sábado, 9 de novembro de 2013

Noite de Sangue

Era hoje.
Hoje ele perdeu o controle. Justamente hoje.
Não bastasse ter de voltar ao maldito lugar a que chamavam de escola, cheio que pessoas hipócritas e inúteis, ainda tinham que lhe provocar!...Thomas não queria matar ninguém. Queria apenas, pelo menos por alguns dias, parar com esse seu frenesi inescapável de sentir sangue correndo por entre suas garras, escorrendo de sua boca e de seus braços.
Desde que aquele outro chegou em sua vida, tem diminuído seu instinto. Talvez fosse por nunca ter sentido nada igual por ninguém, mas sua vontade voltava assim que sentia o cheiro, o doce cheiro, de sangue. E também aqueles sussurros...
Aqueles sussurros inacabáveis que toda hora o faziam ficar assustado e perder seu controle, chegando a machucar à si mesmo e a chorar, preocupando todos os que vivem ao seu redor. Chegou até a uma vez ser consolado e ser trazido de volta a realidade, mas dessa vez nenhum deles estava por perto.
Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu amado. Estava completamente sozinho com sua mente e com os hipócritas malditos a seu redor. Argh, como lhe deixavam raivoso, aqueles humanos! Rangia os dentes, tentando se controlar ao ouvir aqueles idiotas falando. Tentava mesmo.
Mas não estava adiantando. Estava chegando próximo do limite. Não queria, mas estava muito próximo do limite.
Bastou apenas esta frase para deixá-lo completamente louco de raiva:
-Mentiroso!
-Hah...Mentiroso? – Ele disse, praticamente quebrando o braço do garoto que disse a frase só por segurá-lo. – Pois saiba de uma informação: Eu.Não.Minto.
Arrancou-lhe o braço fora. O sangue jorrou em sua face.
Um sorriso branco e sádico formou-se em seu rosto, observando a todos os outros que se encontravam presentes. É claro que ainda não tinha terminado.
Ele não deixa seu trabalho incompleto.
Já que o garoto estava contorcendo-se de dor no chão, segurou-o com um de seus pés, fazendo força para fazê-lo vomitar sangue. Riu mais uma vez, antes de sentar próximo ao mesmo e começar a arranhar seu pescoço fino e branco, vendo o belo sangue vermelho escorrer. Não chegou a lamber ou algo do tipo, mesmo que estivesse com muita sede.
E também é claro que os outros começaram à correr.
-NÃO PENSEM QUE EU ESQUECI DE CADA UM DE VOCÊS, AÍ!
Ele gritou, finalmente surtando e arrancando a cabeça do outro à sua frente, correndo atrás dos outros e fazendo um verdadeiro banho de sangue.
O alarme dali soou, avisando aos que passavam por ali que Thomas Riverland estava mais uma vez louco. Ria como um, agia como um. E também não ia demorar para que todos ali estivessem mortos.
Crianças,adultos e adolescentes espalhados pelo chão, cada um com uma ferida pior que a outra. O corpo do ruivo todo sujo de sangue. O sorriso que destacava-se em seu rosto com as bochechas grandes. E a impossibilidade de acalmar-se.
Ah, frenesi bendito.
Os sussurros que antes ouvia agora estavam mais altos e agressivos, ordenando-o para que não parasse. Há muito havia saído daquela construção, atacando as pessoas que na rua estavam a passar, tranqüilas.
Não demorou para a estrada ficar toda suja de vermelho vibrante e também não demorou para que sua família soubesse.
Ria como louco mais uma vez, parado no meio do caminho, com os cadáveres ao seu redor e o cheiro de sangue inalado pelas suas narinas. Mas, ao olhar para o lado, viu figuras familiares aproximando-se.
-Thomas! – Disse a mulher, também ruiva, correndo mais rápido que os outros dois.
-Oi, mamãe. –Ele disse, com os olhos arregalados e ainda com o sorriso no rosto.
Os outros dois eram dois homens. Aquele a quem chamava de pai, moreno com a passada forte e rápida, e o outro à quem amava. Com aquele rosto fofo,cabelos arroxeados e a faixa no pescoço, sempre escondendo suas cicatrizes.
Susan foi a primeira a chegar, é claro, por seu instinto materno e logo abraçou-o, deixando-o o imóvel. Sabia que ele não a machucaria. Nunca fez isso das outras vezes. Por que faria agora? De fato, Thomas não conseguia machucar alguém de sua família, a não ser que o mesmo pedisse. Aliás, insistisse.
O seu pai a observá-lo e a tentar passar certa tranqüilidade com o mesmo olhar, como sempre conseguia.
E o amado, bom, ele foi o único que realmente conseguiu. Abraçou-o assim que Susan o soltou, ainda sendo ele mesmo.
-Ei...Por que não gasta essa raiva em mim? – Ele disse, com aquele seu tom de voz masoquista.
Thomas riu mais uma vez, e por incrível que pareça, acalmou-se com isso.

-Desculpem...Acabei estragando tudo de novo.

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