Vincent estava cansado. Cansado e mal-humorado. Até mesmo
para suas experiências, que tanto gostava. Argh, por que seus pais o obrigavam
à ir ao que os humanos chamam de escola? E que tipo de escola dá aulas de
noite?
Não estava entendendo absolutamente nada de seu dia, aquele
vampiro.
Andava pelas ruas nem tão calmas de Moscou, em direção à sua
grande e cara residência. Não demorou tanto pra chegar já que sempre apressava
o passo na presença de humanos. Eram nojentos. Desde que Aiden, sua experiência
preferida, chegou, nunca mais tomou sangue de outra pessoa.
Por que o gosto do sangue dele era tão bom? Por que ele era
um lobo?
Não... Talvez até fosse, mas já havia tomado sangue de lobos
antes e não era a mesma coisa. O sangue dele tinha um gosto meio doce, meio
metálico...Não sabia dizer como queria. Suspirando de leve, entrou na construção
avermelhada, encontrando com seus pais sentados junto à lareira, como sempre.
A mãe dizendo coisas sem sentido e o pai apenas fumando seu
típico charuto.
-Como foi a escola, Vincent? – Disse Walter, parando um
momento de fumar para observá-lo.
-Chata. Como sempre. –Odiava sua rotina diária.
-Sééério, Vinceent? – A mãe disse, girando o corpo de leve
para observá-lo também. – Nunca acontece absolutamente naaaada? – E aquele
sorriso louco dela que Vincent adorava ver.
-Absolutamente nada, mamãe. – Ele se aproximou dela e beijou
sua testa, como costumava fazer algumas vezes, mesmo que estivesse
mal-humorado.
-Vai fazer algum experimento hoje? – Perguntou Walter,
voltando a fumar.
-Na verdade... Nem me sinto com vontade. Apenas vou ver
Aiden, eu acho.
-Aiden?
-É o nome que dei para ele. Para o meu novo favorito.
-Ah, agora faz sentido.
Ele sorriu e saiu andando em direção a grande porta metálica
no fim do corredor. Pôs a devida senha e abriu-a, deparando-se com os gritos de
desespero e clamores por liberdade. É claro que ignorou todos e fechou a porta,
acendendo as luzes.
Observava cada uma de suas cobaias, com taxidermia ou não.
Ah, como as achava perfeitas agora que não tinham aqueles corpos humanos, antes
tão frágeis. Alguns animais também, que agora chamava de quimeras. Era estranho
estar a tanto tempo fazendo tais coisas e não ter sido pego até agora, mas
lasque-se.
Era divertido vê-los sofrerem.
Não demorou muito para chegar na cela de Aiden. Abriu-a sem
pressa, vendo-o quieto no canto da parede.
-Aiden? – Chamou sua atenção, fechando a porta atrás de si.
Ele logo levantou sua cabeça e sorriu, um tanto louco como
sua mãe, arrastando-se até ele e agarrando-se em seus pés. Vincent sorriu,
vendo sua recepção submissa. Adorava isso. Acocorou-se até a sua altura e
começou a falar.
-Hoje não estou com muita vontade de fazer
experiências....Você pode fazer para mim?
Apesar de ter perguntado gentilmente, não era assim que
sentia-se por dentro. Na verdade, queria consumi-lo e “destruí-lo” naquele
momento, mas segurou-se. Estava realmente cansado, apesar de tudo. Ele fez uma
cara confusa e a virou de leve para o lado. Tão fofo.
-Eu não sei se consigo... – Ele disse, desviando o olhar.
-É só imitar o que eu faço com você. Só que com menos dor.
-E quanto à taxidermia?
-Eu faço isso depois. Só me imite, certo?
-Sim, sim, Vincent...Mas...
-Mas o quê?
-Se eu fizer direitinho...Você vai me punir mesmo assim? –
Ele o olhou, manhoso. É claro que queria ser recompensado com dor.
Vincent sorriu com a pergunta dele e mexeu a cabeça
positivamente, arranhando de leve sua bochecha direita. Ele ainda agarrou sua
perna por alguns momentos até que Vincent saísse. É claro que deixou a porta
aberta para que Aiden pudesse sair. Confiava nele, apesar de tudo. Mas é claro
que o mataria se ele deixasse um deles escapar.
Aiden viu seu mestre passar pela grande porta de metal, sem
conseguir ver a senha que ele pôs na mesma. Não ficou frustrado. Não queria
sair dali. Ele era simplesmente o melhor mestre que já tivera! Causava tanta
dor quanto a cruel e gelada neve que antes se encontrava. Mesmo que seu sangue
fosse mais quente que o normal por causa de sua espécie, era muito frio lá
fora.
Estavam na Rússia, apesar de tudo.
Ele andou pelos corredores ensangüentados, vendo todas as
criaturas que ele criara e que ainda ia criar. Haviam até crianças ali. Mas não
se importava. Queria saber apenas da dor que receberia como prêmio. Talvez até
tivesse pena de um ou outro, mas logo a mesma desaparecia de sua mente.
Fez exatamente o que ele pediu, sujando-se mais e mais com o
sangue deles, sem se importar com seus gritos. Agora sabia como Vincent se
sentia. Era boa a sensação que corria em seu corpo, mesmo sem ser melhor que a
prazerosa sensação de masoquismo. Arregalava os olhos e sorria sempre que
terminava com um e começava com outro, humano,”quimera” ou qualquer outra
espécie.
Até achou estranho não encontrar nenhum de sua própria. Será
que era por isso que era o favorito? Sentiu-se especial por alguns momentos,
logo voltando a sua batalha pela dor, mal tratando crianças e adultos, filhotes
e animais grandes. Havia todo tipo de humano ali.
Soldados,doutores,pais de família, entre outros. Hah, achava
era bom dar-lhes uma lição. Apesar de tudo, Vincent foi o único que realmente o
acolheu. Todos os humanos que passavam por perto de si o ignoravam,
praticamente nem percebendo a sua existência.
Apenas a neve e o frio eram seus companheiros. Causando-lhe
a dor que tanto gostava.
Mas aí, naquele dia, em que ficou num canto perto da grande
mansão dos Wladimir, queimando-se com a neve mais fria que o normal, na noite
traiçoeira e de lua minguante, ele passou e parou. Percebeu-o ali. Até sorriu
para ele e conversou um pouco. É claro, por causa dos lábios azulados de frio e
tremeliques ele nada conseguiu responder verbalmente.
Se era para satisfazer Vincent e ganhar sua recompensa,
faria qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Bastava que seu mestre mandasse.
Ele obedeceria, como um bom menino.
Depois de algumas horas, o trabalho estava terminado. Já mais
de meia noite, e o som do Violoncello de Walter já podia ser ouvido. Ele
ensaiava todas as madrugadas, junto com a esposa Khristina que ópera cantava.
Vincent de vez em quando juntava-se à eles, com pianos ou violinos, ou até
mesmo flautas transversais. Achava belo quando ele tocava.
Bem, como havia terminado, voltou para a sua não tão
confortável cela, esperando para que ele chegasse. Não demorou tanto. Logo a
porta principal foi aberta e o vampiro de cabelos dourados entrou, dando uma
boa olhada em tudo. Estava simplesmente perfeito aquele olhar dele. Olhar de
satisfação.
Ele entrou e foi direto para a cela de Aiden, sorrindo para
ele. Aiden, é claro, arrastou-se até seus pés.
-Eu fiz bem, Vincent? – Aquele olhar manhoso e masoquista
mais uma vez. Ele estava mesmo provocando Vincent.
-Fez muito bem, querido Aiden. – Acariciou seu rosto
machucado, recebendo beijos e mordiscadas na mão que por ali passou.
-Agora...Por favor...
-Eu sei. Eu sei o que disse que faria.
Não tardou a levantá-lo e prendê-lo em correntes ali perto,
dessa vez na parede. Removeu as poucas roupas que ele usava e virou seu rosto,
mostrando-lhe a coleção de chicotes que ali tinha.
-Escolha um. –Ele ordenou.
-Aquele. – Ele apontava com os olhos para o que parecia ser
o melhor de todos.
-Boa escolha. – Ele disse, indo até os mesmos e lambendo o
que ele escolheu de leve.
Ao vê-lo sequer tocar no chicote Aiden sorriu, empinando-se
para facilitar suas chibatadas fortes, que não tardaram para acontecer. Já
começara à gritar assim que ele deu a primeira delas, que foi a mais forte de
todas as outras que ele deu antes.
-AH! Você está mais forte – AH! – Disse, recebendo outra com
mais um pouco de força em seguida.
-Andei aperfeiçoando... – Ele disse, dando mais uma e mais
outra. Já era possível ver uma boa quantidade de sangue escorrendo e vê-lo
tremer de dor. – Quanto será que você agüenta, hein, Aiden?
-AH! – Ele nem pôde responder.
Vincent riu e continuou a torturá-lo, também mudando de
instrumentos. Chicotes, agulhas, cordas, até mesmo metais quentes. Tudo que
podia causar-lhe dor era encostado em sua pele pálida. Ria e ria, sujava-se e
sujava-se. Estava tudo perfeito.
Na verdade, podia dizer que sentiu até uma ponta de desejo
por ele, mas não sabia se devia fazê-lo ou não. Pobre alma infeliz, precisava
tanto de dor.
-Daww, você quer dor, Aiden?
-Sim,sim eu quero! – Ele respondeu, com um tom de voz
submisso e desejoso.
-Então tenha! – Ele disse,arranhando-o e batendo-o mais, com
mais força ainda.
-AAAH! VINCENT!
Vincent não esperava que seu nome fosse dito. Na verdade até
avermelhou de leve, sem saber o que fazer por alguns milésimos, mas logo
voltando a espancá-lo novamente, tendo as mãos sujas de sangue. Os olhos cinzas
a brilhar, e a garganta a clamar por sangue. Abraçou-o por trás, afastando os
cabelos do pescoço, dando uma forte mordida no mesmo.
-AAAAAAAAAAAH, VINCENT! – Ele disse, virando a cabeça para
cima da dele, tentando por uma das mãos em seu rosto, mas estava acorrentado.
A boca aberta dele, incapaz de produzir sons agora e o
sangue que escapava de seu pescoço e dos lábios de Vincent. Trêmulo, ele deixou
seus nutrientes serem absorvidos por aquele ser ao seu lado, que deveria ser
seu inimigo, mas era tão perfeito quanto.
Ele demorou para deixar de sugar seu sangue doce,metálico e
vermelho, mas parou, vendo-o fraco, mas não totalmente satisfeito.
-Ah, você quer mais? – Ele disse, sem enxugar o sangue que
escorria dos lábios ainda.
Ele mexeu a cabeça positivamente ao mesmo tempo que gemia. Vincent
mordeu o lábio inferior.
-Então está certo...-Ele se aproximou mais, abaixando mais
as calças que ele usava. -Pode ser..Desse jeito? – Pôs alguns dedos na entrada
dele, que estava a mostra.
Ele esticou o corpo, levantando a cabeça, ainda sem voz,
dando um sorriso em seguida e mexendo a cabeça positivamente mais uma vez.
Vincent sorriu com sua atitude e pôs a mexer os dedos por ali sem muito
cuidado, querendo que ele gritasse.
De fato ele o fez. Vincent era bruto com aquilo. O loiro
sorria com a situação em que Aiden se encontrava, pondo mais força na mão que
estava usando, logo sentindo alguma coisa em sua calça. Olhou para baixo.
Apesar de tudo, nunca esperou “este”
tipo de reação. Engoliu em seco, observando o dele também. Ereto.
Mordeu o lábio mais uma vez, parando por alguns momentos e
retirando os dedos dali, arrancando um grito/gemido de decepção.
-Não...-Ele disse, com o olhar ainda mais manhoso.
-Não se preocupe. – O fez olhar para frente mais uma vez,
abaixando agora suas próprias vestimentas e esfregando-se nele, só para vê-lo
tremer.
-AaAah...- A voz dele também estava trêmula, como se
quisesse que ele andasse logo.
-Você quer? – Ele disse, com o tom de voz sensualmente
rouco.
-Sim, sim, eu quero, sim! – Ele clamou, olhando pela última
vez para Vincent antes que ele se empurrasse para dentro e arrancasse um grande
gemido/grito de sua garganta.
Ele também não demorou para começar a se movimentar, bruto,
é claro. Estava até saindo sangue.
-AH, AH, AAAAH, VINCENT, AAAAAAAAAAH! – Ele gemia e gritava,
sem saber outra reação para ter além de pedir por mais. – MAIS FORTE, MAIS
FORTE! – Aiden praticamente ordenava para Vincent isso.
Vincent, é claro, obedecia. Era a sensação de prazer que
sentia a cada movimento e a cada pedido por mais. Até chegou a puxá-lo, para
que parecesse que ele o estava puxando para dentro e de fato, de vez em quando
ele mesmo se movia.
É claro que as mãos de Vincent não ficaram sem trabalho; Ele
as usava para apertar o peitoral dele com certa força, também para arranhá-lo e
apertá-lo, deixando marcas visíveis em todos os lugares que podia com os
dentes.
Até aproveitou o chicote ali para bater nele enquanto se
movimentava. Ah, era tão bom aquilo!
Logo sentiu algo pulsar em seu membro, querendo se libertar.
Talvez o mesmo líquido que caíra inúmeras vezes do de Aiden. Ele sorriu, indo
bem mais rápido e bruto que antes, mostrando-o que já estava próximo do que
chamavam de clímax. E Aiden correspondia, gemendo e gritando no mesmo ritmo,
tal como movimentando-se junto.
E aconteceu. Vincent aliviou-se nele, sentindo a última
sensação prazerosa ecoar pelo seu corpo. Saiu de dentro dele, vestindo-se e
voltando para a frente dele, agarrando seu rosto e beijando-o de leve. A
respiração pesada mostrava que estava satisfeito agora.
Libertou-o e viu-o cair no chão, cansado e frágil.
-Uh...Por que você...Não vem dormir no meu quarto comigo
hoje, Aiden?
-Eu...Eu posso?
-Sim. – Vincent disse, percebendo que ele não conseguia
andar.
Pegou-o nos braços, e levou-o primeiro ao banheiro. Deu-lhe
um bom banho, escoando o sangue que havia em seu corpo, logo após levando-o à
seu quarto, onde dormiriam até que a luz do dia terminasse.
Afinal, já eram cinco da manhã.
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