Era de noite.
.
A menina que andava
só pela rua não sabia o que a esperava
Não sabia ela o que a
aguardava.
Ela andava pelos
caminhos escuros da rua.
Mas ia acabar nos
braços da verdade nua e crua.
.
Ela vestia um casaco
vermelho
Uma roupa bem
chamativa na verdade.
Mas o que ela faria,
Se descobrisse a
cruel beldade?
.
Havia outra moça.
Também muito bela,
Que a observava
Desejando algo dela
.
Talvez sua beleza um
pouco maior.
Talvez seu casaco
muito melhor.
Talvez a conhecesse
de muito tempo atrás.
Alguma coisa que não
se acabou mais.
.
Deixou que a moça
avermelhada passasse
E a seguiu sem ser percebida.
Quando a moça
avermelhada deu um impasse,
A outra aproveitou
para que fosse recebida.
.
“Calma, senhorita, o
que foi que aconteceu?
Tão aflita você
parece, pelo amor, quem morreu?”
“Meu amor, doce
senhorita. Meu doce amor agora morto está.
Terei que seguir meus
passos, sem ninguém pra me agradar”
.
“Oh, minha querida, vim aqui lhe ajudar.
Conte-me sua
história, e assim seu problema farei passar.”
“Doce senhorita, nada
resolverá;
Pois eu já amei à
quem deveria amar.”
.
“Oh, moça de vermelho,
A quem tanto me
assemelho,
Não agora me
reconhecerá?
Senão tua morte
haverá.”
.
A bela moça
avermelhada,
Assustada por sinal,
Pôs-se numa correria,
Chegando até o
quintal.
.
Não a ouviu
seguindo-lhe,
De alívio suspirou.
Mas bastou que
olhasse pra frente,
Para que levantasse
um pequeno vôo.
.
Viu-se caída no chão,
Sentindo um líquido
se espalhar,
Depois viu sua
barriga cortada,
E o sangue a lhe
sujar.
.
Sem nada mais
conseguir ver,
Dá um último grito,
Mas esse foi
silencioso,
Pois o silêncio é
arisco.
.
A beldade moça que
pretendia ajudar
Calou-a com uma das
mãos,
Que não se importava
de sujar,
Arrancando o coração
da bela moça que estava no chão.
.
A moça avermelhada
ainda se contorceu,
Pois jamais sentira
dor tão terrível,
Enquanto ela tentava
falar ‘eu’,
A beldade apenas se
transformava numa velha horrível.
.
O negro tomou seus
olhos,
Nada mais podia ver,
Agora só a escuridão,
Poderia guiar seu
ser.
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