terça-feira, 12 de novembro de 2013

Encontro Inesperado (II)

-Como? – Ambos os dois mestiços disseram ao mesmo tempo.
-Vocês ouviram. Qual dos dois é o sádico esquizofrênico?
-E o que acontece se não respondermos? – Thomas ficou com as sobrancelhas franzidas, encarando-o fixamente, tentando adivinhar o que se passava em sua mente.
-Ambos morrem.
Thomas começou a rir de repente, lembrando-se da mãe ali. Mas não era dependente dela. Havia matado muitos outros vampiros. É claro que sabia lutar por si mesmo.
-Hah. Isso foi engraçado, Wladimir.
-Eu estou rindo por acaso, Riverland? – Ele pegou uma lâmina que estava jogada por ali e apontou para o pescoço do ruivo. – Me digam logo.
-Acha que isso me assusta? – Thomas respondeu. – Vá em frente. Mate-me e nunca saiba a resposta.
O mestiço nada fez ou disse enquanto os dois discutiam de leve, mas notou que o acompanhante de Wladimir, como se chamava..? Ah, Aiden, observava-o. Parecia estar olhando cada mínimo detalhe de seu corpo com as sobrancelhas franzidas. Como não era lá alguém muito educado, logo disse:
-Que está olhando?
Aiden recuou um pouco, um pouco assustado pelo seu olhar, mas logo ambos ouviram os dois ativos discutirem mais uma vez.
-Sim, eu acho. Você nunca teria força suficiente, passivo de merda.
-Passivo? – Ele fez uma cara bem confusa e depois riu. Riu como uma criança, na verdade acabou virando uma gargalhada. – Passivo?! Eu? Faça-me o favor.
Até mesmo Gallahad riu com essa. Podia até ser um pouquinho de nada mais alto, mas nunca seria o ativo daquela reação. Nem se quisesse. Sabia que era bem submisso a ele, e também sabia que era bem manhoso. Até chegou a tapar a boca com risinhos mais leves. Mas o olhar sarcástico indicava bem que Thomas estava certo.
-Huh? Como? – Vincent agora estava confuso. – Você é o ativo?
-Algum problema com isso? – Segurou a mão dele que se encontrava em seu pescoço com a sua própria, fazendo certa força.
-Humpf. – Bufou o loiro, fazendo a mesma força para tirar a mão dali. – Acrescentaria que é o sádico esquizofrênico?
-Sim.
Vincent não achava isso sensato. Como podia? Bom, não o conhecia há tempos, então não devia tê-lo julgado tão cedo. É claro que não acreditou de primeira, mas ao mesmo tempo pôde ver os olhos rubros que ele tinha. Eram ameaçadores, de fato. Mas não a ponto de fazê-lo recuar. Nem um pouquinho.
-Vai me soltar ou não, meio humano?
Thomas franziu as sobrancelhas um pouco mais. Odiava ser lembrado de sua parte humana, mesmo que algumas vezes seu próprio corpo faça isso. Como certa vingança, resolveu apertar mais o pulso dele, encravando as garras de leve. É claro que não era tão tolo a ponto de soltá-lo.
-Ah, então você quer jogar sujo, hein? – Disse o Wladimir, puxando-se e provando que tinha um pouco mais de força do que ele.
Viu em seguida os pequenos furos que o pulso tinha, só de o ruivo ter encostado as unhas ali. Pelo visto eram bem afiadas mesmo. Imaginava como ele as afiava, sem nem ao menos imaginar que o seu passivo era o objeto escolhido para tal. Bem, não iria perder para seu olhar. Também podia ser ameaçador quando queria.
E era nesses momentos que a porta novamente era batida. A ótima audição de Joseph os denunciou.
-Vincent! Abra a porta! – Dizia Walter, com certo tom de voz.
-O quê? Como foi que ele...? – Ficou confuso.
Thomas fez um sinal. Usou uma das mãos para apontar para uma das orelhas, dizendo que alguém de sua família tinha ouvido, sem revelar quem era, é claro. Ficou com certa cara de sarcasmo ao vê-lo frustrado. Mas surpreendeu-se ao ter a boca tapada e o corpo puxado. Aiden e Gallahad também surpreenderam-se,e o mestiço tentou tirar SEU Thomas dos braços daquele loiro imbecil, mas foi pego num ponto sensível por Aiden, e acabou por desmaiar.
Afinal de contas, Aiden era um lobo. Ele sabia os pontos fracos de outros lobos. Thomas, como estava consciente, viu tudo e ficou um tanto mais agressivo, mordendo a mão que lhe tapava com força e lançando-o contra o chão com as costas, indo em direção à Aiden, preparado para atacá-lo, mas Vincent o segurou novamente, deixando-o imóvel.
-Me solte, vampiro inútil! – Ele se empurrava para frente, tentando se libertar de suas mãos firmes.
-Não. Não antes de meus experimentos, Thomie. – Chamou-o pelo apelido só para provocar, dando um sorriso malicioso.
Aiden o via segurá-lo e também via o corpo caído, mas vivo, de Gallahad no chão, sem saber o que fazer.
-Que está esperando, Aiden? Me ajude!
-Ah, sim, claro. Desculpe! – Logo o lobo foi até os dois empurrando Thomas para trás.
Mas foi bem nesse momento que a porta foi arrombada e os pais entraram.
-Vincent!! – Gritou Walter, bem imperativo, chegando a dar um susto em todos ali presentes.
-O quê?! –Ele retrucou.
-Já disse que não era para sequer tocá-lo! –Andou até ele com passos fortes e tirou sua mão da pele do ruivo, fazendo o mesmo com Aiden.
Usou tanta força que os derrubou no chão. Ele parecia com raiva mesmo. Khristina chegou logo depois, também com aquele olhar de zangada no rosto. Susan, é claro, foi a última a chegar e a mais agressiva a ficar. Só não arrancava a cabeça daquele moleque por ser filho de sua amiga.
-Como ousou? – Susan disse, praticamente agarrando Thomas e chiando para Vincent como um gato.
Joseph foi único que foi direto para Gallahad, carregando-o nas costas. Cara, ele era pesado. Mas conseguia ficar levantado com ele se não fizesse muito esforço, olhando todos com aquela sua típica cara séria. Susan chegava a ficar engraçada contando com o jeito que ela “acariciava” os cabelos de Thomas. Parecia mais um daqueles “Bullies” bagunçando o cabelo das vítimas.
-Mee desculpe, Susan. – Khristina disse, desculpando-se pelo filho. – Nós tínhamos avisado à eele, mas ele é muito teimoso! – Só não deu-lhe um cascudo por seu vestido servir de camisa de força também, então olhou para Walter, transmitindo seu desejo e ele o fez.
-Está tudo bem com vocês dois, Khristina. –Ela ainda encarava Vincent com os olhos semicerrados.
-Não respiro, mãe.
-Quieto, Thomas.
Vincent se levantou, mesmo tendo o braço segurado pelo pai, e bufou, tirando o braço dali, correspondendo ao olhar agressivo de Susan e respondendo a sua pergunta.
-Ousando.
-Huh? – Agora ela fez uma boa cara de raiva. Ele estava provocando.
-Vincent, que parte de pare você não entendeu? – Disse Walter, agora pegando-o pelos dois braços e os cruzando nas costas, usando certa força para imobilizá-lo. – Fique quieto.
Vincent não ousou desafiar o pai. Sabia o quão mais forte ele era, tal como sua mãe. E também subestimava Susan e sua família. De fato, Thomas era mais forte do que pensava e não tinha ideia de que Susan era meio agressiva,mesmo com aquela personalidade forte que ela aparentava ter. Só não sabia nada mesmo de Joseph. Ele era um mistério completo.
Khristina suspirou, achando que a visita tinha sido um fracasso. Tudo bem que eles passariam uns nove dias por lá, mas só pelo primeiro dia ficou pessimista, sem ter ideia do que aconteceriam nos próximos oito.
-Me desculpem... – Ela disse, cabisbaixa e desviando o olhar.
Susan olhou para ela com pena, deixando Thomas por um minuto e indo abraçá-la.
-Não tem problema, Khristina. Vou garantir que eles se dêem bem esses dias. Certo, meninos? – Ela olhou para os dois com uma cara de ‘Mato vocês se não me obedecerem’. Ou seja, uma cara bem ameaçadora.
-Uh, claro, claro! – Vincent disse,percebendo sua ameaça e achando que ela era bem assustadora para uma humana. - “Calma, calma,calma... Você vai fazer as experiências nele, Vincent. Não se preocupe.” – Pensou.
E Thomas respondeu com o olhar virado para o lado, mexendo a cabeça positivamente com certa hesitação.
-Então estamos todos combinados! – Khristina disse, com um sorriso no rosto. – Até os próximos dias vocês dois serão bem amigos.
“Duvido muito.” –Thomas pensou, encarando-o e tendo o olhar devolvido.
Bem, depois de ter o ‘problema’ resolvido, todos se levantaram e foram aos seus devidos quartos. Vincent e Aiden, Thomas e Gallahad, Susan e Joseph, Walter e Khristina. Os casais todos trancaram as portas, exceto os adultos, que continham todas as chaves, e dormiram. Bom, um deles não.
Como Gallahad havia praticamente dormido durante todo o ocorrido, acordou no meio da manhã/madrugada por instinto.
-Hã, o quê? Como? Quando? Por quê? – Ele parecia bem confuso. Primeiro estava num lugar e agora estava em outro? Que estranho.
De qualquer forma, ao olhar para o lado e ver o amado a dormir, sabia que o problema tinha sido, como dizer, resolvido, mesmo que tivesse lá suas dúvidas. É claro que não deixaria que o tocassem mais uma vez, então ficou em alerta por certos momentos. Até perceber que Thomas suava frio e tremia.
Suava frio e tremia muito mesmo. Estava até quase chorando. Será que estava tendo um ataque de esquizofrenia só que inconscientemente? Fez uma expressão preocupada, cutucando-o algumas vezes para acordá-lo.
-Ei...Ei, Thomas...
O ruivo não acordou, fazendo uma expressão de assustado, tapando os ouvidos e começando a dizer repetidamente a palavra “Pare”. Gallahad percebeu que a situação estava grave e puxou-o logo de uma vez, abraçando-o e fazendo-o acordar daquele pesadelo.
-Ah..! –Ele acordou com um grunhido. Quando deu por si estava abraçado com ele.
-Shh...-Ele fez carinho em sua cabeça, pondo-o de volta para dormir lentamente, acompanhando-o no sono, murmurando algo sobre protegê-lo daqueles imbecis chamados de Wladimir.
---------------------------------------------------------------------------------------To Be Continued


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