho dele com muita força e foi atrás
de nós em seguida.
Mas aquele Maxwell se recuperou logo do soco, e foi atrás
de nós também. Minha mãe e meu pai se viraram contra ele e me mandaram fugir
com o Roy.
-NÃO!- Retruquei.
-SUSAN CHARLOTT CHASE, NÃO NOS QUESTIONE. SUBA NO ROY E
FUJA! – Mandaram os dois.
De fato eu subi, mas eles conseguiram fazer o vampiro
cair, e aproveitaram a oportunidade para nos segurar nos braços e correrem com
a maior velocidade que tiveram. Maxwell se levantou, e avistou um urso por
perto, caçando. Rapidamente foi até o animal, e o assustou, direcionando-o para
mim,meus pais e Roy.
O urso chegou rápido. Ele seria morto fácil pelos meus
pais, porém eles estavam muito cansados. Sem contar que Maxwell se aproximava
lentamente. Então eles me colocaram de volta em cima de Roy e o assustaram,
fazendo a gente correr pra direção onde ficava minha casa. Olhei para trás e vi
o urso tentando matar os dois, junto com a ajuda de Maxwell, que ficava
roubando o sangue deles.
Até que, quando eles já estavam quase sem sangue, o urso
os pisoteou até a morte com as garras, e Maxwell o afugentou carregando os
corpos de meus pais.
Chorei muito e quase que gritava, porém tapei minha boca
e eu e Roy corremos tanto, que chegamos até perto da minha casa, vazia.
Acabamos desmaiando na neve. Acordei na minha cama, com uma pequena xícara de
chocolate quente ao meu lado e com agasalhos cobrindo meu corpo.
Achei que aquilo tudo tinha sido um pesadelo, então desci
as escadas procurando meus pais. Não os encontrei em lugar nenhum. Só encontrei
um homem e um menino estranhos, que de vez em quando vinham pra minha casa,
conversar com meus pais.
-Susan Chase? – Perguntou o adulto.
-S-Sim?
-Eu sou James Blindman. Esse é Glen Huntering.
-Vocês são amigos do papai e da mamãe? Sabem onde eles
estão?
-Susan..
-POR FAVOR ME FALEM! – Gritei chorando.
-Eles estão mortos... O que aconteceu ontem não foi um
sonho ruim..
Fiz uma expressão de horror e chorei. E desde desse dia
jurei vingar meus pais, tornando-me a melhor caça vampiros de todas. De fato,
eu consegui isso. E estava a poucos passos de conseguir minha vingança.. Mas aí
eu conheci o Joseph.. Nem sei mais o que eu quero...
-Ah não..- Exclamei, pois senti o cheiro do James-sama e
de alguns outros vampiros. – Vocês.. Também..?- Fui interrompida.
-Fica tranquila Susan. Eles só farão algo com você
passando por cima do meu cadáver. – Respondeu-me Joseph, que também havia
percebido que eles estavam se aproximando.
-Do meu também. Ah e apropósito, eu sou Felix. – Disse o
irmão de Joseph, posiocionando-se para me proteger.
Todos eles chegaram ao mesmo tempo, e ficaram pasmos com
o que viram. Joseph e Felix protegendo-me e eu deitada numa maca com os
ferimentos devidamente tratados e enfaixados.
-Susan o que está acontecendo aqui? – Perguntou James.
-James-sama... Eu não posso te explicar.. Mas eu também
não sei.
-Não precisa falar nada Susan. – Disse Joseph.- Contarei
à eles também.
-Tem certeza disso, irmão? – Perguntou Felix, preocupado.
-Tenho.
Joseph contou tudo à eles também. E a maioria ficara
incrivelmente pasma com o que ouviu.
-Joseph.. Está me dizendo que você se apaixonou..
Justamente pela descendente do homeme que matou a mamãe?- Disse a vampira que
estava lá.
Joseph ficou cabisbaixo por um instante e levantou a
cabeça depois respondendo:
-Sim. E não me arrependo de nada que fiz até agora.
Ela deu um tapa na cara dele. Fiquei com bastante raiva.
Se eu pudesse me levantar já teria arrancado aquela mão imunda dela.
-COMO VOCÊ PÔDE?
-COMO VOCÊ PODE? EU AMO A SUSAN MAIS DO QUE NINGUÉM
ENTENDERIA! E nem você, nem ninguém pode mudar isso..
Dessa vez foi aquele maldito Maxwell quem deu um tapa
ainda mais forte, que fez Joseph voar longe.
-D-Deixe-o em paz! – Tentei gritar.
-Como? Deixá-lo em paz? QUANDO ELE AMA A RAÇA MAIS IMPURA
QUE EXISTE?
-CALE-SE SEU RACISTA!- Consegui gritar.- NÃO É CULPA
MINHA SE MEUS PAIS MATARAM ALGUÉM QUE VOCÊ GOSTAVA!
-Ele matou a minha esposa.. O SEU PAI MATOU A MÃE DO
JOSEPH! DEIXOU-O DEPRESSIVO E VIOLENTO! POR QUE ACHA QUE ODEIO HUMANOS?
“C-Como? O que eu acabei de ouvir? Meu pai matou a mãe do
Joseph? Como??” Pensei.
Fiquei me sentindo tão culpada. Fiquei cabisbaixa e
chorei desesperadamente. Joseph logo recuperou-se do tapa que seu pai lhe dera,
e foi pra junto de mim me consolar.
-J-Joseph.. Eu também não.. Enten..Do..- Tossi. – Se meu
pai.. Deixou você depressivo.. Como você pode.. gos..tar de mim? – Tossi de
novo, ainda chorando.
-Susan.. Nem eu consigo explicar o que sinto por você.
Não importa o passado. – Ele respondeu-me.
Os outros vampiros, James-sama e Glen pareceram comovidos
com o que Joseph sentia por mim. Menos Maxwell. Então ele disse:
-Quem.. Quem daqui deseja ficar com o Joseph?
Todos os vampiros, pouco a pouco, aproximavam-se de mim e
de Joseph protegendo-me. Glen e James-sama também.
-Entendi... Se vocês preferem essa raça impura à mim, seu
próprio pai, que fiquem. Mas não me implorem perdão depois. – Disse ele, indo
embora.
Depois todos os outros vampiros ficaram olhando pra mim..
Aqueles olhos de tantas cores.. Não eram mais os mesmos. Estavam mais
carinhosos.. Mais confortáveis.. E então o doutor chegou e mandou todos eles
saírem, que precisava fazer uns exames em mim.
Passei umas duas semanas assim e todos nós fomos pra
minha casa. Glen não se sentia confortável com tantos vampiros ao seu redor.
Vamos dizer que nenhum humano (inclusive eu) estava tão confortável. Eu sempre
odiei vampiros até conhecer o Joseph. Mas não podia fazer nada. Era a família
dele.
Fiquei muito amiga de Amanda, Glen e Felix conversavam
muito, meu tutor conversava com Peter e Joseph.. Estava tudo na mais perfeita
ordem. Já não estava mais me sentindo estranha. E passamos a morar todos
juntos.
Ficamos algum tempo assim. Três humanos e quatro vampiros
morando juntos. Nem sei como mas nunca tivemos complicação alguma. Éramos
felizes. Mas essa felicidade acabou...
Estávamos todos num campo vizinho da floresta, treinando
e caçando. Até que sentimos o cheiro de Maxwell..
-Joseph?
-Eu senti também.
Nos reagrupamos e ficamos esperando ele aparecer. De
fato, ele apareceu alguns instantes depois.. Com dois vampiros novos.. E até
hoje.. Nunca.. Me esquecerei de quem eram.
-Ora, ora? São uma família feliz agora? E o que acham de
meus amigos novos? – Disse ele sarcástico.
Olhei para os dois cheiros novos pasma...
-Pa..Papai? Mamãe? – Eu disse, chorando, triste e alegre
ao mesmo tempo.
-Faz muito tempo Susan. – Disse minha mãe aproximando-se
de mim e me abraçando.
Meu pai me abraçou também.
-Queria tanto vê-los de novo!! – Abraçei-os com a maior
força que eu tinha. Até os derrubei no chão.
-Nós também Susan.. Mas...
-Mas o quê?
-Não viemos aqui para reecontrar você..
-Ué? Vieram pra quê? – Começei a me afastar lentamente.
Eles ficaram cabisbaixos, e Maxwell se aproximava deles
lentamente.
-Viemos para...
Todos os outros posicionavam-se para uma luta, mas eu
esperei eles dizerem o que eu esperava.
-Viemos..Para matá-la Susan.
Esse foi o ponto chave. Todos rosnaram e atacaram meus
pais, enquanto eu fiquei parada e horrorizada com o que vi e ouvi. Meus pais..
querendo me matar? O que eu tinha feito de errado?
Horrorizei-me de novo, quando vi os dois facilmente
aniquilando os que os atacavam. Quero dizer, eles não os mataram, mas os
fizeram voar longe e se machucar muito. Eu fiquei parada, sem fazer nada.
Somente via o que estava acontecendo com um olhar desesperado e depressivo, sem
entender o porquê de meus próprios pais estarem com ódio de mim.
Eles nunca odiaram vampiros. Só os matavam por causa que
eram obrigados.. Por que me odiavam? POR QUÊ?
E lá fiquei eu, desesperando-me e encolhendo-me no chão.
Peter percebeu meu desespero, e quase como se arrastando foi até mim.
-Charlottie (Ele me chamava pelo meu segundo nome por
achar mais bonito.) E-eu sei que está triste. Mas não é hora pra se lembrar do
passado! Eles não são mais seus pais! Não vê? Eles mau lhe reconhecem.. Tanto
que querem matá-la.
-O problema é justamente esse Peter! Eles são meus pais!
Eu não tenho coragem para matá-los!
-VOCÊ TEM QUE TER! ELES VÃO ACABAR MATANDO TODO MUNDO!
Gritei e coloquei as mãos na cabeça. E o meu pai
aproveitou a minha distração para ir até mim, e matar Peter.. Uma criança.. Bem
na minha frente..E ele até sorriu..
O sangue dele jorrou na minha cara. Percebi o quanto meus
pais haviam mudado.. E no mesmo instante, como um ato de vingança, ataquei-o
sem piedade. Mas senti uma dor imensa no meu ventre. Gritei muito, e quando vi,
minhas calças estavam molhadas e o chão também.
O que isso significa? Eu estava grávida até agora. Eu
tive uma gestação inteira, e não percebi e estava em trabalho de parto,
justamente no meio de uma luta.
Joseph percebeu isso e estranhou, foi até mim com a maior
velocidade que pôde e me afastou de meu pai.
-SUSAN??
-Eu.. Estava.. Grávida.. Até agora?- Perguntei a mim
mesma – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! –Gritei de dor de novo.
Amanda veio até mim depois, ainda mais rápido que Joseph.
-Eu cuido dela Joseph! Vá lutar!
Joseph disse que sim com a cabeça e foi, enquanto eu
gritava e Amanda me levava para longe, para eu ter meu bebê, totalmente
inesperado. Ela tirou minhas calças e mandava eu fazer força. De fato, eu
estava fazendo, senão eu morreria de tanta dor. Só queria que aquilo parasse.
A dor de repente sumiu, e eu escutei um choro. Abri os olhos e vi um menino
lindo... Ruivo,branquinho,com bochechas enormes que dão vontade de morder.. Eu
o amei o mesmo instante que o vi.
Meu bebê.. Meu bebê inesperado. Tomei-o dela e o abraçei.
Ele sorriu pra mim, e na minha mente já vinha um nome para ele: Thomas.
Mas não demorou muito para voltarmos a luta. Amanda
carregava a mim e a Thomas com a maior força que tinha, para nos manter
seguros, mas ela acabou tropeçando e eu e meu bebê caímos num arbusto próximo.
Quando olhei para o campo de batalha ensanguentado, só via corpos sem vida. Só
quem estava vivo era Joseph,Glen,Amanda,eu,Thomas,Maxwell e meus pais.
Resumindo: Haviam morrido quase todo mundo da minha
família. Joseph e Maxwell lutavam violentamente e meus pais ameaçavam e
atacavam Glen. Escondi Thomas no arbusto já que o mesmo dormia e os ataquei
também, mesmo fraca e mal conseguindo correr.
Glen acabou desmaiando,Joseph e Amanda derrotaram Maxwell
arrancando sua cabeça.. Então ficamos apenas eu e meus pais. Aquela luta era
minha. Eu não ia deixar nenhum deles interferir.
-Papai..Mamãe.. Eu não quero fazer isso.. Não quero matar
vocês.. Mas se eu tiver que fazer eu farei!
-Desculpe Susan.. Mas não podemos evitar.. Você se tornou
apenas.. Mais uma para nós. – Respondeu minha mãe.
-Ainda há tempo... Venham pra casa comigo..
-Não dá Susan. Não amamos mais você como amávamos antes.
Agora.. Somos apenas o seu maior pesadelo..- Disse meu pai, atacando-me e
tentando me morder.
Joseph e Amanda já iam correndo até mim mas eu os impedi
gritando um ‘NÃO’ furioso. Como eu disse, aquela luta era minha. Não deles. Me
defendi do ataque de meu pai e minha mãe veio logo atrás dele, empurrando-me
para o chão.
A chutei com força, fazendo a mesma cair no chão.
Estávamos mano-a-mano. Não estava com a minha serra naquele dia. Meus pais
tentavam me morder e ficamos um tempo assim. Não sei como ainda, mas aquele
campinho começou a pegar fogo. Era minha chance.
Chutei os dois no chão e os espanquei para que não se
levantassem, mesmo sabendo que se curariam rápido. Então, eu precisava ser mais
rápida ainda. Peguei um galho pegando fogo e joguei neles, queimando-os até a
morte.
-Desculpem... – Disse baixinho, vendo-os queimar. –
Vamos..Joseph..Amanda..
Joseph havia pego Thomas durante a minha luta. Ele o
entregou nos meus braços. Amanda e Glen tinham ido para o outro lado, e
eu,Joseph e Thomas andávamos em direção à nossa casa.
E a cada passo, eu me lembrava de meus pais.. Dos
momentos felizes que tivemos juntos.. E chorei.. Discretamente chorei. É óbvio
que fiquei de luto.. Mas não paramos de caminhar.. Naquela floresta pegando
fogo.. Direcionando-nos para a vida..
---------------------------------------------John e
Maria-------------------------------------------------------
-John? – Disse ela, ainda ardendo nas chamas que rasgavam
seu corpo.
-Sim, Maria?
-Essa concerteza.. É a nossa filha..
-Haha... Eu sei.. Só podia ser ela.. A nossa Susan
Chase..
-Vamos amá-la para sempre. – Disseram os dois juntos nas
suas últimas palavras.
E queimaram até a morte, junto com toda a floresta,
deixando apenas o medalhão dourado de família de Maria no campo queimado,
destacando-se em brilho.
-------------------------------------------------
-Susan--------------------------------------------------------
Fiquei de luto por vários anos, porém eu era feliz. Com
meu marido e meu filho... Sim, eu e Joseph nos casamos, assim como Amanda e
Glen. (Ainda não sei como ela conseguiu suportá-lo a ponto disso.) Meus amados
e eu, vivendo felizes na nossa casa...
Até que um dia tudo mudou.. Eu cheguei em casa da
livraria quando senti o cheiro de sangue. Fiquei preocupada e chamei pelo meu
filho. Ele não respondeu. Subi até o quarto dele.
Não conseguia vê-lo bem, já que estava escuro, mas ele
estava parado num canto, chorando e com cheiro de sangue. Até que acendi a luz,
e o vi coberto de sangue, com um garoto morto à sua frente.
-Des-Desculpa, mamãe. – Disse ele chorando
desesperadamente.
-Thomas... O que você fez?
-----------------------------------------------------FIM----------------------------------------------------------
Nenhum comentário:
Postar um comentário