-Mãe, perguntarei eu mais uma vez. – Disse o ruivinho, um
tanto confuso e raivoso. – POR QUE BULHUFAS NÓS VAMOS PRA RÚSSIA?
-E eu vou lhe responder mais uma vez. – Disse a ruiva maior,
autoritária e já um pouco mal-humorada. – PORQUE ALGUNS AMIGOS DA FAMÍLIA DO
SEU PAI NOS CONVIDARAM!
Os dois ruivos imperativos discutiam no meio da sala, com as
vozes marcantes e altas. Joseph e Gallahad estavam apenas ali, esperando que
eles acabassem. Gallahad, apesar de tudo, já estava ficando impaciente.
-Eles fazem isso sempre?
-Uhum. – Joseph respondeu, sem demora, com um tampão
especial para ouvidos.
-Você me ouviu?
-Uhum. – É claro que não.
-Argh. – O mestiço cruzou os braços, inflando as bochechas e
esperando o tempo passar, ouvindo aqueles dois gritando um com o outro.
Era irritante até, mas algumas vezes chegava a ser
engraçado. Bem, no final, como sempre, Susan acabou ganhando. É claro.
Hierarquia, queridos. Thomas saiu de perto dela, murmurando algumas coisas com
aquele biquinho que ele fazia quando estava irritado, sentando-se no sofá perto
de Gallahad e de seu pai.
Joseph, percebendo que a discussão acabara, tirou os
tampões, dando um sorriso meio torto e indo em direção à Susan, falando outras
coisas. Thomas pensou ter escutado algo como: “Os Wladimir tem tendência a ser
como Thomas: meio violentos e sádicos...” Ou algo do tipo. Bem não se importou
na hora. Desde que nenhum deles encostasse um dedo em qualquer um daqueles três
não se importaria.
O mestiço, que não era lá despercebido, olhou bem a cara
fofa de frustração do ruivo, não demorando a puxar seu bico e as bochechas, com
um sorriso sarcástico estampado no rosto pálido. É claro que também deliciou-se
ao ver o rosto de Thomas corar, sem ter esperado por tais atitudes. Chegou a
rir de leve.
-P-Pare com isso. – Ele disse, gaguejando.
-Haha, nunca. Vou fazer você sofrer até você morrer. – Ele riu,
irônico.
-Nyyyeh. – Ele fez uma careta agora, virando o rosto para o
outro lado. Parecia uma criança nessas horas.
O mestiço riu novamente, puxando-o para perto e roubando-lhe
um beijo indiscreto.
-Pare de agir como criança, idiota. –Ele sorriu sarcástico
de novo.
-Criança? –Thomas fez uma cara de reprovação.
-Sim. Uma criancinha. – O mestiço provocou. – Bem pequenininha
com os bochechões grudados na cara. Ah, e uma língua puxável também.
-Nyeeeh! Deixe minhas bochechas/língua/bico em paz! – Ele tapou
as bochechas, pondo os lábios para dentro da boca.
-Nem pense nisso. Ainda tem o seu pescoço.
-Hm?? – Já que não podia falar, arregalou os olhos de leve e
franziu as sobrancelhas finas. Ele queria sangue agora?
-É sim. Eu tô com sede. – Ele disse, sem sequer esperar para
que ele se preparasse.
Mordeu-o sem muita pena, sem também se importar de sujar os
próprios lábios do vermelho corrente que escapava de sua pele branca e meio
rosada. Ele também não demorou para tirar todas as “proteções” suspirando de
leve enquanto deixava-o sugar seus nutrientes, deixando que ele lhe roubasse o
líquido vermelho.
-Maldito... – Thomas disse, ficando meio fraco. Ele sempre
tomava sangue demais.
O mestiço apenas sorriu e apertou mais a ferida, só para
fazer doer e ouvir grunhidos de dor vindos da garganta dele, que de fato vieram
sem pressa. Ele sabia lidar bem com a dor, apesar de tudo. Que agradável
surpresa. Bem, não ia matá-lo. Tirou as presas dali, enxugando a boca com uma
das mãos, sem se importar de sujar as mangas do casaco.
-Já acabou? Ou só parou pra respirar? –O ruivo disse, pondo
a mão na ferida para doer menos.
-Talvez um, talvez outro.
– Puxou Thomas e beijou-o novamente. – Idiota.
Deu língua para o mestiço, mesmo sabendo que ele a puxaria.
E de fato.
-Você quer parar de puxar a porcaria da língua?
Ele respondeu aos risos.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, e na residência dos
Wladimir....
-Quem?
-Os Riverland, Vincent. Éramos amigos próximos deles. Bem,
continuamos sendo.
-E o quê? Nós vamos viajar até a porcaria do outro lado do
mundo?
-Não.
-Bom. Eu não vou deixar Aiden aqui sozinho.
-Tecnicamenteee ele não estaria sozinho, fiilho. – Disse Khristina,
observando o filho.
-Eu sei, mamãe. Mas a senhora entendeu o que eu quis dizer.
-Hm, Vincent. – Disse Walter, levantando-se e andando até
ele. – Não se preocupe. Eles tem um filho também. Se não me engano, o nome
deles é Thomas.
-Thomas? Pouco me importa.
Walter riu. Ele sabia da situação de Thomas.
-O que tem tanta graça?
-Será mesmo que você diria isso depois de saber que:
Primeiro: Ele é esquizofrênico?
Como Vincent estava de olhos fechados, ao ouvir a palavra
pronunciada pelo pai, não demorou a entreabrir um deles.
-Como?
-E tem mais: Esquizofrênico e sádico.
Ele abriu os dois olhos repentinamente, criando um súbito
interesse pelo tal “Thomas”. Talvez pudesse fazer experiências nele, mas logo
seu prazer foi cortado com a frase de sua mãe.
-Nããão ouse fazer mal à ele, Viiince. A Susan é beem
mal-humorada quando se trata do filho deeela. –Girou algumas vezes, como se
estivesse brincando de ciranda-cirandinha.
-Droga..! – Ele disse, cerrando um único punho. – Eu quero
fazer experiências nele!
-Talvez, numa possibilidade mútua, você consiga permissão do
próprio e da mãe para tal. – Walter respondeu-lhe, irônico.
-Vou ao menos tentar. Vai ser divertido ter um
esquizofrênico...
-Vincent? – Disse Aiden, que ouvira a conversa. Pequena
parte, mas ouviu.
-Ah? Oi, Aiden. – Ele disse andando até o seu lobo
preferido. – Acordou agora?
-Tipo isso... –Não tardou a segurar em uma das pernas de
Vincent, como fazia sempre.
-Aiden, o que ouviu da conversa?
-Que...Pessoas novas iriam vir.... E que você queria usar um
deles em suas experiências, Vincent. – Ele estava com ciúmes. Que fofo.
-Ah, não se preocupe, Aiden. – Ele disse, acocorando-se à
sua altura e segurando seu queixo. – Você é o meu preferido.
Aiden ainda ficou com um pouco de nada de ciúmes, mas não
demonstrou.
-Sim, Vincent.
-Bem, pai. Quando eles chegam?
-Devem chegar pela meia noite.
-Daqui a seis horas apenas? De um vôo de lá para cá?
-Sim. Esses jatos de hoje em dia estão cada vez mais
rápidos.
-Hm...
Bem, como não havia mais nada o
que fazer por ali, Vincent resolveu se retirar, junto com Aiden, para o seu
laboratório, onde passaram o resto de tempo que tinham antes das visitas
chegarem.
Finalmente chegando à Moscou, Susan tremia de frio, Thomas
também, mas menos do que ela. É claro. Eram os únicos meio e totalmente humanos
ali. Joseph nada podia fazer para ajudar, vendo que seu corpo era frio. Só fez
por um cobertor nela enquanto Thomas passou a andar junto à Gallahad.
-V-Você não sente frio? – Ele perguntou, o olhando com uma
cara confusa.
-Eu sou meio lobo. Acha mesmo que tenho frio?
-Vendo o quanto eu te machuco eu diria que sim. Pelo menos
internamente. – Disse, provocando-o ao tocar em suas feridas recentes.
-Maldito. – Franziu as
sobrancelhas.
-Paaaaaaai - Ele
disse, com um tom de voz meio fino para a idade dele. Parecia estar imitando
uma criança. – Falta muito pra chegar?
-Só mais uns dez passos. – Ele respondeu, contando
exatamente quantos passos faltavam.
É nessas horas que agradecia por ter sido bom na matéria que
mais odiava quando era pequeno. Bem, contados os passos, lá estava. A grande
mansão vermelho-escura. Deu um suspiro antes de entrar ali, tocando na porta
algumas vezes para chamá-los até a mesma.
Não demorou para que abrissem a porta. Era Walter.
-Joseph! Susan! Vejam só como estão! – Ele disse, abraçando
os dois por educação.
-Como vai, Walter? – Disse Susan, educada, abraçando-o de
volta.
Joseph fez o mesmo, agora não disse palavra alguma.
-Ah, esses devem ser os seus filhos...? Mas eu achava que
era só um.
-Ah, sim é apenas um. O Gallahad é o namorado dele, ou algo
do tipo. – Susan falava disso tão abertamente. Mas é claro que ela sabia que
Walter não ligava para essas coisas.
-Uh...
-Qual dos dois é o Thomas?
-Sou eu. – Disse o ruivo, olhando para o alto homem que se
encontrava na sua frente. Era tão, uh, clássico? Não sabia a palavra certa.
-E você deve ser o, uh, Gallahad...? –Ele olhou para o
mestiço, notando seu cheiro diferente dos demais e o tapa olho embaixo de seus
cabelos arroxeados.
-S-Sim. – Ele respondeu, sem fazer muita cerimônia.
-Bem, vamos, entrem. – Ele os convidou para entrar, e o
fizeram sem muita demora.
-Com licença. – Susan disse, mas logo um enorme sorriso se
formou em seu rosto ao ver a velha amiga Khristina.
-SUUUUSAAAAAAAAAN! – Khristina disse, correndo até ela e
pulando encima da mesma, também com saudades. – QUANTO TEMPO, MULHER! VENHA NOS
VISITAR MAIS VEZES!
-Money que é good nós não have. – Ela brincou, fazendo a outra mulher rir.
Ambas se levantaram, cumprimentando uma a outra,
abraçando-se e dando risadinhas em seguida. Não demoraram para se afastar e
começarem a conversar aquele, uh, papinho de mulher, como os homens ali
presentes chamavam.
Joseph começou a conversar com Walter enquanto Thomas e
Gallahad se encontravam sem nada o que fazer. Não iam desrespeitá-los. Estavam
na casa de outra pessoa, nem daria para se ‘pegarem’ como dizem os jovens de
hoje em dia. Suspiraram e procuraram por um lugar confortável para se
aconchegarem.
-Aaaaah, queriido? – Disse Khristina, notando a ausência de
Vincent e Aiden.
-Sim, Khristina?
-Não acha que está faltando alguééééém? – Ela olhou
diretamente para a porta do laboratório do filho.
-Ah sim. Só um momento, Joseph.
-Claro.
Walter levantou-se, indo em direção à porta e batendo na
mesma com certa força, já que Vincent não dava a senha para ninguém. Nem mesmo
para Aiden.
-Vincent!! Eles já estão aqui, seu desavisado!
-Tá, tá, estamos saindo! – Ele respondeu, não tardando a
aparecer.
Viu as figuras estranhas...
Um homem alto, moreno de moicano. Era um vampiro também. Uma
mulher um pouco mais baixa, ruiva, com cara de idiota e, argh, humana. Logo
depois achou-se interessado naqueles outros dois sentados no sofá...
Qual deles seria o esquizofrênico?
O que era meio humano ou o que era meio lobo?
Fez uma cara pensativa, mas logo o seu pai lhe empurrou para
apresentá-lo às visitas.
-Susan,Joseph,Thomas e Gallahad, esse é o meu filho,
Vincent. Achei melhor apresentá-lo a todos de uma vez porque assim fica mais
fácil. Ah, e esse ao seu lado é Aiden.
Assim que Walter terminou de falar, largou o filho ali, indo
de novo em direção a Joseph. Vincent ficou ali observando os dois rapazes
sentados, que devolviam o olhar.
“O que esse cara quer com a gente? Para de encarar.”
“Qual deles era o esquizofrênico sádico?”
Vincent e Aiden aproximaram-se dos outros dois,
cumprimentando-os.
-Bem, como devem ter percebido, somos Vincent e Aiden. Mas
ainda não sei quem são.
-Eu sou Thomas.
-Gallahad.
-O que exatamente vieram fazer aqui?
-Não sei. Foi ideia da minha mãe.
-Hm... – Vincent deu uma boa olhada no ruivo, notando que
ele era pequeno e ‘fofinho’. De jeito nenhum ele seria o sádico esquizofrênico.
Ou o ativo da relação. Resolveu fazer graça com ele, como fazia com outros
menores que si. – Você é baixinho, Thomie.
-Cuma? –Ele disse, franzindo as sobrancelhas e encarando-o.
-Baixinho.
-Ei. – Gallahad disse, chamando a atenção dos dois. – Só eu
chamo ele de baixinho.
-Não, nem você! – Thomas disse, avermelhado.
-Baixinho,baixinho,baixinho! – O mestiço disse,
provocando-o.
-Ah é?
-É.
-Tomate.
-HUH? – Lembrou-se do dia em que foi chamado desta
repugnância pela primeira vez.
-Toooooomaaaaaateeeeee – Disse, como se estivesse
ensinando-o como dizer a tal palavra.
Vincent e Aiden chegaram a rir da situação.
-Gostei de vocês dois. São interessantes. – Disse Vincent,
olhando para Aiden em seguida. – Não acha?
-É-É claro, Vincent.
-Ei, vocês querem ver o meu laboratório? – Ele perguntou.
Estava tão decidido a encontrar o sádico que até mostraria seu depósito de
sangue para eles, sem se importar de que estivessem com sede ou não.
-Laboratório?
-Sim. Faço experiências, vamos dizer, com sangue lá.
Thomas foi o primeiro a se interessar.
-Com sangue? Que quer dizer?
-Vamos lá que eu lhe mostro.
Os dois resolveram acompanhá-los indo até a grande porta de
metal. Os pais dos dois ativos não pareciam se incomodar com aquilo. Ainda.
Assim que entrou, o ruivo encantou-se com tamanha ‘beleza.’ Sim, seu conceito
de beleza era perturbado. Ao menos um pouco. Gritos e clamores por liberdade, choros,
maldições pronunciadas, grunhidos e gemidos. Haviam até animais e humanos
taxidermizados ali! Era o laboratório perfeito! Simplesmente isso!
Vincent não notou de primeira a reação de Thomas. Apenas
viu-o animando-se milésimos depois, arregalando os olhos de leve. Bom, talvez
ele fosse um passivo masoquista também. Nunca se sabe, não é? Mas bem.
Continuaram os quatro a andar. Vincent mostrava os caminhos e nomeava cada
cobaia pela qual passavam, mostrando-lhes com certo orgulho.
-Ah, essa é a cela de Aiden.
-Aiden é um de seus experimentos?
-Meu preferido. – Ele respondeu, acariciando o pescoço fino
de Aiden e seu rosto também.
Thomas deu um sorriso ao ouvir sua frase, ainda sem entender
muito o porquê. Mas enfim, não ficaria pensando nisso. Afinal, tinha seu
próprio passivo para testes de dor, não? Risadas internas foram dadas por ele.
Era tão bom quando tinham sessões de sadomasoquismo, mesmo sem usar aqueles
instrumentos que eram geralmente usados pelos humanos.
-Bem. Eu não agüento mais. – O loiro disse, olhando para os
dois fixamente.
-Huh?
-Qual dos dois é o sádico esquizofrênico? Eu quero fazer
experiências nele.
------------------------------------------------------------------------------------------To
Be Continued.
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