sábado, 21 de setembro de 2013

Amnesia: A Machine for Pigs.

“Eu vejo o deus que criei morrer”.
Mandus.
Eu fecho o vídeo. Procuro por sua trilha sonora em outros lugares. Assim que ouço o som dos violinos,das teclas do piano, e a bela voz da Soprano que cantava, uma parte de mim morria. Uma máquina, feita para mudar o mundo, feita para impedir que algo terrível acontecesse; impedir que mais sangue se derramasse e que mais vidas inocentes fossem perdidas.
Os órfãos. Os mendigos. As prostitutas. Aqueles que constroem essa sociedade, por mais que não saibamos como. Somos todos porcos...Todos hipócritas. Nenhum de nós realmente sabe qual é o verdadeiro sofrimento. Por piores que sejam as dores sentidas, nenhuma se compara com a real. Nenhuma se compara com o real sofrimento.
Uma visão que antes fora vista. Uma visão que inspirou a criação deste deus morto. A visão do tormento e da morte. A visão que não mudaria nada. A máquina foi feita. Foi feita para oprimir o mundo com sangue antes. Antes que o novo século destruísse as vidas dos inocentes.
O homem não pôde ver o que estava criando, até que seu próprio sangue fosse sacrificado. Suas próprias crianças. Sua própria razão de viver. Ele nada lembrava. Ele de nada se arrependia. Até que a Máquina os levasse para longe. Até que a Máquina, de um jeito, abrisse seus olhos.
A máquina foi feita.
A máquina foi feita para que as criaturas se alimentassem de sua própria carne. Para que os porcos saboreassem o seu próprio sabor. Para que sentissem o gosto do mesmo sangue que derramariam. Para que sentissem o sofrimento daqueles que sofrem.  Para sentirem-se arrancando os próprios corações.
O homem agora vê a imundice que havia criado. Vê a histórica e terrível máquina que saiu de sua própria razão. Mas ele continua sem acreditar. Tantos anos criando a máquina perfeita. O deus morto. Vê os corpos boiando nos lagos de sangue. Vê corações e outros órgãos arrancados jogados pelo caminho.
Vê alavancas,vê luzes,vê botões. Vê velas, vê válvulas, vê portas trancadas, vê janelas abertas. Vê suas malditas criações andando pela cidade, destruindo a tudo que encontram. Vê o coração de seu deus morto, segurado por múltiplas lâminas que não perfuram.
No fim, no definitivo fim, ele sobe pelas quase inacabáveis escadas, ouvindo as últimas súplicas de sua própria máquina para que não a destrua. A voz de um deus morto, a voz de alguém que não existe.  Ele chega ao fim de sua jornada. Vê o seu trono de sangue à sua frente. Anda como um cadáver até ele. Senta-se. Aperta o último botão.
E sente a dor de ter seu próprio coração arrancado. Ele agora ouve apenas o silêncio. O silêncio que não era acostumado a presenciar, e vê as luzes, todas elas, a se apagar.

Ele vê o novo século nascer.

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