Sexta.
Me senti tão poético
hoje...
Tão violentamente
poético....
Pois ouvi eu a melodia
da morte, a mesma que em minha mente tem tal letra, mesmo que contenha a
melodia de uma lua. Ouvi e ainda estou ouvindo, os sussurros inacabáveis que as
vozes em minha cabeça produzem, dizendo-me o que fazer e o que deixar de
fazer...Ouvi a Moonlight Sonata feita
por Beethoven...Senti como se eu
fosse seu aprendiz.
Sabemos nós que Beethoven não era lá alguém muito
educado. Pelo contrário, ele é meu ídolo justamente por isso. Ele era
praticamente um troglodita! Mal educado e poeticamente sombrio...Tal como o meu
escritor preferido Edgar Allan Poe... Me
deram muita inspiração neste dia, tão maravilhoso!
Meu piano, ainda sujo
de sangue, serviu para o cenário. Os sobreviventes do exército, trêmulos de
medo, serviram como os atores e Gallahad serviu como a platéia. Eu era o
diretor... Eu fiz os soldados praticamente torturarem-se...Torturarem seus
próprios corpos. Mas é claro que eles eram bem mais leves que eu, sem querer
sentir dor.
É claro também que me
cansei rápido e andei até eles a passos rápidos, tomando seus pescoços em
minhas mãos e comandando-os à se esfaquearem. Ou eu mesmo o faria. E seria bem
mais doloroso. Eles até me obedeceram, mas como três estúpidos de novo. Eu
arfei algumas vezes por frustração e resolvi logo pegar aqueles cabeças ocas e
enfiá-los na porcaria do piano, estourando a cabeça deles com a tampa do mesmo
e fazendo o sangue deles jorrar sobre meu rosto, minha roupa, minha pele...
Eu ri como um louco
naquela cena, os miolos caindo de um lado para o outro e o sangue a escorrer
pelas teclas pretas e brancas do instrumento. A cara que Gallahad fazia que era
horrorizada e ao mesmo tempo sorridente me deixava ainda mais animado do que
nunca. Eu quis...Eu admito que quis fazer o mesmo com ele por alguns momentos,
mas logo eu parei de desejar isso. Eu não queria matar o cara que eu gostava! É
claro que não! ARGH.
A loucura é confusa...
De qualquer forma,
para me controlar, avisei a ele para subir que depois eu o recompensaria, mas
quem disse que ele me obedeceu? Ele, na verdade, desceu e praticamente me
ordenou para que eu fizesse o mesmo com ele. É claro que não exatamente a mesma
coisa...Ele só queria a dor.
E eu a dei, com muito
prazer.
Ver o sangue dele
escorrendo e os gritos e os clamores só me deixam excitado e animado, querendo
cada vez mais tê-lo só pra mim. Pra minha diversão. Mas aí me lembro que ele
tem um corpo frágil...E que se não me controlasse eu o perderia... Parei assim
que ele começou a ficar inconsciente.
Carreguei-o nos
braços, levando para o banheiro para ter um bom banho, e depois o levei para o
quarto, esquecendo-me dos corpos ali presentes e pondo-o na cama. O cobri com
certa gentileza, e beijei sua testa, dizendo que o amava em seguida. Que
estranho...Eu nunca disse isso na cara dele...
Ele ficou meio corado
com isso. Foi bonitinho.
-Thomas
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