segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A Caixinha de Música

Numa fria tarde de inverno, há alguns anos de hoje, existia uma família chamada Alistair. Os Alistair eram muito pobres, e quase todo ano eles comemoravam o Natal assim: Sem comida, convidados, presentes ou até mesmo alegria.
Especialmente para a pequenina Emilly, a filha do casal. Ela não era lá uma criança calma, e seu pai também não era lá boa pessoa. O pai era um bêbado e a pequena Emilly era simplesmente a criança mais egoísta de todo o bairro. Havia sua mãe também, e esta era a única que se salvava dessa família maldita. Ela era muito, mas muito gentil.
Algumas outras crianças, por dizer, suas inimigas, para zoarem com sua cara, de vez em quando botavam carvão ao redor de sua pequenina, quase sem nada, casa, enfeitando-a com papel higiênico e pixações também.
Também haviam os drogados, sempre usando a trás da casa como esconderijo para suas drogas, sabendo que nenhuma das pessoas ali vivendo se importava, ou sequer os denunciava. Eles também não tinham um telefone, de que adiantaria?
Bem, de qualquer forma, neste ano específico, Emilly foi uma boa criança, ao menos aos olhos de sua gentil mãe.  Sem contar que há tempos a menina exigia um presente. A mãe, não tão hesitante em cumprir pelo menos esse desejo, procurou por alguma coisa que pudesse agradar sua pequenina filha.
Ela encontrou, em meio a destroços da casa queimada de um vizinho que recentemente falecera, uma caixinha de música. Era, realmente, uma bonita caixinha, quase sem nada manchando-a. Somente alguma poeira. Limpou a tal poeira restante, e procurou pela chave da mesma.
Por coincidência ou não, ela estava bem ao lado da prateada e delicada caixinha, esperando para ser pega, o que logo aconteceu.  Ela esperou que a noite de Natal chegasse, esperou com muita paciência. Seu marido, gastava tudo que tinha em bebidas, e Emilly continuava a pedir e a pedir, sem se importar com os ouvidos de seus pais.
Até que, finalmente, a noite chegara. Todas as famílias da vizinhança estavam reunidas para esta bela noite, onde presentes seriam distribuídos, sorrisos seriam vistos nos rostos das crianças, músicas natalinas seriam cantadas, e as igrejas comemorariam o nascimento daquele que chamavam de Jesus.
De qualquer forma, na modesta casa dos Alistair, a situação era a mesma. A mãe, de certo modo, conseguiu acalmar seu marido e sua filha para que, pela primeira vez, tivessem um Natal decente, alegre. Era tudo que a moça mais queria, tal como o primeiro sorriso de sua filha, desde que ficaram pobres daquela forma.
-Mamãe, mamãe ! – Exclamou a menina, ansiosa. – Onde estão meus presentes?
-Sim, querida, já vou pegá-lo. – Respondeu a moça mais velha.
A moça saiu andando em direção ao pequeniníssimo pinheiro que possuíam, avistando a caixinha que pegaria. Estranhamente, a chave estava bem afastada, e a caixinha, aberta. Não se lembrava de tê-la aberto. Devia ter sido seu curioso marido. Bom, como não estava tocando nem nada, fechou-a de volta e pegou a chave da mesma, pondo-a atrás de si para ser algo como uma surpresa.
-Aqui, filha. Espero que gostes.
-Me dá! – Exigiu a garota.
A mãe, com um sorriso gentil em seu rosto, pôs a caixinha nas mãos da menina, tal como a chave da mesma.
-O que é isto, mamãe? – Perguntou a menina, curiosa.
-Abra, filha.
A menina franziu as sobrancelhas e obedeceu à mãe, pegando a caixa em uma das mãos e a chave na outra. Logo, pôs o objeto menor dentro da fechadura da caixa e girou algumas vezes. Automaticamente, a caixa se abriu. Pop goes the weasel começou a tocar, num ritmo calmo, mas não lento, tal como uma pequenina e monocromática bailarina.
Emilly, apesar de ter achado a caixinha e a bonequinha dentro dela bonitinhas, não queria isso de presente. Queria, é claro, um brinquedo. Não algo que tocasse uma música de circo! E a bailarina sequer era colorida. Era preta e branca, tão sem graça!
-Eu não quero isso! – Disse a menina, jogando a caixa no chão. – Eu quero uma boneca que fala! – A mimada menina gritou mais com a mãe e dirigiu-se ao seu suposto quarto, tão pequeno quanto o cômodo que ali estavam.
A mãe, vendo a caixa no chão e relembrando dos gritos mimados da filha, entristeceu-se, ajoelhando-se e pegando a caixinha, ainda inteira, nas mãos. Incrivelmente, a caixinha não fechou e nem algo do tipo até que a música terminasse. A bailarina continuou girando normalmente, tal como a música ficou tocando da mesma forma, mesmo que tenham caído com força no chão.
O homem, irritado com o grito da filha e da incompetência da esposa, levantou-se e andou em direção à ela, com as sobrancelhas franzidas e os braços cruzados.
-Mulher inútil! – Gritou, chutando a face da mulher e espancando-a um pouco mais, como fazia todas as noites. – Não serve nem pra um Natal decente.
Depois de terminado o ato, o homem se dirigiu à cama que ali tinha, deitando-se e fechando seus olhos azul-marinhos para dormir, o que conseguiu em não muito tempo.
Sim, ele, mesmo depois de fazer tal ato com uma mulher que só queria a alegria da família, conseguia dormir tranqüilo, como se tudo não passasse de uma besteira. A mulher estava deitada em posição fetal, cheia de feridas e marcas roxas por todo o seu corpo. Ela tremia e chorava, tal como sentia certo sangue escorrer de uma de suas narinas.
Mais tarde, já que a moça não conseguia mais se levantar, mais ou menos às 00:00, em ponto, ela acordou. Se deparou com a caixinha assim que abriu seus olhos. Ela estava aberta, e tocando mais uma vez. Ué? Será que alguém a tinha acionado?
Com suas forças restantes, olhou de um lado e para o outro; ninguém. Emilly e seu marido continuavam em seus sonhos. A mulher, então, sentou-se com certa dificuldade, e ficou olhando para a bailarina que tão gentilmente girava, como se quisesse consolá-la.
A mulher ficou escutando a música até que esta terminasse, esperando que a caixinha fechasse. Mas não. A música, de fato, terminou e a bailarina parou de dançar. Mas a caixa não se fechou.
Ela estranhou e tentou fechá-la, abaixando sua tampa. Ela abriu mais uma vez. A mulher parou de tentar e ficou observando, com seus olhos curiosos.
Logo, a música começou a tocar mais uma vez, mas dessa vez, ela tinha certa letra. Aliás, fala. Era a bailarina.
-Não fique triste, moça. – Disse a bailarina.
-V-Você fala? – Disse a mulher.
-Sim, eu falo. E também vou livrar você de tanto tormento.
-Como assim?
-Só volte a dormir. – Respondeu a bonequinha.
-Posso ao menos saber seu nome, pequenina?
-Jackie. – Respondeu a boneca.
-Obrigada, Jackie. Boa noite. – A mulher estava, de fato, ainda muito cansada, então não hesitou em cumprir o que a boneca pediu.
Algumas horas depois, sentiu-se com um bom calor. Tipo, grande mesmo. E também sentiu algo iluminando seus olhos. Ao abri-los, viu que sua casa estava em chamas! Rapidamente se levantou, arfante, com cuidado para que seus pés descalços não tocassem nas ardentes chamas ao seu redor.
Estranhamente, essas mesmas chamas não a tocavam, ou sequer chegavam perto da mulher. Ela olhou ao redor, e em meio ao incêndio, pôde ver seu marido, começando a pegar fogo.
-AaAargh! – Ele gritava, sentindo aquela dor agonizante em toda a área de suas costas.
Quanto mais ele rolava pelo chão, mais parecia que as chamas aumentavam, e de fato, era isto que acontecia. A mulher correu até ele, com a esperança de poder apagar certa quantidade de fogo, mas não adiantou.
Assim que chegou perto do homem queimante, o fogo se espalhou mais, ocupando todo o corpo do mesmo, aumentando o volume de seus gritos desesperados, que logo cessaram. Mesmo depois que o homem morrera, as chamas continuaram, como se quisessem puni-lo por algo.
Mas logo a mulher se distraiu com mais gritos, mais finos, mais altos, vindos do quarto de sua filha Emilly. Ela tratou de correr até lá, desviando-se das chamas, esquecendo-se da existência do cadáver que ali havia, entrando sem demora no quarto da filha.
-Emilly!? – Chamou por ela, sem encontrá-la de primeira.
Ouviu, como resposta, um choro vindo de dentro do guarda-roupas velho de madeira que a filha possuía. Tentou abrir a porta do mesmo, mas estava trancada. Tentou mais uma vez, com mais força: sem resultado.
Os gritos aumentaram quando as chamas começaram a tocar no objeto de madeira, e se alastraram pelo mesmo, fazendo com que a mulher se afastasse do mesmo por alguns longos segundos, mas esta foi procurar alguma coisa para abrir as portas.
Quando achou um pedaço solto de madeira do piso, tratou de tentar usá-lo como um pé-de-cabra, fazendo força para que as portas se abrissem. Quando finalmente conseguiu, já não mais ouvia os gritos de sua filha. Ela estava preta de queimada. A pele, as roupas, os olhos, e todas as outras coisas por dentro do guarda-roupas estavam queimados daquela forma.
A mulher pôs as duas mãos na cabeça, desesperada, tentando tirar a criança dali, mas quando conseguiu, ela quebrou ao meio. Uma parte de seu corpo, as pernas especificamente, caíram no chão e boa parte delas viraram cinzas.
Depois, ela virou o restante do corpo da filha, tentando olhar para seu rosto, mas este também, estava irreconhecível, preto, sem expressão, também sem demorar para virar cinzas. As lágrimas rapidamente começaram a fugir dos olhos desesperados da mulher, que gritou tão desesperada quanto.
Logo, assim que confirmaram que o marido e a filha estavam realmente mortos, as chamas começaram a diminuir. Não apagar, só diminuir mesmo. Ela voltou para a sala a passos lentos, sem esperança, e observou a casa destruída, sem móveis, sem família, sem pinheiro de Natal...
E assim, as chamas apagaram.
A mulher ao longe pôde ouvir, a mesma música da presente que tentara dar para Emilly. Pop goes the weasel. Ela lentamente virou o rosto a medida que a música tocava. A caixinha estava lá. Intacta, somente com algumas manchas vermelhas, com a pequenina bailarina girando sem nada lhe afetar.
A mulher ficou com os olhos bem abertos, observando-a até dar o último giro.  A bailarina parou de frente para mulher e sorriu.

-De nada.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Algo diferente.

Bem, como já diz o próprio título, a postagem de hoje será um pouco diferente :o3 Vou, meio que, conversar, mesmo sabendo que ninguém vai responder ^w^ Dizer como foi a minha semana e talz.

Well, começando.

Sexta-feira 13 passada, fui no cinema com a Asuka. Assistimos ao Hobbit. Sinceramente, eu adorei aquele filme, mesmo sem ser fã do Senhor dos Anéis e afins. Realmente gostei. Recomendo hardmente! Mas enfim, voltando ao assunto, ela veio com o pai dela me buscar aqui em casa, e de lá fomos direto pra um dos shoppings locais (que não vou falar o nome pq não quero fazer propaganda -w-), deixando-nos lá. Andamos por alguns minutos até a bilheteria, onde ela pagou os nossos ingressos. Acabamos por comprar ingressos pra versão em 3D sem querer >w< Que sorte :o3. Então nós subimos e nem precisamos esperar. Já adentramos na sala quando entregamos os ingressos para o rapaz. Achávamos que ia ser de 2:45 da tarde, mas na verdade, só faltavam dez minutos para que o filme começasse (A realidade é que começava uma hora antes, ou seja, 1:45 -w-). Aí ela ficou lá sentada enquanto eu fui comprar a pipoca. REFRIGERANTE DE 1 MALDITO LITRO. Era enorme ;^; mal coube na minha mão minúscula, e ela ainda bebeu isso quase todo sozinha! Ah, aproveitei e comprei um copinho do Hobbit pra ela também, presente de natal -w-. Depois de esperar que ela visse os créditos até o último minuto (literalmente) saímos da sala e fomos comprar docinhos, logo depois comprar os mangás que ela queria. Acabou que depois de uma meia hora, a mãe dela chegou, paramos num supermercado e depois levaram-me para minha própria casa :o3 Foi um dia bom e diferente pra mim, eu gostei <3.

Sábado - Fiz porcaria nenhuma -w- Ao menos não que eu me lembre :oP

Domingo, 15. Esse foi o (mais ou menos) melhor dia da semana -w- Eu e Asuka fomos ao evento novo (eu acho) chamado Fênix. Demoramos um pouco para ir, e também, quando chegamos, ocorreu ~la ironia -w- Eu tinha visto um rapaz de peruca branca, e, brincando, eu disse "Achei Gabriel" (é um amigo nosso que tem cabelos brancos forrealz), e depois que eu me virei, lá estava o próprio, andando na calçada. Ele não nos ouviu de primeira, mas depois conversamos um pouco e entramos no local. Bem, antes de mais nada pedi/mandei que ela me ajudasse a procurar minha moirail preferida (que não revelarei quem é apesar de ela saber), mas, sem sucesso, fomos ao camarim. Pra minha felicidade, encontrei-me com outra amiga minha, que também estava começando a pôr o seu cosplay.fem! Karkat Vantas, para ser exata. Conversamos enquanto nos trocávamos, já que eu também estava de preparar o meu próprio, Nepeta Leijon (simplesmente a mais perfeita troll fêmea *w*), e ela me emprestou o pancake pra variar -w- Eu tava tão pobre que sequer consegui achar tal coisa :oV Mas enfim, continuando, uma moça, creio eu que a dubladora da Bulma do DBZ, entrou lá junto com uma MuruMuru e nos pediu para terminar de se arrumar no outro camarim, que era o masculino. Cara, o rapaz que tava lá era simplesmente muito fofo *w* Não tava de cosplay nem nada, mas whatevz! Ele era emo! Que cara mais fooofooooo my Deus *Morre*. Depois disso, quando terminamos, um dos outros rapazes ali presentes tirou uma foto de mim e da minha amiga, fazendo a pose que os personagens fariam (Nepeta tentando agarrar Karkat já que ela ama ele -w-) e fomos para fora. Lá, encontramo-nos com o grupo de Homestuck e ficamos andando com eles. Comemos, voltamos e resolvemos andar por aí. Numa dessas andadas, eu e Asuka acabamos por encontrar a Amanda-chan *w* (desculpamaselaépreciosaentãofaloonomedelasimu3u) Meio que, a gente se encarou por uns 5 segundos pra checar se era a gente mesmo e depois nos abraçamos com ~la força do Hulk. Ficamos juntas até que eu e Asuka precisássemos ir embora. Foi triste TT^TT Eu até me casei e fui sequestrada XD Mas...No final de tudo, também foi um dia incompleto. Eu esperava minha moirail lá, mas a mãe dela não deixou ela ir de última hora. Ela ficou triste e eu fiquei triste por não ter ficado do lado dela quando ela precisou de mim :o( Mas, voltando,  depois disso fomos para a casa da avó de Asuka onde jantamos e depois eles me deixaram na minha própria casa novamente -w- Foi um dia bom :o3

Segunda - Pra resumir, fiquei depressiva o dia todo.

Terça - Tive prova de geografia, joguei The Last of Us de novo e vi mais um comentário e favorito na minha história do Nyah! Fanfiction *w* Até agora só isso -w-

Mas bem, foi isso :o3 Espero que essa postagem meio diferente não tenha incomodado muito >w< Sayooonara and kisses :o*

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

My Mind Is Killing Me

                                                        "What is wrong with me?"

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Pequena Cavaleira e sua Preciosa Heroína.

Era uma vez uma pequena cavaleira.
Ela era adorada pela população, aclamada por todos por sua grande força e coragem.
Ela defendia a tudo e a todos, sempre com um sorriso no rosto.
Mas ela não era assim
Não era a verdadeira cavaleira.
.
Na verdade, por mais forte que parecesse,
A pequena cavaleira era frágil e fraca por dentro.
Era como porcelana.
Podia quebrar por qualquer coisinha.
Alguns sabiam disso, e esses mesmos tiraram seus proveitos.
.
Rachaduras nela foram feitas.
Cada uma mais profunda que a outra.
Grande foi tristeza.
Grande foi sua raiva.
Mas a pequena cavaleira era muito fraca para revidar.
.
Um dia, quando ela chorava e chorava,
Alguém a encontrou.
Do nada
Sem aviso.
Era uma moça, como ela, também quebrada por dentro.
.
No início nada falaram, aliás ,quase nada.
Mas com o tempo passando, elas passaram a se ver a se falar,
Cada vez mais.
Até tornarem-se amigas.
.
A pequena cavaleira, aos poucos, ia se consertando, tal como a moça.
Aos seus olhos pequenos e castanhos, ela era como uma princesa.
Alguém precioso que precisava de sua proteção.
Por mil invernos e primaveras ela a protegeu,
Sem de nada se arrepender.
.
Ao menos pensou que sim.
Não sabia o que se passava pela mente da preciosa amiga.
Às vezes ela ficava muito,mas muito triste.
Mas nada lhe contava.
Será que na cavaleira não confiava?
.
Talvez.
.
Mas..
.
A pequena cavaleira não se importava.
Não se importava de maneira alguma.
Aquela moça lhe salvou de mais rachaduras.
Mesmo que algumas ainda tenham sido formadas com a própria...
Muitas outras foram poupadas.
.
A moça lhe protegeu quando a pequena cavaleira estava exposta e desprotegida,
Lhe deu abrigo quando estava sozinha,
Consolou-a quando estava triste.
A moça virara o mundo da pequena cavaleira.
Mas ainda não era suficiente para a pequena.
.
Ela queria mais.
Não de um jeito romântico, claro que não.
Mas algo de uma amizade verdadeira.
Algo sobre uma amizade duradoura.
Amizade Pura.
.
Foi a moça que lhe salvou do vazio.
Que lhe salvou da solidão.
Do sentimento, tão ruim, da tristeza.
Mesmo que ainda tenham suas recaídas, ambas.
Talvez fosse para ser assim.
.
Uma protegendo a outra.
.
Talvez isso não dure para sempre.
Talvez imprevistos e mais imprevistos aconteçam..
E que o belo laço delas fique por um fio.
Mas...
.
Se dependesse da pequena cavaleira,
Jamais tal coisa aconteceria.
Ela amava aquela moça.
A sua heroína.
A heroína de uma cavaleira.
.
A que não a deixou quebrar quando estava na ponta da mesa.
A que conseguiu, de certo modo, a sua confiança, há tanto perdida por tantos outros.
Ela a considerava como uma mãe.
Uma amiga mãe. Uma heroína mãe.
.
Talvez essa moça não gostasse de ser chamada de tal forma,
Mas a pequena cavaleira sempre esquecia.
Ela escrevia e desenhava para ela, pensava nela todas as manhãs,tardes e noites.
É claro, não o tempo todo.
.
Mas em sua mente, seu coração,
A pequena cavaleira sabe.
Que ela se tornou seu bem mais precioso.
Aquela a quem queria para sempre proteger, fazer companhia...
Aquela a quem sempre desejaria a amizade.
.
Alguém...
.
Que pudesse confiar.
E amar.
De uma forma que não fosse estranha.
Que não fosse traída.
.
Talvez não fosse nada especial.
Talvez houvessem outros para ela, mais preciosos até.
Mas por mais que a pequena cavaleira seja ciumenta,
A deixaria livre.
.
Bastava ela pedir.
.
As vezes, quando achava que a deixava com raiva, sentia uma tristeza profunda.
Sentia vontade de fazer coisas que não deveria.
Mas à essa mesma heroína prometera que não iria.
E a cavaleira não quebra as suas promessas.
.
Provavelmente a moça ainda não sabe o quanto ela significa para a cavaleira.
Talvez nunca saiba.
Mas...
.
A pequena cavaleira, que tanto a ama, só deseja a sua felicidade.
Só deseja o sorriso verdadeiro em seu rosto.
Só deseja ver você alegre.
Livre.
Calma.
Voando pelos ares como um livre beija-flor.
.
“Você é muito especial para mim, querida momrail. <>”
-Jackie






segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Meu Primeiro

Ainda nevava.
O pequeno de cabelos prateados, tão mais velho para sua aparência, andava tranqüilo sobre a superfície branca e meio fofa, ainda com a expressão gelada que sempre estava estampada em seu rosto, quase albino. Ele, de vez em quando, olhava para trás e via os passos que haviam ficado marcados em seu caminho.
E então continuava.
Passo após passo.
Mas ele não estava sozinho dessa vez.
De vez em quando, também, olhava para o seu lado direito, onde avistava a figura que dizia ser seu dono desde aquele dia. Do dia em que se conheceram. Flame era seu nome.
Não era lá a pessoa mais educada do mundo, muito menos a mais calma, mas quando estava ao seu lado parecia ser tão, digamos, diferente. Parecia ser tranqüilo e não ter problemas com a própria vida. E os pequenos sorrisos de que vez em quando apareciam no rosto ao retribuir-lhe o olhar agradavam ao pequeno.
Ele andava ao seu lado com uma de suas mãos atada à de Snow, e a outra em seu bolso. Ele parecia estar corado. Nunca havia passeado com alguém antes?
-Algo errado, Flame? – O pequeno perguntou.
-Ah, o quê? – Ele parecia surpreso com a pergunta. – Não, não, estou bem. – Aquele sorriso meio sem jeito sempre deixava o pequeno internamente sorridente.
-Então...Se importaria de me soltar? Eu queria correr um pouco... – Ele disse, desviando o rosto e fazendo um pequeno bico com a boca, fazendo uma expressão de criança brincalhona.
-Como você vai correr aqui, Snow? – Ele disse,num tom irônico.
-Eu sou mais acostumado à neves pesadas do que você pensa. – Ele fez pose, soltando-o e pondo ambas as mãos na cintura. Era raro vê-lo assim, tão “solto”. Era tão calado, este menino.
-Mesmo assim... Não. – Ele o puxou de volta, grudando-o à seu corpo quente, é claro, com a temperatura controlada para não queimar o menor.
-Por quê?
-Porque eu disse não.
-Malvado. – Ele inflou as bochechas, se afastando um pouco dali.
-Sou mesmo. Especialmente quando meu pertence quer sair da minha vista.
-Nyeh.
O maior riu de leve.
-Tá bem. Mas você não vai, exatamente, correr...
-Que quer dizer?
Ele parou de andar por alguns momentos e virou-se para o menor, ficando frente a frente com ele. Logo após ele sorriu ironicamente, abaixando-se e virando-se de costas.
-Vamos, suba.
-Huh?
-Você quer ir rápido ou não?
O menor não respondeu. Meio inseguro, ele segurou-se nas costas do maior e ajeitou-se ali de um modo que ambos ficassem confortáveis. Logo após isso, o maior se levantou e começou a correr pela neve com uma boa velocidade, também com o rosto virado para ver as reações do pequeno.
Ele sorria.
Melhor assim. Gostava de quando ele sorria e se divertia. Parecia tão solitário da primeira vez que o viu...Com aquele olhar gélido e as pinturas macabras que ele fazia...Era claro que ele tinha uma mente vazia, e ao mesmo tempo cheia com solidão e morte. Era bom tirar isso da mente dele, ao menos por alguns instantes.
Ouvir as risadas dele eram a melhor coisa que, em sua vida dupla, poderia ouvir. Sim, possuía uma vida dupla. De dia era normal, indo à escola, metendo-se em confusões e ,desde aquele dia, ficando com Snow. Mas a noite já era outra história...
Mas essa não é uma história que alguém precise saber. Não teria de fazer nada hoje. Então passaria todo o dia com aquele à quem mais dava importância, até então. 
Corria em zigue-zague, linha reta, circulando...Tudo o fazia rir. Ele até lhe pedia para ir mais rápido! E também, se fosse por ele, não se cansaria nunca. Ele tinha um peso pequeno também, então não era lá um problema carregá-lo. Até chegou a rir por si mesmo, satisfazendo-se com os barulhos, tão fofos, que dele ouvia.
Mas é claro que tanta diversão só podia ficar melhor, ou não. No meio do caminho, ele acabou caindo de cara na neve, deixando Snow preocupado e um tanto assustado por ter sido de repente.
-Flame? – Ele perguntou, aproximando-se dele e fazendo certa força para tirá-lo dali.
-Bu! – Flame disse, dando um susto no pequeno, fingindo que antes sentia dor.
-Ah! Não faça isso, crianção! – O pequeno disse, pois havia se preocupado.
-Nyeh, Snow. Farei quando eu quiser. – Ele falou, sem perceber a maneira de tê-lo dito.
-Você também não precisa ser grosso. – O menor cruzou os braços, olhando-o com as sobrancelhas franzidas.
-Eu fui? Ah, desculpa. – Ele se levantou, destacando a grande diferença de altura que ambos tinham.
O menor o olhava de cima, sentindo-se uma criança perto dele.
-Hah, venha logo. – Ele disse, pegando-o pela cintura e pondo-o nos ombros, como geralmente o carregava.
-Por que sempre me carrega assim?
-É mais fácil. – Ele disse. – E também assim tenho garantias que você não escapa de mim.
-Por que eu iria querer escapar de você?
-Não sei.
-Não confia em mim?
-Confio.
-Hm... – O menor, querendo retribuir a brincadeira, resolveu usar o fato de ele estar meio distraído e pular dali, só para que ele o caçasse. Por sorte, acabou caindo são e salvo na neve fofa. – Então venha me pegar, meu dono. – Ele sorriu e começou a correr de novo, com um tom brincalhão em sua voz.
-Huh? Ah, seu pequeno..! – Ele não encontrou alguma palavra para completar, mas correu atrás dele, também brincalhão.
Era pega-pega, não era?
Mas bem, enquanto corria, Snow deparou-se com uma outra figura...Uma moça, para ser exato. Ele parou, observando-a. Ela parecia com sua mãe, apesar de saber que ela não era. Imaginou quem ela seria por alguns momentos, mas ao ouvir e sentir os passos do maior,virou-se e pôs-se a correr mais uma vez.
Flame o perseguia por olhar suas pegadas, não tão profundas, mas visíveis, na neve. Mas ele também se deparou com a moça...E o pior de tudo: Aquela específica! Que droga, o que ela estava fazendo aqui?
Bom, por sorte ela não o viu. Ele saiu andando devagar para não fazer muito barulho, então ela não conseguiria ouvi-lo.  Mas não deu muito certo. A moça se virou e o viu, e não demorou para correr até ele.
-Flame Revzis!! – Ela disse, aproximando-se.
Ela se revelou ser uma garota com longos cabelos negros, pele um pouco clara, mas não tanto,  usando um kimono japonês rosado, com alguns enfeites no cabelo.
-O que faz aqui, Noriya?
-Nada. – Ela disse, sorrindo. – E você?
-Estava ocupado...
-Não me parece que estava... – Ela disse, insistindo.
Enquanto isso, escondido atrás de uma daquelas enormes árvores, Snow ouvia e via tudo, curioso a respeito daquela garota. Ela era, de fato, parecidíssma com sua mãe. Só que sua mãe era albina e um pouco mais alta. Não fosse por isso, juraria que era a mesma.
-Mas estava. Deixe de insistir no que não sabe!
-Argh, continua grosso como sempre, né, seu tapado? – Ela disse, já mostrando os traços de sua verdadeira personalidade.
-Cale-se, vadia.
Ficou muito claro para Snow que eles se detestavam. Sentiu-se um tanto aliviado por não precisar sentir ciúmes dos mesmos à sua frente.
-Vadia é a sua mãe.
-Eu sei!
Ela deu língua para ele.
-Então, quem você estava seguindo?
-Seguindo?
-É. Se você diz que está ocupado, nesta situação, você só poderia estar seguindo alguém.
-O que eu faço e deixo de fazer não te interessa.
-Se não me interessasse eu não perguntaria. – Apesar dela mesma não admitir, e dele não saber, Noriya gostava ‘daquela’ forma de Flame. – Quem seguia?
-Ninguém. Ninguém que te interesse de fato. – Ele disse, com as sobrancelhas franzidas e um olhar de desprezo, logo voltando à andar.
-Argh, você é um idiota, sabia?!
-Quem liga?
-Arrrgh!
Logo ela sumiu de sua vista. Menos mal, poderia voltar a ‘caçar’ Snow em paz. Voltou à seguir os passos que ele deixou, sem demorar a chegar na árvore que ele antes estava. Mas ele não estava mais ali. Para onde poderia ter ido? Olhou para os lados, para frente e para trás.
Nada.
Onde Snow estava? Onde estava seu pequeno?
Ele se preocupou por alguns momentos, mas aí sentiu algo cair encima de si e tapar seus olhos. As mãos, gélidas como as de um cadáver, o denunciavam.
-Achei você, Snow. – Ele disse, pondo as mãos para trás e segurando o corpo pequenino.
-Acho que foi ao contrário. – O pequeno respondeu, sentado ali.
-Vamos agora. Não tens mais escapatória.
Ele riu e respondeu.
-Está certo.
Por fim saíram daquele local, tão gelado, e foram para a rua, em direção à residência de Flame. Pensando bem, era a primeira vez que Snow a veria, então manteve sua curiosidade um tanto quanto contida. Chegando lá, a primeira coisa que fez foi ligar o tão não usado ar-condicionado, só por saber que o pequeno gostava mais de frio do que de calor.
Ora, é claro que sim. Ele controlava a neve,o gelo e tudo relacionado a tais coisas...Mas não importa. Queria conversar certas ‘coisas’ com ele, mesmo que não tenham ficado juntos há tanto tempo assim.  
Pôs ele no chão e começou à falar o que queria.
-Uh...Por que não se s-senta, Snow? Eu queria falar contigo...
-Está bem. – Ele disse, obedecendo-o e sentando no sofá que ali tinha. A casa dele era tão bagunçada...Adoraria por certa ordem ali, mas é claro que ele não aceitaria. Sabia que ele não gostava de coisas muito arrumadas. Bem, ao menos o quarto dele estava, digamos, decente. – Sobre o que gostaria de falar, Flame?
-É que...Uh...
-Hm?
-Calma! Eu estou pensando num jeito de te falar..
-Eu estou calmo.
-Desculpa.
-Hm.. –Ele já estava com a mesma expressão de sempre: vazia.
-É que eu...uh...- Engoliu em seco. – Argh, eu quero fazer...
-Fazer?
-Desculpa, não tenho outro jeito de falar isso... –Ele falou, juntando as letras, logo, então, completando a frase anterior. – Eu quero fazer sexo com você, Snow!
-Oh...- Ele arregalou os olhos e corou um pouco, desviando o olhar. – Isso foi.. uh..Inesperado.
-Eu sei que é muito repentino e tal...Mas... – Ele suspirou. – Faz algum tempo já...Que venho tendo esse tipo de desejo com você.
-Entendo... – Ele continuou sem mudar a expressão, ainda com o olhar e o rosto desviados.
-Então, uh...
-Hm?
-V-Você m-me permite..Ser o seu p-primeiro? – Ele era tão fofo quando estava gago.
-Eu não sei...Estou um tanto, uh... Nervoso. – De fato ele estava. O rosto não havia deixado de corar. Ele estava bem tímido por causa daquele pedido dele. – M-Mas...
-Mas...? – Tentou encorajá-lo a dizer.
-M-Mas...Podemos tentar. – Ele disse, querendo fazer um esforço pelo que se dizia seu dono. Mas também não ia mentir e dizer que não gostava dele...Ele também tinha certa importância, aliás, muita importância para si.
Também sem contar que desde que se conheceram, Snow passou a sorrir de novo. Então por que não recompensar o causador de tanta alegria com prazer? É claro, não iria se vender. Não era nenhum prostituto. Era só...Para deixá-lo feliz... Mesmo que doesse...
-Podemos?? Quer dizer...Tudo bem se você não quiser.
-Não, eu quero. Eu quero..Poder dar a você o que você quer, Flame. – Ele engoliu em seco também, ainda nervoso.
-Snow... - O maior o abraçou, sem ter lá certeza se ele dizia a verdade.-Tem certeza..?
-Tenho. – Ele retribuiu o abraço lentamente, convencendo a si mesmo que o que dissera agora era verdade.
-Então, uh...Se importa se for agora, neste instante? É que eu estou meio ansioso...
-Não, sem problemas.
Flame calou-se por alguns segundos, mas logo passou a aprofundar o abraço que estava lhe dando, pondo menos força e tentando controlar a temperatura de seu corpo, mas a respiração tornava-se cada vez mais pesada e descontrolada, explorando cada canto do pescoço do pequeno à sua frente.
Snow não demorou à abafar os suspiros que a garganta lhe ordenava a fazer.  Ele podia sentir um ar meio possessivo dele agora, já que deu-lhe permissão para tal ato. Um ar meio...Afiado... Não sabia como explicar.
-Não abafe...Snow.. – Ele disse, num tom de voz sensualmente rouco.
-Ah.. Certo, Flame.. – Ele disse, abafando um suspiro pela última vez.
O maior, então, passou a ser mais ousado: Ousou começar a desabotoar alguns dos botões da camisa de Snow, acariciando a macia pele que estava por baixo da mesma, nem tão delicado assim. Parecia desesperado pelo desejo que na hora sentia.
Ele também começou acariciar o tórax do mesmo com certa malícia, usando a boca, ainda em seu pescoço, para dar-lhe leves mordiscadas e lambidas, aproveitando cada som que escapava daqueles lábios pálidos e rosados.
Abaixou-se dali, traçando uma linha do pescoço ao peito com a língua, aproveitando para dar atenção aos dois pontos rosados da área, bem malicioso e desejoso. Parecia querer devorá-lo pouco a pouco, até que finalmente o conseguisse por completo.
Snow achava que se sentiria completamente enojado com suas ações, mas não sentiu-se dessa forma...Pelo contrário, à cada toque que ele lhe dava, só o deixava com uma ansiedade maior e com certa manha. Era uma sensação boa que ali sentia. O rosto queimava em vermelho por estar, a cada segundo, mais exposto.
Ele parecia ser experiente nisso..Então quer dizer que ele não era virgem?
Snow ficou curioso e meio ciumento por não ser o seu primeiro também, mas resolveu ficar calado em relação a isso. Não precisava por esse peso nos ombros do que o fez sorrir. Até perceber que ele abaixara um pouco mais...Para perto de seu short.
-A-Ah...Flame? – Estava claro que estava nervoso.
-Shh... –Ele disse, com a sobrancelha franzida. Ele estava com um ar bem possessivo e até mesmo meio agressivo... Chegou a dar medo.
É claro que se calou depois daquilo, com medo do que ele faria consigo. Talvez devesse ter dito não, mas agora estava feito. Não ia parar no meio de tudo...Queria que ele tivesse o desejo satisfeito. De qualquer maneira possível.
O maior pôs-se a remover as calças do menor de uma maneira lenta, como se quisesse torturá-lo, mas cansado de sua própria demora, simplesmente as jogou dali rapidamente, não demorando para expor o menor por completo. Era belo, aquele corpo quase albino...
Não demorou também para tocá-lo. A perfeição imaculada tendo agora sua pureza retirada... Por ninguém mais ninguém menos que Flame. Era incrível.
Ele pôs os lábios no membro virgem do garoto, começando de imediato a tentar dar-lhe prazer. Passava a língua pela extensão e de vez em quando o colocava por inteiro em sua boca, sem se importar com o quão frio tal coisa era.
O menor estava com os lábios – e a própria voz – trêmulos, e a cabeça erguida. Estava meio esticado também, estranhando essa nova sensação, tão boa ao seu sentido. A respiração confusa o deixava um tanto mais nervoso do que já estava...Por que era tão bom?

----------------------------------------------------------------------------------To Be Continued?

sábado, 23 de novembro de 2013

Thomas' Diary #LastDay

Sábado.
Essa foi a semana: Tediosa e maravilhosa ao mesmo tempo. Que ironia. Que poderia fazer eu, vendo que me diverti e me entediei tanto?
Eu praticamente venci o exército do país e dormi, matei várias e ‘inocentes’ vidas e ri. Os suspiros e sussurros que escuto diariamente só aumentam e aumentam. Esquizofrenia, apesar de tudo, pra mim é uma benção. Algo muito bem dado para mim: Uma doença mental.
Só assim eu poderia ser como eu sou, só assim eu poderia ser Thomas Chase Riverland. O filho de Susan Chase e Joseph Riverland, namorado ou ficante, já que nunca nos pedimos em tal coisa, do Gallahad.... Um assassino pra variar.
Eu poderia trabalhar com isso...Assassinatos... Mas eu não mato por dinheiro, eu mato porque eu gosto. Eu amo. É divertido ver e sentir o sangue jorrando na sua pele, e descendo pela sua garganta. É bom ser um mestiço como eu: um sádico. É ótima a sensação.
Bom, o que me irrita são aqueles gritinhos de ‘por favor não me mate’ que a maioria fala. Prefiro aqueles que fazem desafios para mim ou que correm para salvar suas vidas. Aqueles que param para implorar são muito irritantes e são os primeiros que eu mato. Os que correm, que lutam, que até me ferem são os meus preferidos.
Eu gosto de desafios, gosto de vencer no final. Não de simplesmente matar.
A vítima que eu escolho deve ser alguém que ame a própria vida e que não queira morrer, alguém que eu possa ver a frustração no olhar quando eu arrancar-lhe a cabeça ou algo do tipo. Alguém que tenha vida nos olhos, sendo retirada no momento que a garganta cortada e as cordas vocais dancem junto com o vento. Que elas caiam e que uma pedra caia sobre seus corações por ‘acidente’.
Alguém que tem o batimento cardíaco acelerado, passo rápido, desespero suficiente para matar outros para se salvar. Me diverte. A sua dor me diverte.
E graças a alguém que consegui achar o Gallahad. Eu já estava ficando cansado de tanto tédio e sem ninguém que gostasse de dor por perto. Era um saco ter de matar no final, depois de tanta tortura. Tudo bem que eu gosto e nada posso falar, mas eu queria alguém que me entendesse além dos meus pais.
Que me entendesse e deixasse que eu o machucasse.
É claro que nunca esperei por ele, sempre desejei na verdade, mas nunca esperei. Nunca esperei que, de repente, enquanto eu matava as pessoas da cidade, eu fosse sentir um cheiro diferente do usual. Um cheiro de mestiço, meio vampiro meio lobo.
Me lembro que assim que senti, segui o seu lugar de origem para descobrir o dono do cheiro. É claro que já cheguei atacando também. Ele me segurou com aquelas Gunblades que ele possuía e chamou-me de caçador. Eu ri, ninguém nunca me chamou disso.
Percebi que ele estava morrendo de sede ou algo do tipo, mas que hesitava em matar humanos. Talvez não gostasse do sabor que o sangue deles tem....E de fato, é horrível. Como a minha mãe consegue superar esse gosto? O sangue dela, pra variar, é bom... Mas não é dela que eu estou falando.
Lembro-me também que quando eu me virei para voltar a matança, ouvi ele cair. Levei-o para casa e não me importei de bater a cabeça dele em algumas coisas, para ver se ele acordava. Mas foi só o sofá que salvou-o da inconsciência.
Ele me atacou e tentou sugar o meu sangue! Aquilo era inédito pra mim! Fiquei bem animado, apesar de ter lutado contra ele. No final, ele conseguiu me imobilizar de um jeito e me mordeu quase que imediatamente, com bastante força. Estava, de fato, muito sedento.
Chegou a doer bastante, mas assim que ele se engasgou e se afastou para tossir, aproveitei para me levantar e pegar algo para cobrir a ferida. O cheiro de sangue estava muito forte. Eu também disfarçava um pequeno sorriso, vendo ele lamber as próprias mãos que estavam sujas com o meu sangue por pura sede.
Suspirei e fui tomar banho, e ele finalmente voltava ao normal.
Foi nesse dia também que tivemos o primeiro sadomasoquismo, mesmo que sem-querer querendo. Quem manda ele amassar a rosa dos outros?
De qualquer forma, estou feliz de tê-lo encontrado. Os pedidos por mais que ele faz me deixam cada vez mais apaixonado por ele, mesmo que não da forma que os humanos estão acostumados.
Quero dizer, eu não quero que ele morra nem nada do tipo, mas eu quero feri-lo e ouvi-lo gritar. Eu quero ouvi-lo implorar por mais dor, por mais sangue lhe sujando, por mim. É claro que ele, uma vez, me viu esquizofrênico, mas ele não sabia disso ainda.
Na verdade, ainda não sabe...Não tenho coragem para contar... E se ele me deixar por causa disso? Achar que não sou eu que gosto de feri-lo?
São muitas coisas que quero contar e perguntar, mas não consigo...
Mas enfim.
Essa foi a minha semana, e não tenho mais nada à dizer. Tudo o que fiz é totalmente responsabilidade minha....
Por que não tenta me prender?
Ou me matar?

                                                                                                                              -Thomas

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Thomas' Diary #Day6

Sexta.

Me senti tão poético hoje...

Tão violentamente poético....

Pois ouvi eu a melodia da morte, a mesma que em minha mente tem tal letra, mesmo que contenha a melodia de uma lua. Ouvi e ainda estou ouvindo, os sussurros inacabáveis que as vozes em minha cabeça produzem, dizendo-me o que fazer e o que deixar de fazer...Ouvi a Moonlight Sonata feita por Beethoven...Senti como se eu fosse seu aprendiz.

Sabemos nós que Beethoven não era lá alguém muito educado. Pelo contrário, ele é meu ídolo justamente por isso. Ele era praticamente um troglodita! Mal educado e poeticamente sombrio...Tal como o meu escritor preferido Edgar Allan Poe... Me deram muita inspiração neste dia, tão maravilhoso!

Meu piano, ainda sujo de sangue, serviu para o cenário. Os sobreviventes do exército, trêmulos de medo, serviram como os atores e Gallahad serviu como a platéia. Eu era o diretor... Eu fiz os soldados praticamente torturarem-se...Torturarem seus próprios corpos. Mas é claro que eles eram bem mais leves que eu, sem querer sentir dor.

É claro também que me cansei rápido e andei até eles a passos rápidos, tomando seus pescoços em minhas mãos e comandando-os à se esfaquearem. Ou eu mesmo o faria. E seria bem mais doloroso. Eles até me obedeceram, mas como três estúpidos de novo. Eu arfei algumas vezes por frustração e resolvi logo pegar aqueles cabeças ocas e enfiá-los na porcaria do piano, estourando a cabeça deles com a tampa do mesmo e fazendo o sangue deles jorrar sobre meu rosto, minha roupa, minha pele...

Eu ri como um louco naquela cena, os miolos caindo de um lado para o outro e o sangue a escorrer pelas teclas pretas e brancas do instrumento. A cara que Gallahad fazia que era horrorizada e ao mesmo tempo sorridente me deixava ainda mais animado do que nunca. Eu quis...Eu admito que quis fazer o mesmo com ele por alguns momentos, mas logo eu parei de desejar isso. Eu não queria matar o cara que eu gostava! É claro que não! ARGH.

A loucura é confusa...

De qualquer forma, para me controlar, avisei a ele para subir que depois eu o recompensaria, mas quem disse que ele me obedeceu? Ele, na verdade, desceu e praticamente me ordenou para que eu fizesse o mesmo com ele. É claro que não exatamente a mesma coisa...Ele só queria a dor.

E eu a dei, com muito prazer.

Ver o sangue dele escorrendo e os gritos e os clamores só me deixam excitado e animado, querendo cada vez mais tê-lo só pra mim. Pra minha diversão. Mas aí me lembro que ele tem um corpo frágil...E que se não me controlasse eu o perderia... Parei assim que ele começou a ficar inconsciente.

Carreguei-o nos braços, levando para o banheiro para ter um bom banho, e depois o levei para o quarto, esquecendo-me dos corpos ali presentes e pondo-o na cama. O cobri com certa gentileza, e beijei sua testa, dizendo que o amava em seguida. Que estranho...Eu nunca disse isso na cara dele...
Ele ficou meio corado com isso. Foi bonitinho.


                                                                                                                                                -Thomas