terça-feira, 12 de novembro de 2013

Encontro Inesperado (II)

-Como? – Ambos os dois mestiços disseram ao mesmo tempo.
-Vocês ouviram. Qual dos dois é o sádico esquizofrênico?
-E o que acontece se não respondermos? – Thomas ficou com as sobrancelhas franzidas, encarando-o fixamente, tentando adivinhar o que se passava em sua mente.
-Ambos morrem.
Thomas começou a rir de repente, lembrando-se da mãe ali. Mas não era dependente dela. Havia matado muitos outros vampiros. É claro que sabia lutar por si mesmo.
-Hah. Isso foi engraçado, Wladimir.
-Eu estou rindo por acaso, Riverland? – Ele pegou uma lâmina que estava jogada por ali e apontou para o pescoço do ruivo. – Me digam logo.
-Acha que isso me assusta? – Thomas respondeu. – Vá em frente. Mate-me e nunca saiba a resposta.
O mestiço nada fez ou disse enquanto os dois discutiam de leve, mas notou que o acompanhante de Wladimir, como se chamava..? Ah, Aiden, observava-o. Parecia estar olhando cada mínimo detalhe de seu corpo com as sobrancelhas franzidas. Como não era lá alguém muito educado, logo disse:
-Que está olhando?
Aiden recuou um pouco, um pouco assustado pelo seu olhar, mas logo ambos ouviram os dois ativos discutirem mais uma vez.
-Sim, eu acho. Você nunca teria força suficiente, passivo de merda.
-Passivo? – Ele fez uma cara bem confusa e depois riu. Riu como uma criança, na verdade acabou virando uma gargalhada. – Passivo?! Eu? Faça-me o favor.
Até mesmo Gallahad riu com essa. Podia até ser um pouquinho de nada mais alto, mas nunca seria o ativo daquela reação. Nem se quisesse. Sabia que era bem submisso a ele, e também sabia que era bem manhoso. Até chegou a tapar a boca com risinhos mais leves. Mas o olhar sarcástico indicava bem que Thomas estava certo.
-Huh? Como? – Vincent agora estava confuso. – Você é o ativo?
-Algum problema com isso? – Segurou a mão dele que se encontrava em seu pescoço com a sua própria, fazendo certa força.
-Humpf. – Bufou o loiro, fazendo a mesma força para tirar a mão dali. – Acrescentaria que é o sádico esquizofrênico?
-Sim.
Vincent não achava isso sensato. Como podia? Bom, não o conhecia há tempos, então não devia tê-lo julgado tão cedo. É claro que não acreditou de primeira, mas ao mesmo tempo pôde ver os olhos rubros que ele tinha. Eram ameaçadores, de fato. Mas não a ponto de fazê-lo recuar. Nem um pouquinho.
-Vai me soltar ou não, meio humano?
Thomas franziu as sobrancelhas um pouco mais. Odiava ser lembrado de sua parte humana, mesmo que algumas vezes seu próprio corpo faça isso. Como certa vingança, resolveu apertar mais o pulso dele, encravando as garras de leve. É claro que não era tão tolo a ponto de soltá-lo.
-Ah, então você quer jogar sujo, hein? – Disse o Wladimir, puxando-se e provando que tinha um pouco mais de força do que ele.
Viu em seguida os pequenos furos que o pulso tinha, só de o ruivo ter encostado as unhas ali. Pelo visto eram bem afiadas mesmo. Imaginava como ele as afiava, sem nem ao menos imaginar que o seu passivo era o objeto escolhido para tal. Bem, não iria perder para seu olhar. Também podia ser ameaçador quando queria.
E era nesses momentos que a porta novamente era batida. A ótima audição de Joseph os denunciou.
-Vincent! Abra a porta! – Dizia Walter, com certo tom de voz.
-O quê? Como foi que ele...? – Ficou confuso.
Thomas fez um sinal. Usou uma das mãos para apontar para uma das orelhas, dizendo que alguém de sua família tinha ouvido, sem revelar quem era, é claro. Ficou com certa cara de sarcasmo ao vê-lo frustrado. Mas surpreendeu-se ao ter a boca tapada e o corpo puxado. Aiden e Gallahad também surpreenderam-se,e o mestiço tentou tirar SEU Thomas dos braços daquele loiro imbecil, mas foi pego num ponto sensível por Aiden, e acabou por desmaiar.
Afinal de contas, Aiden era um lobo. Ele sabia os pontos fracos de outros lobos. Thomas, como estava consciente, viu tudo e ficou um tanto mais agressivo, mordendo a mão que lhe tapava com força e lançando-o contra o chão com as costas, indo em direção à Aiden, preparado para atacá-lo, mas Vincent o segurou novamente, deixando-o imóvel.
-Me solte, vampiro inútil! – Ele se empurrava para frente, tentando se libertar de suas mãos firmes.
-Não. Não antes de meus experimentos, Thomie. – Chamou-o pelo apelido só para provocar, dando um sorriso malicioso.
Aiden o via segurá-lo e também via o corpo caído, mas vivo, de Gallahad no chão, sem saber o que fazer.
-Que está esperando, Aiden? Me ajude!
-Ah, sim, claro. Desculpe! – Logo o lobo foi até os dois empurrando Thomas para trás.
Mas foi bem nesse momento que a porta foi arrombada e os pais entraram.
-Vincent!! – Gritou Walter, bem imperativo, chegando a dar um susto em todos ali presentes.
-O quê?! –Ele retrucou.
-Já disse que não era para sequer tocá-lo! –Andou até ele com passos fortes e tirou sua mão da pele do ruivo, fazendo o mesmo com Aiden.
Usou tanta força que os derrubou no chão. Ele parecia com raiva mesmo. Khristina chegou logo depois, também com aquele olhar de zangada no rosto. Susan, é claro, foi a última a chegar e a mais agressiva a ficar. Só não arrancava a cabeça daquele moleque por ser filho de sua amiga.
-Como ousou? – Susan disse, praticamente agarrando Thomas e chiando para Vincent como um gato.
Joseph foi único que foi direto para Gallahad, carregando-o nas costas. Cara, ele era pesado. Mas conseguia ficar levantado com ele se não fizesse muito esforço, olhando todos com aquela sua típica cara séria. Susan chegava a ficar engraçada contando com o jeito que ela “acariciava” os cabelos de Thomas. Parecia mais um daqueles “Bullies” bagunçando o cabelo das vítimas.
-Mee desculpe, Susan. – Khristina disse, desculpando-se pelo filho. – Nós tínhamos avisado à eele, mas ele é muito teimoso! – Só não deu-lhe um cascudo por seu vestido servir de camisa de força também, então olhou para Walter, transmitindo seu desejo e ele o fez.
-Está tudo bem com vocês dois, Khristina. –Ela ainda encarava Vincent com os olhos semicerrados.
-Não respiro, mãe.
-Quieto, Thomas.
Vincent se levantou, mesmo tendo o braço segurado pelo pai, e bufou, tirando o braço dali, correspondendo ao olhar agressivo de Susan e respondendo a sua pergunta.
-Ousando.
-Huh? – Agora ela fez uma boa cara de raiva. Ele estava provocando.
-Vincent, que parte de pare você não entendeu? – Disse Walter, agora pegando-o pelos dois braços e os cruzando nas costas, usando certa força para imobilizá-lo. – Fique quieto.
Vincent não ousou desafiar o pai. Sabia o quão mais forte ele era, tal como sua mãe. E também subestimava Susan e sua família. De fato, Thomas era mais forte do que pensava e não tinha ideia de que Susan era meio agressiva,mesmo com aquela personalidade forte que ela aparentava ter. Só não sabia nada mesmo de Joseph. Ele era um mistério completo.
Khristina suspirou, achando que a visita tinha sido um fracasso. Tudo bem que eles passariam uns nove dias por lá, mas só pelo primeiro dia ficou pessimista, sem ter ideia do que aconteceriam nos próximos oito.
-Me desculpem... – Ela disse, cabisbaixa e desviando o olhar.
Susan olhou para ela com pena, deixando Thomas por um minuto e indo abraçá-la.
-Não tem problema, Khristina. Vou garantir que eles se dêem bem esses dias. Certo, meninos? – Ela olhou para os dois com uma cara de ‘Mato vocês se não me obedecerem’. Ou seja, uma cara bem ameaçadora.
-Uh, claro, claro! – Vincent disse,percebendo sua ameaça e achando que ela era bem assustadora para uma humana. - “Calma, calma,calma... Você vai fazer as experiências nele, Vincent. Não se preocupe.” – Pensou.
E Thomas respondeu com o olhar virado para o lado, mexendo a cabeça positivamente com certa hesitação.
-Então estamos todos combinados! – Khristina disse, com um sorriso no rosto. – Até os próximos dias vocês dois serão bem amigos.
“Duvido muito.” –Thomas pensou, encarando-o e tendo o olhar devolvido.
Bem, depois de ter o ‘problema’ resolvido, todos se levantaram e foram aos seus devidos quartos. Vincent e Aiden, Thomas e Gallahad, Susan e Joseph, Walter e Khristina. Os casais todos trancaram as portas, exceto os adultos, que continham todas as chaves, e dormiram. Bom, um deles não.
Como Gallahad havia praticamente dormido durante todo o ocorrido, acordou no meio da manhã/madrugada por instinto.
-Hã, o quê? Como? Quando? Por quê? – Ele parecia bem confuso. Primeiro estava num lugar e agora estava em outro? Que estranho.
De qualquer forma, ao olhar para o lado e ver o amado a dormir, sabia que o problema tinha sido, como dizer, resolvido, mesmo que tivesse lá suas dúvidas. É claro que não deixaria que o tocassem mais uma vez, então ficou em alerta por certos momentos. Até perceber que Thomas suava frio e tremia.
Suava frio e tremia muito mesmo. Estava até quase chorando. Será que estava tendo um ataque de esquizofrenia só que inconscientemente? Fez uma expressão preocupada, cutucando-o algumas vezes para acordá-lo.
-Ei...Ei, Thomas...
O ruivo não acordou, fazendo uma expressão de assustado, tapando os ouvidos e começando a dizer repetidamente a palavra “Pare”. Gallahad percebeu que a situação estava grave e puxou-o logo de uma vez, abraçando-o e fazendo-o acordar daquele pesadelo.
-Ah..! –Ele acordou com um grunhido. Quando deu por si estava abraçado com ele.
-Shh...-Ele fez carinho em sua cabeça, pondo-o de volta para dormir lentamente, acompanhando-o no sono, murmurando algo sobre protegê-lo daqueles imbecis chamados de Wladimir.
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Encontro Inesperado

-Mãe, perguntarei eu mais uma vez. – Disse o ruivinho, um tanto confuso e raivoso. – POR QUE BULHUFAS NÓS VAMOS PRA RÚSSIA?
-E eu vou lhe responder mais uma vez. – Disse a ruiva maior, autoritária e já um pouco mal-humorada. – PORQUE ALGUNS AMIGOS DA FAMÍLIA DO SEU PAI NOS CONVIDARAM!
Os dois ruivos imperativos discutiam no meio da sala, com as vozes marcantes e altas. Joseph e Gallahad estavam apenas ali, esperando que eles acabassem. Gallahad, apesar de tudo, já estava ficando impaciente.
-Eles fazem isso sempre?
-Uhum. – Joseph respondeu, sem demora, com um tampão especial para ouvidos.
-Você me ouviu?
-Uhum. – É claro que não.
-Argh. – O mestiço cruzou os braços, inflando as bochechas e esperando o tempo passar, ouvindo aqueles dois gritando um com o outro.
Era irritante até, mas algumas vezes chegava a ser engraçado. Bem, no final, como sempre, Susan acabou ganhando. É claro. Hierarquia, queridos. Thomas saiu de perto dela, murmurando algumas coisas com aquele biquinho que ele fazia quando estava irritado, sentando-se no sofá perto de Gallahad e de seu pai.
Joseph, percebendo que a discussão acabara, tirou os tampões, dando um sorriso meio torto e indo em direção à Susan, falando outras coisas. Thomas pensou ter escutado algo como: “Os Wladimir tem tendência a ser como Thomas: meio violentos e sádicos...” Ou algo do tipo. Bem não se importou na hora. Desde que nenhum deles encostasse um dedo em qualquer um daqueles três não se importaria.
O mestiço, que não era lá despercebido, olhou bem a cara fofa de frustração do ruivo, não demorando a puxar seu bico e as bochechas, com um sorriso sarcástico estampado no rosto pálido. É claro que também deliciou-se ao ver o rosto de Thomas corar, sem ter esperado por tais atitudes. Chegou a rir de leve.
-P-Pare com isso. – Ele disse, gaguejando.
-Haha, nunca. Vou fazer você sofrer até você morrer. – Ele riu, irônico.
-Nyyyeh. – Ele fez uma careta agora, virando o rosto para o outro lado. Parecia uma criança nessas horas.
O mestiço riu novamente, puxando-o para perto e roubando-lhe um beijo indiscreto.
-Pare de agir como criança, idiota. –Ele sorriu sarcástico de novo.
-Criança? –Thomas fez uma cara de reprovação.
-Sim. Uma criancinha. – O mestiço provocou. – Bem pequenininha com os bochechões grudados na cara. Ah, e uma língua puxável também.
-Nyeeeh! Deixe minhas bochechas/língua/bico em paz! – Ele tapou as bochechas, pondo os lábios para dentro da boca.
-Nem pense nisso. Ainda tem o seu pescoço.
-Hm?? – Já que não podia falar, arregalou os olhos de leve e franziu as sobrancelhas finas. Ele queria sangue agora?
-É sim. Eu tô com sede. – Ele disse, sem sequer esperar para que ele se preparasse.
Mordeu-o sem muita pena, sem também se importar de sujar os próprios lábios do vermelho corrente que escapava de sua pele branca e meio rosada. Ele também não demorou para tirar todas as “proteções” suspirando de leve enquanto deixava-o sugar seus nutrientes, deixando que ele lhe roubasse o líquido vermelho.
-Maldito... – Thomas disse, ficando meio fraco. Ele sempre tomava sangue demais.
O mestiço apenas sorriu e apertou mais a ferida, só para fazer doer e ouvir grunhidos de dor vindos da garganta dele, que de fato vieram sem pressa. Ele sabia lidar bem com a dor, apesar de tudo. Que agradável surpresa. Bem, não ia matá-lo. Tirou as presas dali, enxugando a boca com uma das mãos, sem se importar de sujar as mangas do casaco.
-Já acabou? Ou só parou pra respirar? –O ruivo disse, pondo a mão na ferida para doer menos.
-Talvez um, talvez outro.  – Puxou Thomas e beijou-o novamente. – Idiota.
Deu língua para o mestiço, mesmo sabendo que ele a puxaria. E de fato.
-Você quer parar de puxar a porcaria da língua?
Ele respondeu aos risos.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, e na residência dos Wladimir....
-Quem?
-Os Riverland, Vincent. Éramos amigos próximos deles. Bem, continuamos sendo.
-E o quê? Nós vamos viajar até a porcaria do outro lado do mundo?
-Não.
-Bom. Eu não vou deixar Aiden aqui sozinho.
-Tecnicamenteee ele não estaria sozinho, fiilho. – Disse Khristina, observando o filho.
-Eu sei, mamãe. Mas a senhora entendeu o que eu quis dizer.
-Hm, Vincent. – Disse Walter, levantando-se e andando até ele. – Não se preocupe. Eles tem um filho também. Se não me engano, o nome deles é Thomas.
-Thomas? Pouco me importa.
Walter riu. Ele sabia da situação de Thomas.
-O que tem tanta graça?
-Será mesmo que você diria isso depois de saber que: Primeiro: Ele é esquizofrênico?
Como Vincent estava de olhos fechados, ao ouvir a palavra pronunciada pelo pai, não demorou a entreabrir um deles.
-Como?
-E tem mais: Esquizofrênico e sádico.
Ele abriu os dois olhos repentinamente, criando um súbito interesse pelo tal “Thomas”. Talvez pudesse fazer experiências nele, mas logo seu prazer foi cortado com a frase de sua mãe.
-Nããão ouse fazer mal à ele, Viiince. A Susan é beem mal-humorada quando se trata do filho deeela. –Girou algumas vezes, como se estivesse brincando de ciranda-cirandinha.
-Droga..! – Ele disse, cerrando um único punho. – Eu quero fazer experiências nele!
-Talvez, numa possibilidade mútua, você consiga permissão do próprio e da mãe para tal. – Walter respondeu-lhe, irônico.
-Vou ao menos tentar. Vai ser divertido ter um esquizofrênico...
-Vincent? – Disse Aiden, que ouvira a conversa. Pequena parte, mas ouviu.
-Ah? Oi, Aiden. – Ele disse andando até o seu lobo preferido. – Acordou agora?
-Tipo isso... –Não tardou a segurar em uma das pernas de Vincent, como fazia sempre.
-Aiden, o que ouviu da conversa?
-Que...Pessoas novas iriam vir.... E que você queria usar um deles em suas experiências, Vincent. – Ele estava com ciúmes. Que fofo.
-Ah, não se preocupe, Aiden. – Ele disse, acocorando-se à sua altura e segurando seu queixo. – Você é o meu preferido.
Aiden ainda ficou com um pouco de nada de ciúmes, mas não demonstrou.
-Sim, Vincent.
-Bem, pai. Quando eles chegam?
-Devem chegar pela meia noite.
-Daqui a seis horas apenas? De um vôo de lá para cá?
-Sim. Esses jatos de hoje em dia estão cada vez mais rápidos.
-Hm...
Bem, como não havia mais nada o que fazer por ali, Vincent resolveu se retirar, junto com Aiden, para o seu laboratório, onde passaram o resto de tempo que tinham antes das visitas chegarem.

Finalmente chegando à Moscou, Susan tremia de frio, Thomas também, mas menos do que ela. É claro. Eram os únicos meio e totalmente humanos ali. Joseph nada podia fazer para ajudar, vendo que seu corpo era frio. Só fez por um cobertor nela enquanto Thomas passou a andar junto à Gallahad.
-V-Você não sente frio? – Ele perguntou, o olhando com uma cara confusa.
-Eu sou meio lobo. Acha mesmo que tenho frio?
-Vendo o quanto eu te machuco eu diria que sim. Pelo menos internamente. – Disse, provocando-o ao tocar em suas feridas recentes.
-Maldito.  – Franziu as sobrancelhas.
-Paaaaaaai  - Ele disse, com um tom de voz meio fino para a idade dele. Parecia estar imitando uma criança. – Falta muito pra chegar?
-Só mais uns dez passos. – Ele respondeu, contando exatamente quantos passos faltavam.
É nessas horas que agradecia por ter sido bom na matéria que mais odiava quando era pequeno. Bem, contados os passos, lá estava. A grande mansão vermelho-escura. Deu um suspiro antes de entrar ali, tocando na porta algumas vezes para chamá-los até a mesma.
Não demorou para que abrissem a porta. Era Walter.
-Joseph! Susan! Vejam só como estão! – Ele disse, abraçando os dois por educação.
-Como vai, Walter? – Disse Susan, educada, abraçando-o de volta.
Joseph fez o mesmo, agora não disse palavra alguma.
-Ah, esses devem ser os seus filhos...? Mas eu achava que era só um.
-Ah, sim é apenas um. O Gallahad é o namorado dele, ou algo do tipo. – Susan falava disso tão abertamente. Mas é claro que ela sabia que Walter não ligava para essas coisas.
-Uh...
-Qual dos dois é o Thomas?
-Sou eu. – Disse o ruivo, olhando para o alto homem que se encontrava na sua frente. Era tão, uh, clássico? Não sabia a palavra certa.
-E você deve ser o, uh, Gallahad...? –Ele olhou para o mestiço, notando seu cheiro diferente dos demais e o tapa olho embaixo de seus cabelos arroxeados.
-S-Sim. – Ele respondeu, sem fazer muita cerimônia.
-Bem, vamos, entrem. – Ele os convidou para entrar, e o fizeram sem muita demora.
-Com licença. – Susan disse, mas logo um enorme sorriso se formou em seu rosto ao ver a velha amiga Khristina.
-SUUUUSAAAAAAAAAN! – Khristina disse, correndo até ela e pulando encima da mesma, também com saudades. – QUANTO TEMPO, MULHER! VENHA NOS VISITAR MAIS VEZES!
-Money que é good nós não have. – Ela brincou, fazendo a outra mulher rir.
Ambas se levantaram, cumprimentando uma a outra, abraçando-se e dando risadinhas em seguida. Não demoraram para se afastar e começarem a conversar aquele, uh, papinho de mulher, como os homens ali presentes chamavam.
Joseph começou a conversar com Walter enquanto Thomas e Gallahad se encontravam sem nada o que fazer. Não iam desrespeitá-los. Estavam na casa de outra pessoa, nem daria para se ‘pegarem’ como dizem os jovens de hoje em dia. Suspiraram e procuraram por um lugar confortável para se aconchegarem.
-Aaaaah, queriido? – Disse Khristina, notando a ausência de Vincent e Aiden.
-Sim, Khristina?
-Não acha que está faltando alguééééém? – Ela olhou diretamente para a porta do laboratório do filho.
-Ah sim. Só um momento, Joseph.
-Claro.
Walter levantou-se, indo em direção à porta e batendo na mesma com certa força, já que Vincent não dava a senha para ninguém. Nem mesmo para Aiden.
-Vincent!! Eles já estão aqui, seu desavisado!
-Tá, tá, estamos saindo! – Ele respondeu, não tardando a aparecer.
Viu as figuras estranhas...
Um homem alto, moreno de moicano. Era um vampiro também. Uma mulher um pouco mais baixa, ruiva, com cara de idiota e, argh, humana. Logo depois achou-se interessado naqueles outros dois sentados no sofá...
Qual deles seria o esquizofrênico?
O que era meio humano ou o que era meio lobo?
Fez uma cara pensativa, mas logo o seu pai lhe empurrou para apresentá-lo às visitas.
-Susan,Joseph,Thomas e Gallahad, esse é o meu filho, Vincent. Achei melhor apresentá-lo a todos de uma vez porque assim fica mais fácil. Ah, e esse ao seu lado é Aiden.
Assim que Walter terminou de falar, largou o filho ali, indo de novo em direção a Joseph. Vincent ficou ali observando os dois rapazes sentados, que devolviam o olhar.
“O que esse cara quer com a gente? Para de encarar.”
“Qual deles era o esquizofrênico sádico?”
Vincent e Aiden aproximaram-se dos outros dois, cumprimentando-os.
-Bem, como devem ter percebido, somos Vincent e Aiden. Mas ainda não sei quem são.
-Eu sou Thomas.
-Gallahad.
-O que exatamente vieram fazer aqui?
-Não sei. Foi ideia da minha mãe.
-Hm... – Vincent deu uma boa olhada no ruivo, notando que ele era pequeno e ‘fofinho’. De jeito nenhum ele seria o sádico esquizofrênico. Ou o ativo da relação. Resolveu fazer graça com ele, como fazia com outros menores que si. – Você é baixinho, Thomie.
-Cuma? –Ele disse, franzindo as sobrancelhas e encarando-o.
-Baixinho.
-Ei. – Gallahad disse, chamando a atenção dos dois. – Só eu chamo ele de baixinho.
-Não, nem você! – Thomas disse, avermelhado.
-Baixinho,baixinho,baixinho! – O mestiço disse, provocando-o.
-Ah é?
-É.
-Tomate.
-HUH? – Lembrou-se do dia em que foi chamado desta repugnância pela primeira vez.
-Toooooomaaaaaateeeeee – Disse, como se estivesse ensinando-o como dizer a tal palavra.
Vincent e Aiden chegaram a rir da situação.
-Gostei de vocês dois. São interessantes. – Disse Vincent, olhando para Aiden em seguida. – Não acha?
-É-É claro, Vincent.
-Ei, vocês querem ver o meu laboratório? – Ele perguntou. Estava tão decidido a encontrar o sádico que até mostraria seu depósito de sangue para eles, sem se importar de que estivessem com sede ou não.
-Laboratório?
-Sim. Faço experiências, vamos dizer, com sangue lá.
Thomas foi o primeiro a se interessar.
-Com sangue? Que quer dizer?
-Vamos lá que eu lhe mostro.
Os dois resolveram acompanhá-los indo até a grande porta de metal. Os pais dos dois ativos não pareciam se incomodar com aquilo. Ainda. Assim que entrou, o ruivo encantou-se com tamanha ‘beleza.’ Sim, seu conceito de beleza era perturbado. Ao menos um pouco.  Gritos e clamores por liberdade, choros, maldições pronunciadas, grunhidos e gemidos. Haviam até animais e humanos taxidermizados ali! Era o laboratório perfeito! Simplesmente isso!
Vincent não notou de primeira a reação de Thomas. Apenas viu-o animando-se milésimos depois, arregalando os olhos de leve. Bom, talvez ele fosse um passivo masoquista também. Nunca se sabe, não é? Mas bem. Continuaram os quatro a andar. Vincent mostrava os caminhos e nomeava cada cobaia pela qual passavam, mostrando-lhes com certo orgulho.
-Ah, essa é a cela de Aiden.
-Aiden é um de seus experimentos?
-Meu preferido. – Ele respondeu, acariciando o pescoço fino de Aiden e seu rosto também.
Thomas deu um sorriso ao ouvir sua frase, ainda sem entender muito o porquê. Mas enfim, não ficaria pensando nisso. Afinal, tinha seu próprio passivo para testes de dor, não? Risadas internas foram dadas por ele. Era tão bom quando tinham sessões de sadomasoquismo, mesmo sem usar aqueles instrumentos que eram geralmente usados pelos humanos.
-Bem. Eu não agüento mais. – O loiro disse, olhando para os dois fixamente.
-Huh?
-Qual dos dois é o sádico esquizofrênico? Eu quero fazer experiências nele.

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domingo, 10 de novembro de 2013

Faça pra mim, Aiden.

Vincent estava cansado. Cansado e mal-humorado. Até mesmo para suas experiências, que tanto gostava. Argh, por que seus pais o obrigavam à ir ao que os humanos chamam de escola? E que tipo de escola dá aulas de noite?
Não estava entendendo absolutamente nada de seu dia, aquele vampiro.
Andava pelas ruas nem tão calmas de Moscou, em direção à sua grande e cara residência. Não demorou tanto pra chegar já que sempre apressava o passo na presença de humanos. Eram nojentos. Desde que Aiden, sua experiência preferida, chegou, nunca mais tomou sangue de outra pessoa.
Por que o gosto do sangue dele era tão bom? Por que ele era um lobo?
Não... Talvez até fosse, mas já havia tomado sangue de lobos antes e não era a mesma coisa. O sangue dele tinha um gosto meio doce, meio metálico...Não sabia dizer como queria.  Suspirando de leve, entrou na construção avermelhada, encontrando com seus pais sentados junto à lareira, como sempre.
A mãe dizendo coisas sem sentido e o pai apenas fumando seu típico charuto.
-Como foi a escola, Vincent? – Disse Walter, parando um momento de fumar para observá-lo.
-Chata. Como sempre. –Odiava sua rotina diária.
-Sééério, Vinceent? – A mãe disse, girando o corpo de leve para observá-lo também. – Nunca acontece absolutamente naaaada? – E aquele sorriso louco dela que Vincent adorava ver.
-Absolutamente nada, mamãe. – Ele se aproximou dela e beijou sua testa, como costumava fazer algumas vezes, mesmo que estivesse mal-humorado.
-Vai fazer algum experimento hoje? – Perguntou Walter, voltando a fumar.
-Na verdade... Nem me sinto com vontade. Apenas vou ver Aiden, eu acho.
-Aiden?
-É o nome que dei para ele. Para o meu novo favorito.
-Ah, agora faz sentido.
Ele sorriu e saiu andando em direção a grande porta metálica no fim do corredor. Pôs a devida senha e abriu-a, deparando-se com os gritos de desespero e clamores por liberdade. É claro que ignorou todos e fechou a porta, acendendo as luzes.
Observava cada uma de suas cobaias, com taxidermia ou não. Ah, como as achava perfeitas agora que não tinham aqueles corpos humanos, antes tão frágeis. Alguns animais também, que agora chamava de quimeras. Era estranho estar a tanto tempo fazendo tais coisas e não ter sido pego até agora, mas lasque-se.
Era divertido vê-los sofrerem.
Não demorou muito para chegar na cela de Aiden. Abriu-a sem pressa, vendo-o quieto no canto da parede.
-Aiden? – Chamou sua atenção, fechando a porta atrás de si.
Ele logo levantou sua cabeça e sorriu, um tanto louco como sua mãe, arrastando-se até ele e agarrando-se em seus pés. Vincent sorriu, vendo sua recepção submissa. Adorava isso. Acocorou-se até a sua altura e começou a falar.
-Hoje não estou com muita vontade de fazer experiências....Você pode fazer para mim?
Apesar de ter perguntado gentilmente, não era assim que sentia-se por dentro. Na verdade, queria consumi-lo e “destruí-lo” naquele momento, mas segurou-se. Estava realmente cansado, apesar de tudo. Ele fez uma cara confusa e a virou de leve para o lado. Tão fofo.
-Eu não sei se consigo... – Ele disse, desviando o olhar.
-É só imitar o que eu faço com você. Só que com menos dor.
-E quanto à taxidermia?
-Eu faço isso depois. Só me imite, certo?
-Sim, sim, Vincent...Mas...
-Mas o quê?
-Se eu fizer direitinho...Você vai me punir mesmo assim? – Ele o olhou, manhoso. É claro que queria ser recompensado com dor.
Vincent sorriu com a pergunta dele e mexeu a cabeça positivamente, arranhando de leve sua bochecha direita. Ele ainda agarrou sua perna por alguns momentos até que Vincent saísse. É claro que deixou a porta aberta para que Aiden pudesse sair. Confiava nele, apesar de tudo. Mas é claro que o mataria se ele deixasse um deles escapar.
Aiden viu seu mestre passar pela grande porta de metal, sem conseguir ver a senha que ele pôs na mesma. Não ficou frustrado. Não queria sair dali. Ele era simplesmente o melhor mestre que já tivera! Causava tanta dor quanto a cruel e gelada neve que antes se encontrava. Mesmo que seu sangue fosse mais quente que o normal por causa de sua espécie, era muito frio lá fora.
Estavam na Rússia, apesar de tudo.
Ele andou pelos corredores ensangüentados, vendo todas as criaturas que ele criara e que ainda ia criar. Haviam até crianças ali. Mas não se importava. Queria saber apenas da dor que receberia como prêmio. Talvez até tivesse pena de um ou outro, mas logo a mesma desaparecia de sua mente.
Fez exatamente o que ele pediu, sujando-se mais e mais com o sangue deles, sem se importar com seus gritos. Agora sabia como Vincent se sentia. Era boa a sensação que corria em seu corpo, mesmo sem ser melhor que a prazerosa sensação de masoquismo. Arregalava os olhos e sorria sempre que terminava com um e começava com outro, humano,”quimera” ou qualquer outra espécie.
Até achou estranho não encontrar nenhum de sua própria. Será que era por isso que era o favorito? Sentiu-se especial por alguns momentos, logo voltando a sua batalha pela dor, mal tratando crianças e adultos, filhotes e animais grandes. Havia todo tipo de humano ali.
Soldados,doutores,pais de família, entre outros. Hah, achava era bom dar-lhes uma lição. Apesar de tudo, Vincent foi o único que realmente o acolheu. Todos os humanos que passavam por perto de si o ignoravam, praticamente nem percebendo a sua existência.
Apenas a neve e o frio eram seus companheiros. Causando-lhe a dor que tanto gostava.
Mas aí, naquele dia, em que ficou num canto perto da grande mansão dos Wladimir, queimando-se com a neve mais fria que o normal, na noite traiçoeira e de lua minguante, ele passou e parou. Percebeu-o ali. Até sorriu para ele e conversou um pouco. É claro, por causa dos lábios azulados de frio e tremeliques ele nada conseguiu responder verbalmente.
Se era para satisfazer Vincent e ganhar sua recompensa, faria qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Bastava que seu mestre mandasse. Ele obedeceria, como um bom menino.
Depois de algumas horas, o trabalho estava terminado. Já mais de meia noite, e o som do Violoncello de Walter já podia ser ouvido. Ele ensaiava todas as madrugadas, junto com a esposa Khristina que ópera cantava. Vincent de vez em quando juntava-se à eles, com pianos ou violinos, ou até mesmo flautas transversais. Achava belo quando ele tocava.
Bem, como havia terminado, voltou para a sua não tão confortável cela, esperando para que ele chegasse. Não demorou tanto. Logo a porta principal foi aberta e o vampiro de cabelos dourados entrou, dando uma boa olhada em tudo. Estava simplesmente perfeito aquele olhar dele. Olhar de satisfação.
Ele entrou e foi direto para a cela de Aiden, sorrindo para ele. Aiden, é claro, arrastou-se até seus pés.
-Eu fiz bem, Vincent? – Aquele olhar manhoso e masoquista mais uma vez. Ele estava mesmo provocando Vincent.
-Fez muito bem, querido Aiden. – Acariciou seu rosto machucado, recebendo beijos e mordiscadas na mão que por ali passou.
-Agora...Por favor...
-Eu sei. Eu sei o que disse que faria.
Não tardou a levantá-lo e prendê-lo em correntes ali perto, dessa vez na parede. Removeu as poucas roupas que ele usava e virou seu rosto, mostrando-lhe a coleção de chicotes que ali tinha.
-Escolha um. –Ele ordenou.
-Aquele. – Ele apontava com os olhos para o que parecia ser o melhor de todos.
-Boa escolha. – Ele disse, indo até os mesmos e lambendo o que ele escolheu de leve.
Ao vê-lo sequer tocar no chicote Aiden sorriu, empinando-se para facilitar suas chibatadas fortes, que não tardaram para acontecer. Já começara à gritar assim que ele deu a primeira delas, que foi a mais forte de todas as outras que ele deu antes.
-AH! Você está mais forte – AH! – Disse, recebendo outra com mais um pouco de força em seguida.
-Andei aperfeiçoando... – Ele disse, dando mais uma e mais outra. Já era possível ver uma boa quantidade de sangue escorrendo e vê-lo tremer de dor. – Quanto será que você agüenta, hein, Aiden?
-AH! – Ele nem pôde responder.
Vincent riu e continuou a torturá-lo, também mudando de instrumentos. Chicotes, agulhas, cordas, até mesmo metais quentes. Tudo que podia causar-lhe dor era encostado em sua pele pálida. Ria e ria, sujava-se e sujava-se. Estava tudo perfeito.
Na verdade, podia dizer que sentiu até uma ponta de desejo por ele, mas não sabia se devia fazê-lo ou não. Pobre alma infeliz, precisava tanto de dor.
-Daww, você quer dor, Aiden?
-Sim,sim eu quero! – Ele respondeu, com um tom de voz submisso e desejoso.
-Então tenha! – Ele disse,arranhando-o e batendo-o mais, com mais força ainda.
-AAAH! VINCENT!
Vincent não esperava que seu nome fosse dito. Na verdade até avermelhou de leve, sem saber o que fazer por alguns milésimos, mas logo voltando a espancá-lo novamente, tendo as mãos sujas de sangue. Os olhos cinzas a brilhar, e a garganta a clamar por sangue. Abraçou-o por trás, afastando os cabelos do pescoço, dando uma forte mordida no mesmo.
-AAAAAAAAAAAH, VINCENT! – Ele disse, virando a cabeça para cima da dele, tentando por uma das mãos em seu rosto, mas estava acorrentado.
A boca aberta dele, incapaz de produzir sons agora e o sangue que escapava de seu pescoço e dos lábios de Vincent. Trêmulo, ele deixou seus nutrientes serem absorvidos por aquele ser ao seu lado, que deveria ser seu inimigo, mas era tão perfeito quanto.
Ele demorou para deixar de sugar seu sangue doce,metálico e vermelho, mas parou, vendo-o fraco, mas não totalmente satisfeito.
-Ah, você quer mais? – Ele disse, sem enxugar o sangue que escorria dos lábios ainda.
Ele mexeu a cabeça positivamente ao mesmo tempo que gemia. Vincent mordeu o lábio inferior.
-Então está certo...-Ele se aproximou mais, abaixando mais as calças que ele usava. -Pode ser..Desse jeito? – Pôs alguns dedos na entrada dele, que estava a mostra.
Ele esticou o corpo, levantando a cabeça, ainda sem voz, dando um sorriso em seguida e mexendo a cabeça positivamente mais uma vez. Vincent sorriu com sua atitude e pôs a mexer os dedos por ali sem muito cuidado, querendo que ele gritasse.
De fato ele o fez. Vincent era bruto com aquilo. O loiro sorria com a situação em que Aiden se encontrava, pondo mais força na mão que estava usando, logo sentindo alguma coisa em sua calça. Olhou para baixo. Apesar de tudo,  nunca esperou “este” tipo de reação. Engoliu em seco, observando o dele também. Ereto.
Mordeu o lábio mais uma vez, parando por alguns momentos e retirando os dedos dali, arrancando um grito/gemido de decepção.
-Não...-Ele disse, com o olhar ainda mais manhoso.
-Não se preocupe. – O fez olhar para frente mais uma vez, abaixando agora suas próprias vestimentas e esfregando-se nele, só para vê-lo tremer.
-AaAah...- A voz dele também estava trêmula, como se quisesse que ele andasse logo.
-Você quer? – Ele disse, com o tom de voz sensualmente rouco.
-Sim, sim, eu quero, sim! – Ele clamou, olhando pela última vez para Vincent antes que ele se empurrasse para dentro e arrancasse um grande gemido/grito de sua garganta.
Ele também não demorou para começar a se movimentar, bruto, é claro. Estava até saindo sangue.
-AH, AH, AAAAH, VINCENT, AAAAAAAAAAH! – Ele gemia e gritava, sem saber outra reação para ter além de pedir por mais. – MAIS FORTE, MAIS FORTE! – Aiden praticamente ordenava para Vincent isso.
Vincent, é claro, obedecia. Era a sensação de prazer que sentia a cada movimento e a cada pedido por mais. Até chegou a puxá-lo, para que parecesse que ele o estava puxando para dentro e de fato, de vez em quando ele mesmo se movia.
É claro que as mãos de Vincent não ficaram sem trabalho; Ele as usava para apertar o peitoral dele com certa força, também para arranhá-lo e apertá-lo, deixando marcas visíveis em todos os lugares que podia com os dentes.
Até aproveitou o chicote ali para bater nele enquanto se movimentava. Ah, era tão bom aquilo!
Logo sentiu algo pulsar em seu membro, querendo se libertar. Talvez o mesmo líquido que caíra inúmeras vezes do de Aiden. Ele sorriu, indo bem mais rápido e bruto que antes, mostrando-o que já estava próximo do que chamavam de clímax. E Aiden correspondia, gemendo e gritando no mesmo ritmo, tal como movimentando-se junto.
E aconteceu. Vincent aliviou-se nele, sentindo a última sensação prazerosa ecoar pelo seu corpo. Saiu de dentro dele, vestindo-se e voltando para a frente dele, agarrando seu rosto e beijando-o de leve. A respiração pesada mostrava que estava satisfeito agora.
Libertou-o e viu-o cair no chão, cansado e frágil. 
-Uh...Por que você...Não vem dormir no meu quarto comigo hoje, Aiden?
-Eu...Eu posso?
-Sim. – Vincent disse, percebendo que ele não conseguia andar.
Pegou-o nos braços, e levou-o primeiro ao banheiro. Deu-lhe um bom banho, escoando o sangue que havia em seu corpo, logo após levando-o à seu quarto, onde dormiriam até que a luz do dia terminasse.

Afinal, já eram cinco da manhã.

Meu Milagre Sangrento.

Eu estava sozinha. Sozinha com as lágrimas que de meus olhos caíam. O sangue deles ao meu redor, sujando o meu corpo e escorrendo de meus lábios. O cheiro, o bendito cheiro de morte que rodeava a cidade que destruí... Os gritos de terror que de longe podiam ser ouvidos... Era simplesmente o cenário perfeito.
Perfeito para o meu bebê.
Meu pequeno Vincent, meu pequeno milagre sangrento...
Posso até ser louca, viver acorrentada, presa nesse vestido com cintos, mas nada me impediu e nem me impedirá de criá-lo do jeito que eu e seu pai fomos. Seu pai, tão violento e raivoso, que adora o gosto de sangue em sua língua avermelhada.
Ah, o vermelho. O vermelho que vemos todos os dias. O vermelho que forneceremos para alimentar o nosso bebê. Nosso Vincent. Tão pequeno e ao mesmo tempo tão perigoso...
Minhas contrações não demoraram para acontecer. É difícil ser uma vampira grávida, e na verdade, eu nem sabia que podíamos ficar grávidas. Achava que era impossível. Mas bem, não importa. Meu bebê importa. Nosso bebê.
Aquele que irá derramar mais sangue que nós dois, aquele que fará os humanos pagarem pela sua existência inútil, aquele com o sangue de nós dois correndo nas veias, aquele que se libertará do seu controle, e fará com que a loucura que sinto troque de corpo. Aquele que com sua risada, assustará todos ao redor e que será um grande herói e rei para nossa espécie, tal como o pai já foi.
Ah, Vincent.
Meu querido Vincent. Eu amo você. Eu amo muito você. Você será um orgulho para sua mamãe, certo?
Ri de leve enquanto sentia aquelas dores, tão terríveis, do parto. Num lugar ensangüentado para logo ensiná-lo a se alimentar, com o seu pai apenas nos observando. Sim, eu estava sozinha. Sozinha com eles. Sozinha com os que amo.
Ah, como doía! Como doía! É terrível! Mas ao mesmo tempo milagrosa! Sim, milagrosa! Que coisa maravilhosa! Adorei sentir tal dor! Estou adorando! Sentir o cheiro do precioso sangue vermelho deles me deixa louca, louca por dor e por mais! Louca pelo meu querido filho.
Respirava e respirava, mesmo sem precisar de ar, sentindo a dor de ser cortada ao meio por aquelas malditas espadas prateadas que antigamente usavam, ou então sendo rasgada por aqueles afiados dentes daqueles malditos lobos pretos e brancos!
Ah, a dor! Purificadora e necessária! Ah, a dor!
Que de repente sumiu.
Pude ouvir certo choro e ver meu marido aproximando-se de mim, tão fraca agora. Ele, geralmente com aquela cara séria, deu um sorriso. Primeiro para mim e depois para o meu bebê. Ele o pegou nos braços, sem se importar de sujar-se com o sangue que havia em seu pequeno corpo, cortando o cordão com suas garras afiadíssimas.
Aproximou-o de mim com certo cuidado. Ele sabia que eu amava meu filho, mas sabia que eu era louca e perigosa para ele. Eu sorri e o beijei na testa, apreciando seu choro inocente. Pude notar que apesar de ser um recém nascido, já tinha pequenas presas em sua boca, e que ele estava morrendo de sede.
-A-Alimente-o...Walter. – Eu disse, fazendo um olhar de uma loucura materna para eles, logo desviando para os corpos ao meu redor.
Walter sorriu mais uma vez, tão belo aquele sorriso, e obedeceu-me, aproximando meu filho de alguns que ainda estavam meio vivos. Segurou o bebê em seus braços enquanto levantava o queixo da vítima escolhida, quase quebrando-o, olhando para o menino em seguida.
Vincent, tão pequeno e já tão esperto, praticamente enfiou as presas na mulher. Ah, ela ainda estava viva! Dei risadas e meus olhos brilharam. Era simplesmente magnífica aquela cena! Meu filho rasgando o pescoço da vítima, melando seu pequeno e fofo rosto com o sangue da mesma. Hah, e pensar que era apenas a primeira.
Não demorei para sentar-me. Eu estava nua, era mais fácil de não doer.
Sorri para meu marido e ele retornou.
Olhamos para a criança ensangüentada, que não voltou a chorar depois de terminar. Ele o pegou e sentou-se ao meu lado, ainda receoso de por ele nos meus braços.É claro que eu também estava meio receosa, sabia que não tinha total controle de mim.
-E...Eu também preciso. – Eu disse, olhando para meu marido com os olhos arregalados.
Ele afastou um pouco seus cabelos loiros e belos, deixando seu pescoço, também belo, a mostra. Logo encravei minhas presas em sua pele perfeita, deixando que os nutrientes dele passassem para mim.
Depois que eu terminasse e que o sangue escorresse de meus lábios avermelhados, afastei-me, observando os dois.
Olhamos sincronizados para a nossa criança, agora adormecida, com certo orgulho, sorrindo para ele. Nos beijamos por um breve momento, vendo que agora a família estava completa.
Ah, quem nós somos?
Ah, doce criaturinha, não sabes?

Somos os Wladimir.

sábado, 9 de novembro de 2013

Noite de Sangue

Era hoje.
Hoje ele perdeu o controle. Justamente hoje.
Não bastasse ter de voltar ao maldito lugar a que chamavam de escola, cheio que pessoas hipócritas e inúteis, ainda tinham que lhe provocar!...Thomas não queria matar ninguém. Queria apenas, pelo menos por alguns dias, parar com esse seu frenesi inescapável de sentir sangue correndo por entre suas garras, escorrendo de sua boca e de seus braços.
Desde que aquele outro chegou em sua vida, tem diminuído seu instinto. Talvez fosse por nunca ter sentido nada igual por ninguém, mas sua vontade voltava assim que sentia o cheiro, o doce cheiro, de sangue. E também aqueles sussurros...
Aqueles sussurros inacabáveis que toda hora o faziam ficar assustado e perder seu controle, chegando a machucar à si mesmo e a chorar, preocupando todos os que vivem ao seu redor. Chegou até a uma vez ser consolado e ser trazido de volta a realidade, mas dessa vez nenhum deles estava por perto.
Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu amado. Estava completamente sozinho com sua mente e com os hipócritas malditos a seu redor. Argh, como lhe deixavam raivoso, aqueles humanos! Rangia os dentes, tentando se controlar ao ouvir aqueles idiotas falando. Tentava mesmo.
Mas não estava adiantando. Estava chegando próximo do limite. Não queria, mas estava muito próximo do limite.
Bastou apenas esta frase para deixá-lo completamente louco de raiva:
-Mentiroso!
-Hah...Mentiroso? – Ele disse, praticamente quebrando o braço do garoto que disse a frase só por segurá-lo. – Pois saiba de uma informação: Eu.Não.Minto.
Arrancou-lhe o braço fora. O sangue jorrou em sua face.
Um sorriso branco e sádico formou-se em seu rosto, observando a todos os outros que se encontravam presentes. É claro que ainda não tinha terminado.
Ele não deixa seu trabalho incompleto.
Já que o garoto estava contorcendo-se de dor no chão, segurou-o com um de seus pés, fazendo força para fazê-lo vomitar sangue. Riu mais uma vez, antes de sentar próximo ao mesmo e começar a arranhar seu pescoço fino e branco, vendo o belo sangue vermelho escorrer. Não chegou a lamber ou algo do tipo, mesmo que estivesse com muita sede.
E também é claro que os outros começaram à correr.
-NÃO PENSEM QUE EU ESQUECI DE CADA UM DE VOCÊS, AÍ!
Ele gritou, finalmente surtando e arrancando a cabeça do outro à sua frente, correndo atrás dos outros e fazendo um verdadeiro banho de sangue.
O alarme dali soou, avisando aos que passavam por ali que Thomas Riverland estava mais uma vez louco. Ria como um, agia como um. E também não ia demorar para que todos ali estivessem mortos.
Crianças,adultos e adolescentes espalhados pelo chão, cada um com uma ferida pior que a outra. O corpo do ruivo todo sujo de sangue. O sorriso que destacava-se em seu rosto com as bochechas grandes. E a impossibilidade de acalmar-se.
Ah, frenesi bendito.
Os sussurros que antes ouvia agora estavam mais altos e agressivos, ordenando-o para que não parasse. Há muito havia saído daquela construção, atacando as pessoas que na rua estavam a passar, tranqüilas.
Não demorou para a estrada ficar toda suja de vermelho vibrante e também não demorou para que sua família soubesse.
Ria como louco mais uma vez, parado no meio do caminho, com os cadáveres ao seu redor e o cheiro de sangue inalado pelas suas narinas. Mas, ao olhar para o lado, viu figuras familiares aproximando-se.
-Thomas! – Disse a mulher, também ruiva, correndo mais rápido que os outros dois.
-Oi, mamãe. –Ele disse, com os olhos arregalados e ainda com o sorriso no rosto.
Os outros dois eram dois homens. Aquele a quem chamava de pai, moreno com a passada forte e rápida, e o outro à quem amava. Com aquele rosto fofo,cabelos arroxeados e a faixa no pescoço, sempre escondendo suas cicatrizes.
Susan foi a primeira a chegar, é claro, por seu instinto materno e logo abraçou-o, deixando-o o imóvel. Sabia que ele não a machucaria. Nunca fez isso das outras vezes. Por que faria agora? De fato, Thomas não conseguia machucar alguém de sua família, a não ser que o mesmo pedisse. Aliás, insistisse.
O seu pai a observá-lo e a tentar passar certa tranqüilidade com o mesmo olhar, como sempre conseguia.
E o amado, bom, ele foi o único que realmente conseguiu. Abraçou-o assim que Susan o soltou, ainda sendo ele mesmo.
-Ei...Por que não gasta essa raiva em mim? – Ele disse, com aquele seu tom de voz masoquista.
Thomas riu mais uma vez, e por incrível que pareça, acalmou-se com isso.

-Desculpem...Acabei estragando tudo de novo.

Loucura

Você sabe o que é loucura?
Sabe o que é perder o controle de seu corpo enquanto sua consciência vaga no reino de sua mente?
Bem, é isso que acontece comigo.
Meu nome é Alice. Sou filha de um poderoso rei. Famoso, na verdade. Não é realmente um rei. Apenas um título.
Mas isso não importa.
Eu estou louca.
Meu corpo está destruindo tudo que encontra, causando estragos e arruinando vidas. Aqueles sons estranhos que vinham em meus ouvidos, sempre vinham na verdade, pareciam vozes e músicas, todos eles com uma língua que eu não conhecia. Talvez meu passado esteja nesses sons, mas novamente digo: Não me importo.
Não me importo com quase nada quando estou louca. Apenas com destruição e mais destruição. Só com coisas para arruinar e amassar, coisas para “brincar” e até matar. Não adianta tentar me controlar. Não dará certo. Já tentei.
Enquanto o meu corpo descontrolado tira vidas, eu fico aqui, nesse meu País das Maravilhas estranho e sombrio. Um país cujo qual eu sou a rainha. Tenho um rei também, mas é justamente esse o problema: Ele não está lá. Está sumido.
Onde está ele?
Onde está William?
Meu amigo companheiro, fiel desde pequeno... Aquele com que mais me importo desde que meu amado esposo morreu. Ser rainha é muito difícil sem ele, com a população quase tão louca quanto eu, parecia que trocávamos de lugar as vezes.
Mas não importa.
Voltando à pergunta, sabes o que é ficar louco?
Haha.
Eu creio que não.
É claro que não, quem mais poderia saber? QUEM MAIS PODERIA SABER?
Eu ri enquanto falava com você. Ri quando outros morreram, ri quando FINALMENTE vi o sangue deles sendo derramado. QUEM SE IMPORTA COM ELES AFINAL? LOUCURA!LOUCURA!LOUCURA!... É isso que me mantém aqui até agora.
É o que me salva da morte pelas próprias mãos.
É o que me faz esquecer que o mundo existe.
É o que me faz lembrar que tenho imaginação, em um país perfeito para mim.
É AQUILO QUE ME FAZ ESQUECER DE MIM MESMA.
Loucura, doce loucura, o que eu faria sem você, querida? Huhuhu.... Não me deixe, jamais. Você tem um sangue delicioso de se tomar, mãos perfeitas para sujar. E além do mais, William está morto.
SIM. ESTÃO TODOS MORTOS.
É TUDO UMA ILUSÃO.
UMA MALDITA ILUSÃO DE MINHA MENTE.
Fico de olhos arregalados enquanto contorço-me em meu trono, rindo como louca por causa da estupidez alheia e de minha própria. Sem dizer coisas coerentes ou agir de uma maneira politicamente correta. Lasque-se a política.
LASQUE-SE TUDO.
Eu quero mais é que a loucura me consuma, que me destrua..... É muito bom!!
....
Por favor....Me salve...

Minha Ruína.

Minha ruína. Minha repugnante ruína.
Doce e insuperável, irresgatável. Ela é a causa de minha destruição, meu arrependimento, meu sofrimento, minha morte. É a causa de minha vida ter sido o inferno na terra. Ela é a ruína que veio em minha mente por aqueles tantos meses. Aqueles meses de um sofrimento que não parecia que iria acabar. Ela roubava minha mente, me fazia ter ilusões de ver seu rosto em todos os lugares.
Aquela que disse que amava-me, mas que depois deixou-me só. Aquela que não se importou em matar-me por dentro e que finge que não percebeu. Aquela que se “desculpou” com as letras de uma música mostrada, aquela que continua, talvez, sendo minha ruína.
Hoje em dia mal nos falamos. Para mim, que antes já liguei tanto para ela e para outros, hoje mal sinto algo. Mal sinto falta de alguém. Ela foi a razão principal de minha morte interna, de meu inferno na terra. Desde que morri, vamos dizer, não tenho dado a mínima para a vida alheia. Só para alguns específicos, porém, são muito poucos.
A maioria, na verdade, só falo por educação e curiosidade. Eles também não parecem ligar para mim. Bah. Não me importa mais.
A época cuja qual eu me importava está morta. Não mais voltará. Não mais me perturbará com suas palavras desesperadoras, invocadoras de fúria e tristeza.
A morte talvez me rodeie, não sei ao certo. Lágrimas de crocodilo caem de meus olhos quando alguém morre, quando um acidente acontece. É claro, só para a grande maioria. A maioria que para mim, tanto faz se está viva ou morta.
A minoria só conta com a minha família e alguns outros, aliás, outras, selecionadas. Aqueles que controlam minha mente todos os dias, incluindo comigo mesma.
A minha ruína também foi a minha salvação. Como dizia algo que um dia desses li: “Você será feliz, mas antes a vida te ensinará a ser forte.” Bem,  no pouco tempo que vivi, tenho ouvido a melodia fatal. A melodia de sangue e dor, melodia de tragédia e rancor, melodia de tudo ao meu redor.
Pessoas à passarem pelas ruas, que jamais saberei a identidade ou me farei amiga, sempre me fazem pensar. A lua faz-me pensar, a noite faz-me pensar, a abençoada chuva faz-me pensar. Me fazem filosofar, para ser exata.
Por que estamos aqui, se nascemos para morrer?
Sem exceção, todos morreremos. Não há como impedir isso.
Por mais que uma pessoa se destaque na vida, uma hora ou outra morrerá. Claro que há seus pontos bons, e também é claro que eu também gostaria de destacar-me diante dessa sociedade hipócrita e injusta que eu vivo.
Quero prová-los que são impossíveis, que são racistas e hipócritas, cruéis e manipuladores. Não acho que alguém mereça viver desse jeito.
Sei que este não é o motivo real de minha ruína, mas foi o que me fez assim.

Foi minha ruína de qualquer forma.