Sábado.
Essa foi a semana: Tediosa e maravilhosa ao mesmo tempo. Que
ironia. Que poderia fazer eu, vendo que me diverti e me entediei tanto?
Eu praticamente venci o exército do país e dormi, matei
várias e ‘inocentes’ vidas e ri. Os suspiros e sussurros que escuto diariamente
só aumentam e aumentam. Esquizofrenia, apesar de tudo, pra mim é uma benção.
Algo muito bem dado para mim: Uma doença mental.
Só assim eu poderia ser como eu sou, só assim eu poderia ser
Thomas Chase Riverland. O filho de Susan Chase e Joseph Riverland, namorado ou
ficante, já que nunca nos pedimos em tal coisa, do Gallahad.... Um assassino
pra variar.
Eu poderia trabalhar com isso...Assassinatos... Mas eu não
mato por dinheiro, eu mato porque eu gosto. Eu amo. É divertido ver e sentir o
sangue jorrando na sua pele, e descendo pela sua garganta. É bom ser um mestiço
como eu: um sádico. É ótima a sensação.
Bom, o que me irrita são aqueles gritinhos de ‘por favor não
me mate’ que a maioria fala. Prefiro aqueles que fazem desafios para mim ou que
correm para salvar suas vidas. Aqueles que param para implorar são muito
irritantes e são os primeiros que eu mato. Os que correm, que lutam, que até me
ferem são os meus preferidos.
Eu gosto de desafios, gosto de vencer no final. Não de
simplesmente matar.
A vítima que eu escolho deve ser alguém que ame a própria
vida e que não queira morrer, alguém que eu possa ver a frustração no olhar
quando eu arrancar-lhe a cabeça ou algo do tipo. Alguém que tenha vida nos
olhos, sendo retirada no momento que a garganta cortada e as cordas vocais
dancem junto com o vento. Que elas caiam e que uma pedra caia sobre seus
corações por ‘acidente’.
Alguém que tem o batimento cardíaco acelerado, passo rápido,
desespero suficiente para matar outros para se salvar. Me diverte. A sua dor me
diverte.
E graças a alguém que consegui achar o Gallahad. Eu já
estava ficando cansado de tanto tédio e sem ninguém que gostasse de dor por
perto. Era um saco ter de matar no final, depois de tanta tortura. Tudo bem que
eu gosto e nada posso falar, mas eu queria alguém que me entendesse além dos
meus pais.
Que me entendesse e deixasse que eu o machucasse.
É claro que nunca esperei por ele, sempre desejei na
verdade, mas nunca esperei. Nunca esperei que, de repente, enquanto eu matava
as pessoas da cidade, eu fosse sentir um cheiro diferente do usual. Um cheiro
de mestiço, meio vampiro meio lobo.
Me lembro que assim que senti, segui o seu lugar de origem
para descobrir o dono do cheiro. É claro que já cheguei atacando também. Ele me
segurou com aquelas Gunblades que ele possuía e chamou-me de caçador. Eu ri,
ninguém nunca me chamou disso.
Percebi que ele estava morrendo de sede ou algo do tipo, mas
que hesitava em matar humanos. Talvez não gostasse do sabor que o sangue deles
tem....E de fato, é horrível. Como a minha mãe consegue superar esse gosto? O
sangue dela, pra variar, é bom... Mas não é dela que eu estou falando.
Lembro-me também que quando eu me virei para voltar a
matança, ouvi ele cair. Levei-o para casa e não me importei de bater a cabeça
dele em algumas coisas, para ver se ele acordava. Mas foi só o sofá que
salvou-o da inconsciência.
Ele me atacou e tentou sugar o meu sangue! Aquilo era inédito
pra mim! Fiquei bem animado, apesar de ter lutado contra ele. No final, ele
conseguiu me imobilizar de um jeito e me mordeu quase que imediatamente, com
bastante força. Estava, de fato, muito sedento.
Chegou a doer bastante, mas assim que ele se engasgou e se
afastou para tossir, aproveitei para me levantar e pegar algo para cobrir a
ferida. O cheiro de sangue estava muito forte. Eu também disfarçava um pequeno
sorriso, vendo ele lamber as próprias mãos que estavam sujas com o meu sangue
por pura sede.
Suspirei e fui tomar banho, e ele finalmente voltava ao
normal.
Foi nesse dia também que tivemos o primeiro sadomasoquismo,
mesmo que sem-querer querendo. Quem manda ele amassar a rosa dos outros?
De qualquer forma, estou feliz de tê-lo encontrado. Os pedidos
por mais que ele faz me deixam cada vez mais apaixonado por ele, mesmo que não
da forma que os humanos estão acostumados.
Quero dizer, eu não quero que ele morra nem nada do tipo,
mas eu quero feri-lo e ouvi-lo gritar. Eu quero ouvi-lo implorar por mais dor,
por mais sangue lhe sujando, por mim. É claro que ele, uma vez, me viu
esquizofrênico, mas ele não sabia disso ainda.
Na verdade, ainda não sabe...Não tenho coragem para
contar... E se ele me deixar por causa disso? Achar que não sou eu que gosto de
feri-lo?
São muitas coisas que quero contar e perguntar, mas não
consigo...
Mas enfim.
Essa foi a minha semana, e não tenho mais nada à dizer. Tudo
o que fiz é totalmente responsabilidade minha....
Por que não tenta me prender?
Ou me matar?
-Thomas
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