Os três garotos estavam num campo de noite, observando as
estrelas. Garotos inseparáveis aqueles. O tímido e gentil Satoru, ao ver uma
estrela cadente logo disse, bem alto:
-Satoshi,Usui, vejam! Uma estrela cadente!!
-Satoshi,Usui, vejam! Uma estrela cadente!!
-Façam seus pedidos. – Disse Satoshi, fechando os olhos. “Eu
quero ficar para sempre com o Satoru.”
“Eu quero que Satoru fique comigo.” – Pensou Usui.
“Eu quero achar alguém para mim.” – Pensou Satoru. – E
então? O que vocês pediram? – Ele perguntou, sorridente.
-Se a gente disser não acontece, Satoru. – Respondeu Usui.
Os dois maiores pareciam observar à Satoru. Afinal, eles
dois o amavam. E os dois também sabiam que eram rivais. Só que ninguém nunca
tomava a iniciativa. Até que Satoshi pensou sobre isso e chamou Usui para
conversar.
-Usui, eu posso falar com você um minuto?
-Claro. Satoru, você pode nos esperar aqui?
-Pra onde vocês vão?
-A gente só vai conversar uma coisa. Depois a gente volta.
-Tá bom então. – O menor sentou-se, imaginando sobre o que
eles conversariam.
Os dois maiores andaram até uma árvore próxima.
-O que foi,Satoshi?
-Escuta. Nós dois gostamos do Satoru, certo?
-É. – Usui já estava ficando desconfiado.
-Acho que já é hora de um de nós tomar iniciativa.
-O que quer dizer com isso?
-Eu vou me confessar para ele.
-Hã??!
-É isso mesmo. Eu não agüento mais esperar. Desculpe Usui.
-Não vem com essa! Satoru é que tem que escolher!
-Mas como ele vai escolher se ninguém diz nada?
Usui não pôde respondê-lo. Ele estava certo.
-Eu vou chamá-lo aqui. Então quem de nós tiver coragem para
se confessar primeiro fica com ele, okay?
-Isso é um desafio?
-É. Mas é um desafio que não pretendo perder, mesmo estando
com o braço quebrado eu vou lutar por ele.
-Tá, vai sonhando. Chame-o.
Os dois se viraram para encarar Satoru. O pequeno estava
sentado, sentindo o vento no seu rosto corado, com os olhos fechados. Antes de
tomar a iniciativa, os dois ainda ficaram observando-o por alguns momentos.
-Satoru. – Chamou Satoshi.
-Sim?
-Vem aqui, por favor?
O menor foi até eles rapidamente, curioso.Eles o observaram
por alguns momentos a mais, e realmente nenhum estava com coragem para dizer
palavra alguma. Afinal, o que Satoru poderia pensar?
Bem, mesmo sem coragem para dizer nada, bastaram 10 segundos
de pensamento positivo na cabeça de Satoshi para ele segurar o menor e dizer
que o amava com um gesto. O primeiro beijo do pequeno.
O mesmo arregalou os olhos bem surpresos, assim como Usui. O
loiro não esperava que o ruivo o beijasse. Ficou ali, parado e traumatizado,
sem conseguir dizer ou fazer coisa alguma enquanto Satoshi partia o beijo.
-Sa-Satoshi? Por que você fez isso?
-Desculpa, Satoru. Eu não podia mais agüentar. – O puxou
para perto, abraçando-o. – Eu te amo, Satoru.
O menor corou bastante e retribuiu o abraço, sem saber o que
responder ao ruivo.
-Por favor, Satoru. Seja meu namorado. Por favor,
corresponda ao meu amor.
-Eu...
-Por favor!
-Eu.. Vou tentar, Satoshi.
Usui estava desolado. Perder quem amava na sua frente? Bom.
É óbvio que ele estava bastante ciumento, mas ele queria que o amado fosse
feliz. Com ou sem ele. Suspirou, sorrindo para os dois.
-Satoshi. – Usui disse, baixo o suficiente para que só eles
dois ouvissem. – Por favor cuide dele.
O ruivo sorriu para Usui e depois para Satoru e o beijou
novamente, feliz da vida por ter sido correspondido.
-Bem, eu não quero segurar vela aqui. – Usui fingiu que
estava bem tirando onda com os dois. – Vou para casa agora.
-Ahh, já vai? – Reclamou Satoru. – Não pode ficar nem mais
um pouquinho?
O loiro sorriu para o moreno. Mesmo que isso fosse uma
tortura, ele ainda desejava a sua presença. Infelizmente, era muita coisa para
ele agüentar.
-Desculpa, Satoru. – A tristeza estampava em seus olhos, mas
fez questão de mantê-los fechados para que Satoru não reparasse. – Até mais,
pombinhos.
-Até..-Disse Satoshi.
-Tchau, Usui! – Satoru acenou.
Até que o relacionamento deu certo. Satoru e Satoshi foram
muito felizes juntos. Pelo menos até o dia que Satoshi pegou uma doença muito
grave... E faleceu. Nunca houvera uma depressão tão grande no menor, desde que
se conhecia por gente.
Alguns anos depois, quando o luto se dissipou e Satoru voltara a sorrir, ele e Usui passeavam juntos, depois de terem visitado o túmulo de Satoshi.
-Satoru.
-Sim?
-O que você pensou depois que Satoshi se confessou?
-Na verdade eu não pensei nada demais. Meio que.. Eu nem me lembro mais.
-Uhum. - Usui fingiu que acreditar. - De qualquer jeito.. O que você faria se eu dissesse que desde aquela época que.. Eu gosto de você?
-Isso é uma brincadeira, Usui?
-Não. Eu realmente gosto de você desde lá.
Satoru ficou imóvel, sem saber o que dizer. Ele tinha feito Usui sofrer aquele tempo todo e não percebeu? Como ele era idiota!
-Usui, eu sinto muito! Deve ter sido difícil pra você! - Ele se curvou diversas vezes, num gesto de desculpas.
-Calma, Satoru. Eu não estou com raiva.
-Desculpa..
O loiro, vendo que o moreno já ia começar a chorar, acariciou seu rosto, encostando gentilmente seus lábios nos dele logo em seguida, fazendo ele abrir os olhos e se distrair com aquilo.
-Viu? Não precisa se desculpar por nada. - Abraçou-o novamente.
O menor retribuiu o abraço bem devagar, ainda sem entender muito o que tinha acontecido.
-Eu te amo, Satoru...
The Fucking End
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