domingo, 10 de novembro de 2013

Meu Milagre Sangrento.

Eu estava sozinha. Sozinha com as lágrimas que de meus olhos caíam. O sangue deles ao meu redor, sujando o meu corpo e escorrendo de meus lábios. O cheiro, o bendito cheiro de morte que rodeava a cidade que destruí... Os gritos de terror que de longe podiam ser ouvidos... Era simplesmente o cenário perfeito.
Perfeito para o meu bebê.
Meu pequeno Vincent, meu pequeno milagre sangrento...
Posso até ser louca, viver acorrentada, presa nesse vestido com cintos, mas nada me impediu e nem me impedirá de criá-lo do jeito que eu e seu pai fomos. Seu pai, tão violento e raivoso, que adora o gosto de sangue em sua língua avermelhada.
Ah, o vermelho. O vermelho que vemos todos os dias. O vermelho que forneceremos para alimentar o nosso bebê. Nosso Vincent. Tão pequeno e ao mesmo tempo tão perigoso...
Minhas contrações não demoraram para acontecer. É difícil ser uma vampira grávida, e na verdade, eu nem sabia que podíamos ficar grávidas. Achava que era impossível. Mas bem, não importa. Meu bebê importa. Nosso bebê.
Aquele que irá derramar mais sangue que nós dois, aquele que fará os humanos pagarem pela sua existência inútil, aquele com o sangue de nós dois correndo nas veias, aquele que se libertará do seu controle, e fará com que a loucura que sinto troque de corpo. Aquele que com sua risada, assustará todos ao redor e que será um grande herói e rei para nossa espécie, tal como o pai já foi.
Ah, Vincent.
Meu querido Vincent. Eu amo você. Eu amo muito você. Você será um orgulho para sua mamãe, certo?
Ri de leve enquanto sentia aquelas dores, tão terríveis, do parto. Num lugar ensangüentado para logo ensiná-lo a se alimentar, com o seu pai apenas nos observando. Sim, eu estava sozinha. Sozinha com eles. Sozinha com os que amo.
Ah, como doía! Como doía! É terrível! Mas ao mesmo tempo milagrosa! Sim, milagrosa! Que coisa maravilhosa! Adorei sentir tal dor! Estou adorando! Sentir o cheiro do precioso sangue vermelho deles me deixa louca, louca por dor e por mais! Louca pelo meu querido filho.
Respirava e respirava, mesmo sem precisar de ar, sentindo a dor de ser cortada ao meio por aquelas malditas espadas prateadas que antigamente usavam, ou então sendo rasgada por aqueles afiados dentes daqueles malditos lobos pretos e brancos!
Ah, a dor! Purificadora e necessária! Ah, a dor!
Que de repente sumiu.
Pude ouvir certo choro e ver meu marido aproximando-se de mim, tão fraca agora. Ele, geralmente com aquela cara séria, deu um sorriso. Primeiro para mim e depois para o meu bebê. Ele o pegou nos braços, sem se importar de sujar-se com o sangue que havia em seu pequeno corpo, cortando o cordão com suas garras afiadíssimas.
Aproximou-o de mim com certo cuidado. Ele sabia que eu amava meu filho, mas sabia que eu era louca e perigosa para ele. Eu sorri e o beijei na testa, apreciando seu choro inocente. Pude notar que apesar de ser um recém nascido, já tinha pequenas presas em sua boca, e que ele estava morrendo de sede.
-A-Alimente-o...Walter. – Eu disse, fazendo um olhar de uma loucura materna para eles, logo desviando para os corpos ao meu redor.
Walter sorriu mais uma vez, tão belo aquele sorriso, e obedeceu-me, aproximando meu filho de alguns que ainda estavam meio vivos. Segurou o bebê em seus braços enquanto levantava o queixo da vítima escolhida, quase quebrando-o, olhando para o menino em seguida.
Vincent, tão pequeno e já tão esperto, praticamente enfiou as presas na mulher. Ah, ela ainda estava viva! Dei risadas e meus olhos brilharam. Era simplesmente magnífica aquela cena! Meu filho rasgando o pescoço da vítima, melando seu pequeno e fofo rosto com o sangue da mesma. Hah, e pensar que era apenas a primeira.
Não demorei para sentar-me. Eu estava nua, era mais fácil de não doer.
Sorri para meu marido e ele retornou.
Olhamos para a criança ensangüentada, que não voltou a chorar depois de terminar. Ele o pegou e sentou-se ao meu lado, ainda receoso de por ele nos meus braços.É claro que eu também estava meio receosa, sabia que não tinha total controle de mim.
-E...Eu também preciso. – Eu disse, olhando para meu marido com os olhos arregalados.
Ele afastou um pouco seus cabelos loiros e belos, deixando seu pescoço, também belo, a mostra. Logo encravei minhas presas em sua pele perfeita, deixando que os nutrientes dele passassem para mim.
Depois que eu terminasse e que o sangue escorresse de meus lábios avermelhados, afastei-me, observando os dois.
Olhamos sincronizados para a nossa criança, agora adormecida, com certo orgulho, sorrindo para ele. Nos beijamos por um breve momento, vendo que agora a família estava completa.
Ah, quem nós somos?
Ah, doce criaturinha, não sabes?

Somos os Wladimir.

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