quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Pequena Cavaleira e sua Preciosa Heroína.

Era uma vez uma pequena cavaleira.
Ela era adorada pela população, aclamada por todos por sua grande força e coragem.
Ela defendia a tudo e a todos, sempre com um sorriso no rosto.
Mas ela não era assim
Não era a verdadeira cavaleira.
.
Na verdade, por mais forte que parecesse,
A pequena cavaleira era frágil e fraca por dentro.
Era como porcelana.
Podia quebrar por qualquer coisinha.
Alguns sabiam disso, e esses mesmos tiraram seus proveitos.
.
Rachaduras nela foram feitas.
Cada uma mais profunda que a outra.
Grande foi tristeza.
Grande foi sua raiva.
Mas a pequena cavaleira era muito fraca para revidar.
.
Um dia, quando ela chorava e chorava,
Alguém a encontrou.
Do nada
Sem aviso.
Era uma moça, como ela, também quebrada por dentro.
.
No início nada falaram, aliás ,quase nada.
Mas com o tempo passando, elas passaram a se ver a se falar,
Cada vez mais.
Até tornarem-se amigas.
.
A pequena cavaleira, aos poucos, ia se consertando, tal como a moça.
Aos seus olhos pequenos e castanhos, ela era como uma princesa.
Alguém precioso que precisava de sua proteção.
Por mil invernos e primaveras ela a protegeu,
Sem de nada se arrepender.
.
Ao menos pensou que sim.
Não sabia o que se passava pela mente da preciosa amiga.
Às vezes ela ficava muito,mas muito triste.
Mas nada lhe contava.
Será que na cavaleira não confiava?
.
Talvez.
.
Mas..
.
A pequena cavaleira não se importava.
Não se importava de maneira alguma.
Aquela moça lhe salvou de mais rachaduras.
Mesmo que algumas ainda tenham sido formadas com a própria...
Muitas outras foram poupadas.
.
A moça lhe protegeu quando a pequena cavaleira estava exposta e desprotegida,
Lhe deu abrigo quando estava sozinha,
Consolou-a quando estava triste.
A moça virara o mundo da pequena cavaleira.
Mas ainda não era suficiente para a pequena.
.
Ela queria mais.
Não de um jeito romântico, claro que não.
Mas algo de uma amizade verdadeira.
Algo sobre uma amizade duradoura.
Amizade Pura.
.
Foi a moça que lhe salvou do vazio.
Que lhe salvou da solidão.
Do sentimento, tão ruim, da tristeza.
Mesmo que ainda tenham suas recaídas, ambas.
Talvez fosse para ser assim.
.
Uma protegendo a outra.
.
Talvez isso não dure para sempre.
Talvez imprevistos e mais imprevistos aconteçam..
E que o belo laço delas fique por um fio.
Mas...
.
Se dependesse da pequena cavaleira,
Jamais tal coisa aconteceria.
Ela amava aquela moça.
A sua heroína.
A heroína de uma cavaleira.
.
A que não a deixou quebrar quando estava na ponta da mesa.
A que conseguiu, de certo modo, a sua confiança, há tanto perdida por tantos outros.
Ela a considerava como uma mãe.
Uma amiga mãe. Uma heroína mãe.
.
Talvez essa moça não gostasse de ser chamada de tal forma,
Mas a pequena cavaleira sempre esquecia.
Ela escrevia e desenhava para ela, pensava nela todas as manhãs,tardes e noites.
É claro, não o tempo todo.
.
Mas em sua mente, seu coração,
A pequena cavaleira sabe.
Que ela se tornou seu bem mais precioso.
Aquela a quem queria para sempre proteger, fazer companhia...
Aquela a quem sempre desejaria a amizade.
.
Alguém...
.
Que pudesse confiar.
E amar.
De uma forma que não fosse estranha.
Que não fosse traída.
.
Talvez não fosse nada especial.
Talvez houvessem outros para ela, mais preciosos até.
Mas por mais que a pequena cavaleira seja ciumenta,
A deixaria livre.
.
Bastava ela pedir.
.
As vezes, quando achava que a deixava com raiva, sentia uma tristeza profunda.
Sentia vontade de fazer coisas que não deveria.
Mas à essa mesma heroína prometera que não iria.
E a cavaleira não quebra as suas promessas.
.
Provavelmente a moça ainda não sabe o quanto ela significa para a cavaleira.
Talvez nunca saiba.
Mas...
.
A pequena cavaleira, que tanto a ama, só deseja a sua felicidade.
Só deseja o sorriso verdadeiro em seu rosto.
Só deseja ver você alegre.
Livre.
Calma.
Voando pelos ares como um livre beija-flor.
.
“Você é muito especial para mim, querida momrail. <>”
-Jackie






segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Meu Primeiro

Ainda nevava.
O pequeno de cabelos prateados, tão mais velho para sua aparência, andava tranqüilo sobre a superfície branca e meio fofa, ainda com a expressão gelada que sempre estava estampada em seu rosto, quase albino. Ele, de vez em quando, olhava para trás e via os passos que haviam ficado marcados em seu caminho.
E então continuava.
Passo após passo.
Mas ele não estava sozinho dessa vez.
De vez em quando, também, olhava para o seu lado direito, onde avistava a figura que dizia ser seu dono desde aquele dia. Do dia em que se conheceram. Flame era seu nome.
Não era lá a pessoa mais educada do mundo, muito menos a mais calma, mas quando estava ao seu lado parecia ser tão, digamos, diferente. Parecia ser tranqüilo e não ter problemas com a própria vida. E os pequenos sorrisos de que vez em quando apareciam no rosto ao retribuir-lhe o olhar agradavam ao pequeno.
Ele andava ao seu lado com uma de suas mãos atada à de Snow, e a outra em seu bolso. Ele parecia estar corado. Nunca havia passeado com alguém antes?
-Algo errado, Flame? – O pequeno perguntou.
-Ah, o quê? – Ele parecia surpreso com a pergunta. – Não, não, estou bem. – Aquele sorriso meio sem jeito sempre deixava o pequeno internamente sorridente.
-Então...Se importaria de me soltar? Eu queria correr um pouco... – Ele disse, desviando o rosto e fazendo um pequeno bico com a boca, fazendo uma expressão de criança brincalhona.
-Como você vai correr aqui, Snow? – Ele disse,num tom irônico.
-Eu sou mais acostumado à neves pesadas do que você pensa. – Ele fez pose, soltando-o e pondo ambas as mãos na cintura. Era raro vê-lo assim, tão “solto”. Era tão calado, este menino.
-Mesmo assim... Não. – Ele o puxou de volta, grudando-o à seu corpo quente, é claro, com a temperatura controlada para não queimar o menor.
-Por quê?
-Porque eu disse não.
-Malvado. – Ele inflou as bochechas, se afastando um pouco dali.
-Sou mesmo. Especialmente quando meu pertence quer sair da minha vista.
-Nyeh.
O maior riu de leve.
-Tá bem. Mas você não vai, exatamente, correr...
-Que quer dizer?
Ele parou de andar por alguns momentos e virou-se para o menor, ficando frente a frente com ele. Logo após ele sorriu ironicamente, abaixando-se e virando-se de costas.
-Vamos, suba.
-Huh?
-Você quer ir rápido ou não?
O menor não respondeu. Meio inseguro, ele segurou-se nas costas do maior e ajeitou-se ali de um modo que ambos ficassem confortáveis. Logo após isso, o maior se levantou e começou a correr pela neve com uma boa velocidade, também com o rosto virado para ver as reações do pequeno.
Ele sorria.
Melhor assim. Gostava de quando ele sorria e se divertia. Parecia tão solitário da primeira vez que o viu...Com aquele olhar gélido e as pinturas macabras que ele fazia...Era claro que ele tinha uma mente vazia, e ao mesmo tempo cheia com solidão e morte. Era bom tirar isso da mente dele, ao menos por alguns instantes.
Ouvir as risadas dele eram a melhor coisa que, em sua vida dupla, poderia ouvir. Sim, possuía uma vida dupla. De dia era normal, indo à escola, metendo-se em confusões e ,desde aquele dia, ficando com Snow. Mas a noite já era outra história...
Mas essa não é uma história que alguém precise saber. Não teria de fazer nada hoje. Então passaria todo o dia com aquele à quem mais dava importância, até então. 
Corria em zigue-zague, linha reta, circulando...Tudo o fazia rir. Ele até lhe pedia para ir mais rápido! E também, se fosse por ele, não se cansaria nunca. Ele tinha um peso pequeno também, então não era lá um problema carregá-lo. Até chegou a rir por si mesmo, satisfazendo-se com os barulhos, tão fofos, que dele ouvia.
Mas é claro que tanta diversão só podia ficar melhor, ou não. No meio do caminho, ele acabou caindo de cara na neve, deixando Snow preocupado e um tanto assustado por ter sido de repente.
-Flame? – Ele perguntou, aproximando-se dele e fazendo certa força para tirá-lo dali.
-Bu! – Flame disse, dando um susto no pequeno, fingindo que antes sentia dor.
-Ah! Não faça isso, crianção! – O pequeno disse, pois havia se preocupado.
-Nyeh, Snow. Farei quando eu quiser. – Ele falou, sem perceber a maneira de tê-lo dito.
-Você também não precisa ser grosso. – O menor cruzou os braços, olhando-o com as sobrancelhas franzidas.
-Eu fui? Ah, desculpa. – Ele se levantou, destacando a grande diferença de altura que ambos tinham.
O menor o olhava de cima, sentindo-se uma criança perto dele.
-Hah, venha logo. – Ele disse, pegando-o pela cintura e pondo-o nos ombros, como geralmente o carregava.
-Por que sempre me carrega assim?
-É mais fácil. – Ele disse. – E também assim tenho garantias que você não escapa de mim.
-Por que eu iria querer escapar de você?
-Não sei.
-Não confia em mim?
-Confio.
-Hm... – O menor, querendo retribuir a brincadeira, resolveu usar o fato de ele estar meio distraído e pular dali, só para que ele o caçasse. Por sorte, acabou caindo são e salvo na neve fofa. – Então venha me pegar, meu dono. – Ele sorriu e começou a correr de novo, com um tom brincalhão em sua voz.
-Huh? Ah, seu pequeno..! – Ele não encontrou alguma palavra para completar, mas correu atrás dele, também brincalhão.
Era pega-pega, não era?
Mas bem, enquanto corria, Snow deparou-se com uma outra figura...Uma moça, para ser exato. Ele parou, observando-a. Ela parecia com sua mãe, apesar de saber que ela não era. Imaginou quem ela seria por alguns momentos, mas ao ouvir e sentir os passos do maior,virou-se e pôs-se a correr mais uma vez.
Flame o perseguia por olhar suas pegadas, não tão profundas, mas visíveis, na neve. Mas ele também se deparou com a moça...E o pior de tudo: Aquela específica! Que droga, o que ela estava fazendo aqui?
Bom, por sorte ela não o viu. Ele saiu andando devagar para não fazer muito barulho, então ela não conseguiria ouvi-lo.  Mas não deu muito certo. A moça se virou e o viu, e não demorou para correr até ele.
-Flame Revzis!! – Ela disse, aproximando-se.
Ela se revelou ser uma garota com longos cabelos negros, pele um pouco clara, mas não tanto,  usando um kimono japonês rosado, com alguns enfeites no cabelo.
-O que faz aqui, Noriya?
-Nada. – Ela disse, sorrindo. – E você?
-Estava ocupado...
-Não me parece que estava... – Ela disse, insistindo.
Enquanto isso, escondido atrás de uma daquelas enormes árvores, Snow ouvia e via tudo, curioso a respeito daquela garota. Ela era, de fato, parecidíssma com sua mãe. Só que sua mãe era albina e um pouco mais alta. Não fosse por isso, juraria que era a mesma.
-Mas estava. Deixe de insistir no que não sabe!
-Argh, continua grosso como sempre, né, seu tapado? – Ela disse, já mostrando os traços de sua verdadeira personalidade.
-Cale-se, vadia.
Ficou muito claro para Snow que eles se detestavam. Sentiu-se um tanto aliviado por não precisar sentir ciúmes dos mesmos à sua frente.
-Vadia é a sua mãe.
-Eu sei!
Ela deu língua para ele.
-Então, quem você estava seguindo?
-Seguindo?
-É. Se você diz que está ocupado, nesta situação, você só poderia estar seguindo alguém.
-O que eu faço e deixo de fazer não te interessa.
-Se não me interessasse eu não perguntaria. – Apesar dela mesma não admitir, e dele não saber, Noriya gostava ‘daquela’ forma de Flame. – Quem seguia?
-Ninguém. Ninguém que te interesse de fato. – Ele disse, com as sobrancelhas franzidas e um olhar de desprezo, logo voltando à andar.
-Argh, você é um idiota, sabia?!
-Quem liga?
-Arrrgh!
Logo ela sumiu de sua vista. Menos mal, poderia voltar a ‘caçar’ Snow em paz. Voltou à seguir os passos que ele deixou, sem demorar a chegar na árvore que ele antes estava. Mas ele não estava mais ali. Para onde poderia ter ido? Olhou para os lados, para frente e para trás.
Nada.
Onde Snow estava? Onde estava seu pequeno?
Ele se preocupou por alguns momentos, mas aí sentiu algo cair encima de si e tapar seus olhos. As mãos, gélidas como as de um cadáver, o denunciavam.
-Achei você, Snow. – Ele disse, pondo as mãos para trás e segurando o corpo pequenino.
-Acho que foi ao contrário. – O pequeno respondeu, sentado ali.
-Vamos agora. Não tens mais escapatória.
Ele riu e respondeu.
-Está certo.
Por fim saíram daquele local, tão gelado, e foram para a rua, em direção à residência de Flame. Pensando bem, era a primeira vez que Snow a veria, então manteve sua curiosidade um tanto quanto contida. Chegando lá, a primeira coisa que fez foi ligar o tão não usado ar-condicionado, só por saber que o pequeno gostava mais de frio do que de calor.
Ora, é claro que sim. Ele controlava a neve,o gelo e tudo relacionado a tais coisas...Mas não importa. Queria conversar certas ‘coisas’ com ele, mesmo que não tenham ficado juntos há tanto tempo assim.  
Pôs ele no chão e começou à falar o que queria.
-Uh...Por que não se s-senta, Snow? Eu queria falar contigo...
-Está bem. – Ele disse, obedecendo-o e sentando no sofá que ali tinha. A casa dele era tão bagunçada...Adoraria por certa ordem ali, mas é claro que ele não aceitaria. Sabia que ele não gostava de coisas muito arrumadas. Bem, ao menos o quarto dele estava, digamos, decente. – Sobre o que gostaria de falar, Flame?
-É que...Uh...
-Hm?
-Calma! Eu estou pensando num jeito de te falar..
-Eu estou calmo.
-Desculpa.
-Hm.. –Ele já estava com a mesma expressão de sempre: vazia.
-É que eu...uh...- Engoliu em seco. – Argh, eu quero fazer...
-Fazer?
-Desculpa, não tenho outro jeito de falar isso... –Ele falou, juntando as letras, logo, então, completando a frase anterior. – Eu quero fazer sexo com você, Snow!
-Oh...- Ele arregalou os olhos e corou um pouco, desviando o olhar. – Isso foi.. uh..Inesperado.
-Eu sei que é muito repentino e tal...Mas... – Ele suspirou. – Faz algum tempo já...Que venho tendo esse tipo de desejo com você.
-Entendo... – Ele continuou sem mudar a expressão, ainda com o olhar e o rosto desviados.
-Então, uh...
-Hm?
-V-Você m-me permite..Ser o seu p-primeiro? – Ele era tão fofo quando estava gago.
-Eu não sei...Estou um tanto, uh... Nervoso. – De fato ele estava. O rosto não havia deixado de corar. Ele estava bem tímido por causa daquele pedido dele. – M-Mas...
-Mas...? – Tentou encorajá-lo a dizer.
-M-Mas...Podemos tentar. – Ele disse, querendo fazer um esforço pelo que se dizia seu dono. Mas também não ia mentir e dizer que não gostava dele...Ele também tinha certa importância, aliás, muita importância para si.
Também sem contar que desde que se conheceram, Snow passou a sorrir de novo. Então por que não recompensar o causador de tanta alegria com prazer? É claro, não iria se vender. Não era nenhum prostituto. Era só...Para deixá-lo feliz... Mesmo que doesse...
-Podemos?? Quer dizer...Tudo bem se você não quiser.
-Não, eu quero. Eu quero..Poder dar a você o que você quer, Flame. – Ele engoliu em seco também, ainda nervoso.
-Snow... - O maior o abraçou, sem ter lá certeza se ele dizia a verdade.-Tem certeza..?
-Tenho. – Ele retribuiu o abraço lentamente, convencendo a si mesmo que o que dissera agora era verdade.
-Então, uh...Se importa se for agora, neste instante? É que eu estou meio ansioso...
-Não, sem problemas.
Flame calou-se por alguns segundos, mas logo passou a aprofundar o abraço que estava lhe dando, pondo menos força e tentando controlar a temperatura de seu corpo, mas a respiração tornava-se cada vez mais pesada e descontrolada, explorando cada canto do pescoço do pequeno à sua frente.
Snow não demorou à abafar os suspiros que a garganta lhe ordenava a fazer.  Ele podia sentir um ar meio possessivo dele agora, já que deu-lhe permissão para tal ato. Um ar meio...Afiado... Não sabia como explicar.
-Não abafe...Snow.. – Ele disse, num tom de voz sensualmente rouco.
-Ah.. Certo, Flame.. – Ele disse, abafando um suspiro pela última vez.
O maior, então, passou a ser mais ousado: Ousou começar a desabotoar alguns dos botões da camisa de Snow, acariciando a macia pele que estava por baixo da mesma, nem tão delicado assim. Parecia desesperado pelo desejo que na hora sentia.
Ele também começou acariciar o tórax do mesmo com certa malícia, usando a boca, ainda em seu pescoço, para dar-lhe leves mordiscadas e lambidas, aproveitando cada som que escapava daqueles lábios pálidos e rosados.
Abaixou-se dali, traçando uma linha do pescoço ao peito com a língua, aproveitando para dar atenção aos dois pontos rosados da área, bem malicioso e desejoso. Parecia querer devorá-lo pouco a pouco, até que finalmente o conseguisse por completo.
Snow achava que se sentiria completamente enojado com suas ações, mas não sentiu-se dessa forma...Pelo contrário, à cada toque que ele lhe dava, só o deixava com uma ansiedade maior e com certa manha. Era uma sensação boa que ali sentia. O rosto queimava em vermelho por estar, a cada segundo, mais exposto.
Ele parecia ser experiente nisso..Então quer dizer que ele não era virgem?
Snow ficou curioso e meio ciumento por não ser o seu primeiro também, mas resolveu ficar calado em relação a isso. Não precisava por esse peso nos ombros do que o fez sorrir. Até perceber que ele abaixara um pouco mais...Para perto de seu short.
-A-Ah...Flame? – Estava claro que estava nervoso.
-Shh... –Ele disse, com a sobrancelha franzida. Ele estava com um ar bem possessivo e até mesmo meio agressivo... Chegou a dar medo.
É claro que se calou depois daquilo, com medo do que ele faria consigo. Talvez devesse ter dito não, mas agora estava feito. Não ia parar no meio de tudo...Queria que ele tivesse o desejo satisfeito. De qualquer maneira possível.
O maior pôs-se a remover as calças do menor de uma maneira lenta, como se quisesse torturá-lo, mas cansado de sua própria demora, simplesmente as jogou dali rapidamente, não demorando para expor o menor por completo. Era belo, aquele corpo quase albino...
Não demorou também para tocá-lo. A perfeição imaculada tendo agora sua pureza retirada... Por ninguém mais ninguém menos que Flame. Era incrível.
Ele pôs os lábios no membro virgem do garoto, começando de imediato a tentar dar-lhe prazer. Passava a língua pela extensão e de vez em quando o colocava por inteiro em sua boca, sem se importar com o quão frio tal coisa era.
O menor estava com os lábios – e a própria voz – trêmulos, e a cabeça erguida. Estava meio esticado também, estranhando essa nova sensação, tão boa ao seu sentido. A respiração confusa o deixava um tanto mais nervoso do que já estava...Por que era tão bom?

----------------------------------------------------------------------------------To Be Continued?

sábado, 23 de novembro de 2013

Thomas' Diary #LastDay

Sábado.
Essa foi a semana: Tediosa e maravilhosa ao mesmo tempo. Que ironia. Que poderia fazer eu, vendo que me diverti e me entediei tanto?
Eu praticamente venci o exército do país e dormi, matei várias e ‘inocentes’ vidas e ri. Os suspiros e sussurros que escuto diariamente só aumentam e aumentam. Esquizofrenia, apesar de tudo, pra mim é uma benção. Algo muito bem dado para mim: Uma doença mental.
Só assim eu poderia ser como eu sou, só assim eu poderia ser Thomas Chase Riverland. O filho de Susan Chase e Joseph Riverland, namorado ou ficante, já que nunca nos pedimos em tal coisa, do Gallahad.... Um assassino pra variar.
Eu poderia trabalhar com isso...Assassinatos... Mas eu não mato por dinheiro, eu mato porque eu gosto. Eu amo. É divertido ver e sentir o sangue jorrando na sua pele, e descendo pela sua garganta. É bom ser um mestiço como eu: um sádico. É ótima a sensação.
Bom, o que me irrita são aqueles gritinhos de ‘por favor não me mate’ que a maioria fala. Prefiro aqueles que fazem desafios para mim ou que correm para salvar suas vidas. Aqueles que param para implorar são muito irritantes e são os primeiros que eu mato. Os que correm, que lutam, que até me ferem são os meus preferidos.
Eu gosto de desafios, gosto de vencer no final. Não de simplesmente matar.
A vítima que eu escolho deve ser alguém que ame a própria vida e que não queira morrer, alguém que eu possa ver a frustração no olhar quando eu arrancar-lhe a cabeça ou algo do tipo. Alguém que tenha vida nos olhos, sendo retirada no momento que a garganta cortada e as cordas vocais dancem junto com o vento. Que elas caiam e que uma pedra caia sobre seus corações por ‘acidente’.
Alguém que tem o batimento cardíaco acelerado, passo rápido, desespero suficiente para matar outros para se salvar. Me diverte. A sua dor me diverte.
E graças a alguém que consegui achar o Gallahad. Eu já estava ficando cansado de tanto tédio e sem ninguém que gostasse de dor por perto. Era um saco ter de matar no final, depois de tanta tortura. Tudo bem que eu gosto e nada posso falar, mas eu queria alguém que me entendesse além dos meus pais.
Que me entendesse e deixasse que eu o machucasse.
É claro que nunca esperei por ele, sempre desejei na verdade, mas nunca esperei. Nunca esperei que, de repente, enquanto eu matava as pessoas da cidade, eu fosse sentir um cheiro diferente do usual. Um cheiro de mestiço, meio vampiro meio lobo.
Me lembro que assim que senti, segui o seu lugar de origem para descobrir o dono do cheiro. É claro que já cheguei atacando também. Ele me segurou com aquelas Gunblades que ele possuía e chamou-me de caçador. Eu ri, ninguém nunca me chamou disso.
Percebi que ele estava morrendo de sede ou algo do tipo, mas que hesitava em matar humanos. Talvez não gostasse do sabor que o sangue deles tem....E de fato, é horrível. Como a minha mãe consegue superar esse gosto? O sangue dela, pra variar, é bom... Mas não é dela que eu estou falando.
Lembro-me também que quando eu me virei para voltar a matança, ouvi ele cair. Levei-o para casa e não me importei de bater a cabeça dele em algumas coisas, para ver se ele acordava. Mas foi só o sofá que salvou-o da inconsciência.
Ele me atacou e tentou sugar o meu sangue! Aquilo era inédito pra mim! Fiquei bem animado, apesar de ter lutado contra ele. No final, ele conseguiu me imobilizar de um jeito e me mordeu quase que imediatamente, com bastante força. Estava, de fato, muito sedento.
Chegou a doer bastante, mas assim que ele se engasgou e se afastou para tossir, aproveitei para me levantar e pegar algo para cobrir a ferida. O cheiro de sangue estava muito forte. Eu também disfarçava um pequeno sorriso, vendo ele lamber as próprias mãos que estavam sujas com o meu sangue por pura sede.
Suspirei e fui tomar banho, e ele finalmente voltava ao normal.
Foi nesse dia também que tivemos o primeiro sadomasoquismo, mesmo que sem-querer querendo. Quem manda ele amassar a rosa dos outros?
De qualquer forma, estou feliz de tê-lo encontrado. Os pedidos por mais que ele faz me deixam cada vez mais apaixonado por ele, mesmo que não da forma que os humanos estão acostumados.
Quero dizer, eu não quero que ele morra nem nada do tipo, mas eu quero feri-lo e ouvi-lo gritar. Eu quero ouvi-lo implorar por mais dor, por mais sangue lhe sujando, por mim. É claro que ele, uma vez, me viu esquizofrênico, mas ele não sabia disso ainda.
Na verdade, ainda não sabe...Não tenho coragem para contar... E se ele me deixar por causa disso? Achar que não sou eu que gosto de feri-lo?
São muitas coisas que quero contar e perguntar, mas não consigo...
Mas enfim.
Essa foi a minha semana, e não tenho mais nada à dizer. Tudo o que fiz é totalmente responsabilidade minha....
Por que não tenta me prender?
Ou me matar?

                                                                                                                              -Thomas

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Thomas' Diary #Day6

Sexta.

Me senti tão poético hoje...

Tão violentamente poético....

Pois ouvi eu a melodia da morte, a mesma que em minha mente tem tal letra, mesmo que contenha a melodia de uma lua. Ouvi e ainda estou ouvindo, os sussurros inacabáveis que as vozes em minha cabeça produzem, dizendo-me o que fazer e o que deixar de fazer...Ouvi a Moonlight Sonata feita por Beethoven...Senti como se eu fosse seu aprendiz.

Sabemos nós que Beethoven não era lá alguém muito educado. Pelo contrário, ele é meu ídolo justamente por isso. Ele era praticamente um troglodita! Mal educado e poeticamente sombrio...Tal como o meu escritor preferido Edgar Allan Poe... Me deram muita inspiração neste dia, tão maravilhoso!

Meu piano, ainda sujo de sangue, serviu para o cenário. Os sobreviventes do exército, trêmulos de medo, serviram como os atores e Gallahad serviu como a platéia. Eu era o diretor... Eu fiz os soldados praticamente torturarem-se...Torturarem seus próprios corpos. Mas é claro que eles eram bem mais leves que eu, sem querer sentir dor.

É claro também que me cansei rápido e andei até eles a passos rápidos, tomando seus pescoços em minhas mãos e comandando-os à se esfaquearem. Ou eu mesmo o faria. E seria bem mais doloroso. Eles até me obedeceram, mas como três estúpidos de novo. Eu arfei algumas vezes por frustração e resolvi logo pegar aqueles cabeças ocas e enfiá-los na porcaria do piano, estourando a cabeça deles com a tampa do mesmo e fazendo o sangue deles jorrar sobre meu rosto, minha roupa, minha pele...

Eu ri como um louco naquela cena, os miolos caindo de um lado para o outro e o sangue a escorrer pelas teclas pretas e brancas do instrumento. A cara que Gallahad fazia que era horrorizada e ao mesmo tempo sorridente me deixava ainda mais animado do que nunca. Eu quis...Eu admito que quis fazer o mesmo com ele por alguns momentos, mas logo eu parei de desejar isso. Eu não queria matar o cara que eu gostava! É claro que não! ARGH.

A loucura é confusa...

De qualquer forma, para me controlar, avisei a ele para subir que depois eu o recompensaria, mas quem disse que ele me obedeceu? Ele, na verdade, desceu e praticamente me ordenou para que eu fizesse o mesmo com ele. É claro que não exatamente a mesma coisa...Ele só queria a dor.

E eu a dei, com muito prazer.

Ver o sangue dele escorrendo e os gritos e os clamores só me deixam excitado e animado, querendo cada vez mais tê-lo só pra mim. Pra minha diversão. Mas aí me lembro que ele tem um corpo frágil...E que se não me controlasse eu o perderia... Parei assim que ele começou a ficar inconsciente.

Carreguei-o nos braços, levando para o banheiro para ter um bom banho, e depois o levei para o quarto, esquecendo-me dos corpos ali presentes e pondo-o na cama. O cobri com certa gentileza, e beijei sua testa, dizendo que o amava em seguida. Que estranho...Eu nunca disse isso na cara dele...
Ele ficou meio corado com isso. Foi bonitinho.


                                                                                                                                                -Thomas

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Thomas' Diary #Day5

Quinta.
E hoje, apesar de eu não ter achado de primeira, foi um dia muito melhor que ontem. Muito melhor mesmo. O exército veio! O EXÉRCITO!! Sabe o quão feliz eu me senti por matar todos eles? É uma sensação maravilhosa!
Eu passei o dia rindo e me divertindo, também sujando-me com o seu sangue vermelho vibrante. Até os vi queimar com gasolina e ácido em seus corpos ,que ,é claro, eu mesmo joguei. Foi muito engraçado vê-los queimar. Ver suas peles esbranquiçando e se deteriorando pouco a pouco, deixando sua carne exposta e bem visível...
O sangue que escorria de suas gargantas cortadas me fazia sorrir e querer mais. Até cheguei  a me arranhar! A mim mesmo, imaginas? Hahaha, nem chegou a doer...Preciso afiar mais as minhas garras. Estão ficando redondas de novo.
Sem contar que depois de tudo, quando cheguei em casa encharcado de sangue, comecei a ter mais e mais inspiração e deu para compor umas 5 ou 6 músicas, não me lembro bem agora. Ah, quando comecei à tocá-las quase me deu prazer no coração, um prazer que seria daqueles que Gallahad me faz ter de vez em quando, mas dessa vez fomos só eu e o piano.
É claro que meu masoquistazinho estava perto, ouvindo e vendo tudo. Aquela cara que ele fazia era meio hipnótica, me deixava com vontade de continuar tocando aquilo. Nem me importei de sujar um pouco o piano de sangue. Ficaria perfeito assim. Afinal, sou um pianista louco, sádico e entre outros... Bem, ao menos é o que os meninos de onde estudo ficam falando de mim pelas costas.
Mas é claro que eu escuto.
Não sou lá o último a saber das coisas que acontecem por lá, na verdade sou um dos primeiros. Basta que alguém invente coisas sobre mim. Umas horas depois ou no máximo um dia depois, o mesmo estará morto. Engraçado não?
Às vezes é bom também ter essas vozes sussurrantes em minha cabeça, dizendo-me o que fazer e o que não fazer. São bons professores de matança, de raiva...
Bem, hoje esse foi o meu dia.
É tudo que eu consegui escrever.

                                                                                                                                         -Thomas

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Thomas' Diary #Day4

Quarta.
Hoje já foi um tanto diferente. Tinha mais pessoas no colégio. Bem mais pessoas... Não entendi bem o motivo daquilo. Só sei que todos, sem exceção, me encaravam e alguns até tinham armas. Imagino eu, só imagino mesmo,que eles vieram para me matar. Há. Podiam até tentar, eu ia deixá-los chegar perto de mim.
Foi divertido matá-los, já que fizeram isso mesmo. Deixei até que me tocassem! Ah, como me diverti com os gritos de horror que as criancinhas faziam. Ah, e também com aquele cara que tentou me acertar com uma pá! Aquilo foi bem engraçado mesmo... Tiveram até alguns que desistiram e fugiram...Mas é claro que foram justamente esses com quem me diverti mais.
Lembro-me de uma mulher que no início, quando estavam todos os humanos dali contra mim, foi a primeira a me atacar. E a última que eu matei. Dei um jeito de deixar as cordas vocais dela aparecendo. Me sujei mais do que nunca com isso. Arranquei muitas cabeças... Estou sujo até agora. Tem até manchas de sangue sujando essa página!
Posso dizer meu dia hoje no colégio foi maravilhoso! Bem do jeito que eu gosto. É claro que tive minhas baixas. Minha perna dói e um dos meus braços está bem arranhado por causa de uma enxada. Gallahad está me mordendo também, só porque voltei sujo de sangue. Nyeh, tanto faz.
Pra mim tanto faz perder sangue se for pra ele. Mas enfim.
Mamãe e papai continuam viajando, de novo, nós continuamos sozinhos e todos as horas de hoje, alguém veio tentar me matar. Hoje foi muuuuuuito divertido. Ainda mais com aquela atitude manhosa daquelezinho do Gallahad... Muito tarado. Mas eu gosto.
Foi basicamente o dia perfeito até agora! Perfeito até demais...
Suspeito eu que algo acontecerá daqui algumas horas.... Mas quem se importa? Huhuhu.


                                                                                                                                                    -Thomas

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Thomas' Diary #Day3

Terça, porcaria de dia.
Nyeh, nyeh, nyeh. Foi basicamente só o que eu disse hoje o dia inteiro. Porém... Minha mãe resolveu viajar de novo e meu pai, como sempre, foi atrás. Ou seja: Eu e Gallahad ficamos sozinhos de novo. Podíamos fazer qualquer bagunça...Qualquer uma. Sem sermos incomodados.
Bem, queria eu que ele estivesse com humor para isso. Nem mesmo pra sadomasoquismo ele estava disposto a se levantar. Tive de passar o dia deitado na cama com ele. Sim, tive. Ele me obrigou com aquelas frases e aquele olhar manhoso. Argh, como ele sempre consegue me convencer? Como?
E também voltei a sentir o cheiro da família dele por perto, de alguma forma. Será que eles estão por perto?
Bom, se estiverem, não deixarei sequer que cheguem perto de minha casa. Da última vez eles destruíram metade do meu maldito quarto e eu tive o maior trabalho pra arrumar aquela merda. O. MAIOR. TRABALHO. Então nada de lobos (só meio lobos) nessa casa!
Essa semana está sendo tão demorada....E chata....Mal tenho o que escrever aqui. Seria bom que de vez em quando isso mudasse, mas não muda nunca. A única coisa que eu tenho de interessante aqui é Gallahad, mas hoje ele não está tão afim pra nada. Nyeeeeh! Eu odeio dias assim.
Eu prefiro mil vezes passar o dia matando e me machucando do que ficar sentado ou deitado sem fazer nada. Nem mesmo meu piano me salvou. Ugh.
Acho que vou ficar por aqui. Não tenho mais nada o que escrever mesmo. Se fosse sobre a escola, seria a mesma coisa de ontem. Não entendo porque eu tenho que continuar indo para tal coisa se todos tem medo de mim e todos faltam aula e todos sempre evacuam. Mas é muito que eu vou deixar de matar só para ter aula. É pedir muito.
Eu sou apenas um cara.
Não posso prometer nada.

                                                                                                                                                    -Thomas

Thomas' Diary #Day2

Segunda, outro dia que tenho preguiça de perguntar de novo.
Bem, como sempre, nada que me fizesse ter interesse em ir pra escola. Mais sangue, mais ‘ensino’, mais gritaria...Nada como sempre. Suspirei um monte de vezes hoje também. Tédio total... Mas quem disse que foi assim o dia todo? Hehehe...
É claro, hoje a noite, depois de eu estar devidamente limpo,como uma diva, fui eu ao meu quarto. Lá, encontrei um Gallahad selvagem. Fui atacado por ele, mas graças a sabe-se quem, eu voltei a dominância. E capturei a besta fera, punindo-a devidamente logo depois. Lembro-me de sentir o sangue dele escorrendo sobre minha pele, sobre meu rosto...Me dava vontade de sorrir.
E logo após isso, aproveitei que ele estava vulnerável. Afastei as pernas dele e o resto... É melhor não escrever aqui. Vai que minha mãe vê. (Tudo bem que ela ouviu basicamente tudo já que moramos na mesma casa.) O Que eu posso fazer? Aquela carinha dele é irresistível demais...Eu não consigo me controlar junto dele. Simplesmente não consigo.
Ainda tivemos mais um pouquinho de diversão durante o ato. Arranhei suas costas como nunca e também sujei meus lençóis como nunca com isso, mas quem disse que eu me importo? Não tem mais humanos aqui por enquanto. Eles sempre voltam depois de evacuarem a cidade, então posso pegar o que eu bem entender.
Ah, e foi engraçado ver a reação dos vizinhos ao encontrarem o corpo de Glen ali. Eu quase morria de rir no lugar onde eu estava parado. Foi muito engraçado ouvir seus gritos de desespero e o olhar de raiva que fizeram ao me avistar. É claro que os matei também. É divertido.
Mas enfim, esse foi basicamente o meu dia hoje. Nada além disso.

                                                                                                                                           -Thomas 

domingo, 17 de novembro de 2013

Thomas' Diary.

Domingo. Alguma data da semana que estou preguiça de perguntar.

Hoje foi um dia como todos os outros: tedioso. Que posso fazer? Eu praticamente moro no meio do nada e essas vozes na minha cabeça não param de me atormentar...Hah... Mesmo com Gallahad aqui a minha situação não melhorou tanto. Que merda.
Até que alguns humanos apareceram hoje para salvar o meu dia, mas não tantos. Resultou que só me sujei um pouquinho, mesmo que eu os tenha parado no meio da estrada e rasgado seus corpos no meio. Suspirei um monte de vezes hoje por causa disso. Não sinto vontade para nada.
E amanhã ainda tem a “escola” que meus pais me forçam a ir. ARGH. Eu odeio aquele lugar. É imundo, tal como as pessoas que lá estudam. E não importam quantas vezes evacuem a cidade, eles sempre mandam as crianças para a escola. Que pais irresponsáveis.
Ao menos pra mim, né? É só a minha opinião imprestável que eu escrevo aqui ¬¬ Mas bem, talvez o dia de amanhã seja melhor. Mais matanças e até quem sabe o sadomasoquismo que eu e Gallahad temos uma hora ou outra. Caso a gente tenha, eu vou ser beeem violento, do jeito que ele gosta, só pra compensar que hoje não teve nada.
Também, ele passou o dia inteiro dormindo. Não tinha como fazer algo assim. Eu gosto mais quando ele grita.
Eu adoro quando ele grita, na verdade. É bom ouvir súplicas por mais ao invés de “Pare, pare!” como os humanos fazem. É irritante. Muito irritante.
Normalmente quando fico com esse tédio eu procuro alguma coisa para ler ou vejo algo na TV ou vou para o piano ou qualquer coisa desse tipo... Mas ou eu estou sem vontade, ou sem inspiração e ou sem nada para ver nos canais. Antes eu e meu pai caçávamos juntos, mas ele não parece mais estar interessado nisso.
Já faz algum tempo que ele só toma o sangue da minha mãe, mas isso não importa. Eu fazia isso até Gallahad chegar. Eu imagino como ela tem paciência para ser a nossa “Doadora de sangue”. Também imagino porque motivo ela quis continuar sendo humana...A qualquer momento ela pode morrer. Por isso eu vivo me preocupando com ela quando ela sai.
Mas enfim. Esse foi o meu dia hoje. O chato domingo de sempre. Amanhã talvez eu escreva mais.

                                                                                                                                                       
-Thomas

Palhacinho.

Oh, palhacinho,
Por que está sozinho?
Ah sim, eles não te procuram.
Eles sequer de ti se lembram.
.
Roxo é o sangue,
Superior ao deles.
Então por que será
Que sentes falta deles?
.
Por que continuas aqui, querido?
Por que não sais e os mata?
Por que não sais e descobres a verdade?
A verdade que se esconde de você.
.
Tudo que querias era um sorriso ou dois,
E que não se afastassem de ti,
Mas aí você percebe que
Está sozinho.
.
Oh, querido, você é livre.
Livre para matá-los.
Livre para pegar seu lugar de direito.
Como puderam esquecer-se de ti, palhacinho?
.
Honk.
Mate todos eles.

Honk.

Destruída

“This is Halloween
This is Halloween”
Cantava a garota de cabelos rosados, andando pelos caminhos sem cor de sua terra assombrosa, com um sorriso sombrio estampado em seu rosto fino de pele negra. Os olhos, também negros como a noite, demonstravam uma loucura densa.
“In this town, we call home,
Everyone hears to the pumpkin song”
A lâmina que sempre consigo carregava estava suja de vermelho, um tanto arranhada e manchada, com a órbita de seu olho no mínimo limite, trocando de lugar a toda hora. Ora, pois, a cidade estava destruída!
Estava destruída!
Destruída...
La La La, La La La,
La La, La La La, La la, La La La
La La La...”
Finalmente destruída. Tal como a canção. E tal como a própria garota.

Oh, Alice, querida... O que você fez?

sábado, 16 de novembro de 2013

Encontro Inesperado (III - Final)

De manhã, praticamente apenas Susan e Thomas acordaram. A luz do sol não os incomodava, mas certamente os fazia acordar automaticamente. Malditas partes humanas...Gostariam de ficar dormindo até a noite. Mas fazer o quê? Depois que acordavam, era praticamente impossível voltar a dormir.
Suspiraram com essa frustração. Os outros conseguiam dormir tão facilmente a luz do dia. Do calmo dia russo. Levantaram-se e colocaram as devidas roupas. Susan saiu de seu quarto, mas Thomas não. Afinal, estava trancada. Pensou em chamar sua mãe assim que sentiu seu cheiro e a sentiu se mover. Aliás, a chamou. Aproveitou que ela passava por perto de sua porta para bater na mesma algumas vezes, chamando sua atenção.
-Huh? Thomas? – Ela disse, com aquela voz sonolenta que ela tinha.
-Pode abrir, mãe? Por favor? – Ele respondeu, também com a voz sonolenta.
-Ah, sim, sim. Claro... – Ela pôs as chaves na fechadura, bocejando, libertando o filho daquela escuridão. Como eles agüentavam aquele escuro todo?
-Bom dia.
-Bom dia.
Ambos foram simultâneos ao se cumprimentarem educadamente, dando uma risada leve por isso. Saíram andando juntos pelo corredor, em direção a escada. Notaram algo diferente quando chegaram por lá. Criados? Ué? Ontem a noite não tinha ninguém... Bem, os mesmos não demoraram a percebê-los.
-Ah, os dois devem ser a senhorita Riverland e seu filho Thomas, correto? – Disse o mordomo, de uma forma educada, com aquele sotaque russo que Susan achava tão fofo.
-Ah, sim. Nós somos.
-Fomos informados de sua visita pelos mestres Wladimir. Por favor, peço gentilmente que sigam-me para tomarem o café da manhã.
-Comida? – Susan estava tão faminta que diria qualquer coisa, grossa ou não. – Leve-me até lá!
-Mãe. – Thomas sentiu-se um tanto envergonhado por ela.
-Ah, desculpe. Por favor, senhor, leve-nos até lá.
O mordomo balançou a cabeça positivamente, andando calmamente para a grande mesa que tinha numa daquelas muitas salas dos Wladimir. Susan, sinceramente, estava bem impressionada com o quão grande aquele lugar era. Tantos detalhes em vermelho, tanto ouro, tantos quadros e enfeites. Opa.
Viu um quadro que chamou-lhe a atenção. Era uma pintura? De Khristina e si mesma? Ela olhou para o mordomo com uma expressão meio confusa.
-Sim, senhorita Riverland. São a senhorita e a mestra Khristina. A mestra Khristina pinta quando sente vontade. Seus quadros não são belos? – O mordomo parecia realmente gostar das pinturas de Khristina.
-São sim. Muito belos, por sinal. – Susan admirava com certo carinho o quadro que a amiga havia pintado. Tão bem detalhado e tão bem pintado...
Era de fato, belo.
Bom, chegando à sala de jantar, viu a mesa cheia de coisas que pareciam extremamente deliciosas. Chegou até a salivar com um pouco mais de intensidade, mas é claro que disfarçou. Não queria que o filho passasse vergonha mais uma vez. E falando nele, viu que observava algo perto dali. Curiosa, seguiu seu olhar, descobrindo um grande, bonito,negro e enfeitado com rosas, piano de cauda.
Era o sonho do filho dela:Um piano de cauda daqueles. Com as rosas e tudo mais. Já havia visto Joseph desenhando um para ele. Ela sorriu para ele e ele a retribuiu, com uma cara de criança animada. É claro que ele estava tentado a sentar ali e começar a tocar, mas não sabia se isso acordaria os donos da casa. Mesmo que não ligasse tanto, não queria receber reclamações dos pais e deles próprios. Muito menos daquele, ugh, Vincent.
Nem sequer queria pensar nele. Só queria sair dali logo. Era chato e irritante. Mas sempre mudava de ideia ao ver os sorrisos presentes nas faces de seus pais. Se importava tanto com eles...Tanto a ponto de sacrificar-se daquele jeito e agüentar aquele loiro idiota. Por que o desejava tanto? Para experiências ridículas?
O masoquista era Gallahad! Mas é claro que não o deixaria tocá-lo mais uma vez. Se ele encostasse um dedo no SEU Gallahad, o cara morreria. Não importava como, mas morreria. A mesma coisa para aquele lobinho que ficava sempre em seus pés, murmurando coisas que não conseguia entender direito. Ninguém, NINGUÉM, tocava em seu passivo. A não ser ele,é claro.
De qualquer forma, era meio humano, tal como Susan era uma total humana. Sentou-se junto com ela e começaram a comer, sem fazer muita cerimônia. Só com o devido respeito que tinham à casas de outras pessoas. Afinal, quase nunca eram convidados para ir a casa de alguém. É claro que o ruivo culpava-se por isso, mas quem manda a maioria dos humanos ser tão hipócrita e nojenta?
Argh. Não fosse por Susan, acharia que todos não prestavam. Assim que terminado, agradeceu aos devidos servos que os levaram até lá, também sem muita cerimônia. Na verdade, eram até bem casuais, coisas que os servos dos Wladimir não eram acostumados. Eram acostumados com a gentileza louca de Khristina, a seriedade de Walter e a ironia grossa de Vincent.
Eram gentis, apesar de tudo, esses visitantes. Tudo bem que só conheceram dois deles, mas até agora já estavam a gostar dos dois, ao menos um pouco. Sentiam-se um pouco mais livres. Bem, Susan estava bem animada agora. Principalmente por ter comido algo com um sabor tão bom. Resolveu conversar com as cozinheiras que ali tinham, só por conversar mesmo. Ela era sociável. Thomas foi direto para o piano, só se torturando por apenas poder observá-lo. Era de fato, muito tentador estar ali, na frente do piano de seus sonhos, só podendo observá-lo. Imaginava se alguém daquela família poderia tocá-lo como ele fazia. Provavelmente sim, mas não tinha certeza.
-Se o senhor quiser tocá-lo, o senhor tem a permissão, senhor Thomas. – Disse o mordomo.
-Huh? – Thomas mal prestou atenção, admirado com tal perfeição à sua frente. – Eu posso?
-Sim. Os mestres Wladimir sabem de sua habilidade para tocá-lo, e sempre gostaram desse piano, apesar de nenhum deles saberem tocá-lo. É como se fosse um objeto passado de geração a geração.
-Entendo...Bem, eu posso mesmo tocá-lo?
Os olhos do ruivo pareciam brilhar, encantado com tal objeto. Era simplesmente lindo e parecia tão bem conservado. Só de olhar já se derretia internamente, contendo-se para não atacá-lo ali mesmo. Mas bem, todos pararam para olhá-lo, mesmo que o próprio não tivesse percebido. Sua mãe, com um sorriso no rosto, olhava para ele com orgulho. É claro que amava quando ele tocava. Achava-o tão talentoso com isso.
As cozinheiras também o observavam, percebendo o orgulho que a moça ruiva parecia ter do filho. Elas sorriram junto, esperando que o mordomo respondesse a pergunta do jovem.
-Sim, jovem senhor. Eles mesmos deram a permissão. Pessoalmente. – Não mentia. Eles haviam mesmo feito isso.
Um sorriso branco,brilhante e feliz estampou-se no rosto do ruivo, que praticamente saltou para o banquinho, mantendo a postura, abrindo a tampa do piano. Era pesada. Ao ver as teclas, não se conteve. Atacou-as sem dó, produzindo uma música bela aos ouvidos dos que ali estavam presentes. Tranquila,calma, sem erro algum. Parecia uma música inventada na hora, mas parecia tão específica para ser... Apesar de que sim, ele a compôs exatamente naquele momento.
Estava bem inspirado.
Não demorou para o doce som ser ouvido. Gallahad foi o primeiro a acordar.
-Huh..? Thomie? – Percebeu que ele não estava ali.
Vestiu-se devidamente e seguiu o som que ouvia, caminhando a passos nem tão rápidos para a sala. Viu o ruivo, com uma cara tão feliz, tocando o instrumento que mais gostava de ouvir e os outros seres ali, só ouvindo-o e observando-o. Olhou a expressão de Susan por alguns momentos. Ela estava com os olhos fechados, um sorriso no rosto e balançando de leve. Tal como as outras duas mulheres dos seus dois lados.
O mordomo, também com um sorriso, observava os dedos de Thomas a moverem-se pela extensão preta e branca, imitando-o com os seus próprios. É claro que disfarçadamente. Bem, é claro que eles o perceberam, mas não pareceram querer parar de ouvi-lo só para olhar para o lado. Susan e Thomas nem precisavam, com aqueles olfatos invejáveis. Acabou por contagiar-se e sorriu também, indo para uma cadeira junto do amado. Sentou-se ali e fechou os olhos, observando cenas em sua mente. Eram cenas meio poéticas pro seu gosto, por que era acostumado a pensar, mas ninguém disse que não gostava das mesmas.
Toda vez que ele tocava ficava assim, devaneando. Coisas felizes ou tristes, poéticas ou dramáticas. Ele era sempre tão perfeito usando os dedos naquele instrumento que ficava com certa invejinha. Era perfeito.
Os Wladimir também acordaram ao ouvir os barulhos, mas estes não os incomodavam. Pelo contrário. No escuro quarto onde Khristina e Walter estavam, dava para ouvi-lo perfeitamente. Khristina apoiou a cabeça no ombro do marido e este entrelaçou um de seus fortes braços ao redor do pescoço dela. Ambos devaneando com o som produzido pelo que chamariam de sobrinho, mesmo sem serem lá parentes.
Vincent acordara também, junto com Aiden. Bem é claro que sentiu-se um pouco incomodado por acordar de dia, mas o quarto estava escuro. Não ligou tanto. Apenas imaginava quem estaria fazendo som tão belo. Bem, com certeza algum dos Riverlands, pois nenhum de sua família sabia tocar de tal forma. Era tão bom ouvir. Tão relaxante.
Quis até arriscar-se a se levantar, mesmo com a claridade do dia. Apenas quis. Não era tolo a ponto de se queimar até a morte por causa daquele sol maldito. Até que ouviu alguns passos. Eram rápidos e precisos...Provavelmente do mordomo. Alguns segundos depois, murmurando algo sobre os passos terem estragado aquele momento de música, ouviu sua porta sendo batida.
-Senhor Vincent?
-Que é? – Grosso como sempre.
-Seus pais mandaram lhe avisar que estarei fechando as cortinas de toda a casa, isso significa que os três poderão sair durante este tempo.
-Ah, sério?
-Sim, também estarei destrancando a porta de seu quarto, se me permite. – Destrancou a porta, deixando Aiden e Vincent livres.
“Poderemos sair?” – Ele pensou. “Bem, eu realmente quero saber quem tá tocando aquele piano..” – Lentamente pôs os pés no chão. – Vamos, Aiden.
-S-Sim, Vincent. – Ele gaguejou, fazendo o mesmo e o seguindo após o ato.
Os quatro, Vincent,Khristina,Aiden e Walter, desceram as escadas, todos seguindo os doces e belos sons que o piano que Thomas tocava produzia.Os dois adultos, é claro, esperavam que fosse o adolescente, mas não Vincent. Por que tinha de ser ele? Alguém tão, ugh, nem sabia a palavra certa, tocar algo tão belo para seus ouvidos? Como podia? Onde estava a lógica???
Joseph havia descido um pouco antes deles e encostado numa parede próxima com o caderno de desenhos na mão. Sempre que o filho tocava sentia-se inspirado. Logo, aquilo tornou-se uma sala lotada de pessoas, só observando o ruivo a tocar.  Ele percebera o cheiro dele, de Vincent, mas ignorou. Não pararia por nada de tocar aquele piano, mas Susan, claro, incomodou-se um pouco mais. Com um ar meio protetor, ela se aproximou mais do filho, mantendo certa distância ao mesmo tempo, só para vigiar o que aquele loirinho faria.
Assim que a música composta acabara, Thomas suspirou. Ele se virou e olhou ao redor. Não esperava tanta gente, apesar de saber que tinham tantos cheiros diferentes. Quase imediatamente corou, desviando o olhar e com um sorriso tímido. Todos eles sorriam para ele, exceto Vincent claro, mas ele era o único. Até mesmo Aiden sorria, achando que aquilo tinha sido belíssimo.
-Você toca muitíssimo bem, Thomas. – Disse Walter, com certo orgulho no rosto também. Estava ao mesmo tempo, um tanto emocionado,mas nada demonstrava.
Khristina aplaudia com as mãos finalmente livres, mas era segurada por Walter para que não avançasse de tão ansiosa que estava.
-Você tem sooorte, Susan. Seu filho tem um talento belííssimo! – Ela afirmou.
-O-Obrigada, Khristina.
-Por que os dois não fazem um dueto? – Essas foram as palavras de Joseph, que lembrara que a esposa trouxe consigo o tão amado violino.
-D-Dueto? – Susan corou. Não esperava por isso.
-Faz tempo que não ouço você tocar, também. Só quando não estou por perto você toca.
-Ah, é-é? – Ela gaguejou, meio sem jeito. Olhou para o filho, que balançava a cabeça positivamente num modo de tentar convencê-la. Ela suspirou. – Tááá. – Inflou as bochechas.
Os outros sorriram para ela e brincaram dizendo “Ê” como celebração. Esperaram até que ela voltasse, com o negro e bonito violino em suas mãos finas e enfaixadas, como sempre fazia antes de tocar. Tratou de pegar o arco e o instrumento, esperando que o filho começasse. De fato, ele o fez. Ela começou logo em seguida.
Os dois faziam um som profundamente solene, tranqüilizante, deixando todos ali boquiabertos. Susan, apesar de não tocar há algum tempo, continuava extremamente afinada. Sabe-se lá como. Talvez, como Joseph dissera, estivesse tocando escondida.  Meio que com o tempo ela se sentiu a vontade, deixando que os sons do violinos tocassem seus tímpanos, deixando-o penetrar ali.
Era estranho ver como ela não tinha perdido a habilidade e mais estranho ainda ver os Wladimir acordados de dia. Mas as cortinas estavam fechadas. Ficariam acordados até que o dueto de mãe e filho acabasse. Era muito bonito, Thomas e Susan pareciam extremamente sincronizados e sua harmonia era perfeita.
Até Vincent, mesmo com as sobrancelhas franzidas, chegou a fechar seus olhos por alguns instantes, deixando sua curiosidade para os experimentos em Thomas diminuírem, só um pouquinho, pois sabia que todos os seus acompanhantes o vigiavam. Tinha de pegá-lo quando estivesse dormindo, sem que seus próprios pais percebessem tal ato.
Todos se encantaram com a melodia, mas infelizmente a mesma acabou. Chegaram até a aplaudi-los, deixando os dois ruivos mais vermelhos ainda. Gallahad meio que o agarrou, olhando para Vincent com uma cara traduzida de: “Saia, vadia. Esse daqui é meu.” Um sorriso sarcástico estampado em seu rosto provava isso.
-Vocês são muito talentosos. – Disse Walter. – Deviam usar essa habilidade em concertos.
-N- Nós não somos tão bons assim... – Disse Susan.
-Existem melhores...- Completou Thomas.
-Pfft, que é isso? – Disse Khristina, sorridente. – São muito bons siiiim.
Os dois coraram mais e desviaram o olhar, com tímidos sorrisos em seus rostos queimantes.
-O-Obrigada.
-Obrigado.
Disseram os dois, simultaneamente. Thomas levantou-se da cadeira que estava e o mestiço ainda estava agarrado à seu pescoço, com uma carinha sarcástica,manhosa e orgulhosa, olhando fixamente em seus olhos vermelhos vibrantes.
-Você me dá orgulho assim, Thomie – Ele disse, fazendo biquinho.
-Sério? – Ele respondeu, rindo levemente.
As pessoas ali presentes, ora aproveitando que estavam acordados começaram a conversar, enquanto os adolescentes andavam de volta para seus quartos, um atrás do outro. A questão era que eles praticamente se detestavam.
Vincent podia até aproveitar que estava atrás dele e o capturar, mas sabia que Joseph escutaria tal ato, tal como Susan cheiraria. Droga. Teria de esperar todos dormirem. Todos mesmo. O problema é que seus pais dormiam ao dia e os pais dele à noite. Estava, certamente, em desvantagem.
Caminhavam pelo corredor, também vermelho, at[e chegarem em seus devidos quartos, que por coincidência ou não, eram um ao lado do outro. Imaginava se ele sabia comunicar-se pelo código Morse. Bom, poderia até ser um extra da experiência. Ainda faria algumas ameaças, só para testá-lo.
Chegou próximo da parede, já cerrando um dos punhos, começando à “Conversar” com ele logo em seguida. Desistiu das ameaças. Talvez, se ganhasse sua confiança, seria mais fácil de conseguir o que queria.
-Thomas?* - Falava em código Morse.
Para a sua surpresa, ele sabia falar de tal maneira.
-O que você quer?*-Respondeu-lhe, sem lá tanta educação.
-Me dói admitir, mas você toca muito bem.*
-Você acha? Hm.. Obrigado, eu acho.*
Aiden e Gallahad não entenderam muito. Haviam se esquecido da existência de tal código, sem nem imaginar o motivo de estarem batendo na parede com certo ritmo.
-Que está fazendo, Thomas? – Disse o mestiço, confuso.
-Falando com o Wladimir.
-Batendo na parede? – O mestiço perguntou, irônico.
-Existe algo chamado código Morse. – Ele respondeu, também irônico.
-Ah, agora faz muito mais sentido.
O ruivo riu, achando tal frase engraçada por algum motivo.
-Que está fazendo agora, Riverland?*
-Nada.*
-Ah,bom. Já que o assunto morreu,uh, Bom dia.* - Era o mesmo que “Boa Noite” para Vincent.
-Bom dia.*
Logo, assim que ambos se separaram,voltando à seus devidos passivos, deitando-se junto deles. Vincent tornou a dormir enquanto Thomas tentava fazer o mesmo, mas nem mesmo o tédio que sentia o ajudava. Suspirou pela frustração. O mestiço estava do seu lado, é claro que percebeu isso. Aproximou-se dele de uma maneira lenta, sem fazer barulho, e assim que estava próximo o bastante, agarrou-o, sorrindo para ele.
-Que tédio hein, Thomie? – Ele riu de dele.
- Nyeh.
-Aqui, deixa eu te ajudar. – Afastou os cabelos dele de seu pescoço.
-Não. Seria minha vez agora, senhor Gallahad. – Tampou a boca dele, só por brincadeira mesmo.
-Haha, eu não ligo. – Mordeu a mão dele, deixando que o sangue escorresse em sua boca e garganta.
-Maldito. – Deixou que ele sugasse seu sangue, de qualquer forma.
Mesmo que ainda o estivesse mordendo, Gallahad sorriu, apertando mais a mordia, só para der, sem se importar que o líquido vermelho dele escorresse pelos seus braços. Adorava, aliás, quando isso acontecia. Era bom ter o cheiro de sangue mestiço dele em seu corpo frágil e masoquista, sedento por sangue. O sangue DELE somente.
Assim que o mestiço soltou-o, Thomas o derrubou, prensando-o no colhão para ter um tipo de vingança. Ele ignorou as contorções do rapaz e mordeu o seu pescoço em pena, imediatamente começando a sugar seu sangue. Gostava muito de ter o sangue dele escorrendo por sua pele;por sua garganta, ouvindo seus suspiros e gemidos abafados.
Sorriu ao terminar. Os olhos vermelhos a se destacar em meio a escuridão daquele quarto e o cheiro de sangue a ressoar pelas paredes do mesmo. Podia possuí-lo ali mesmo, mas ia ter que segurar. Por uma maldita semana! Argh!
-Droga..! – Ele disse, batendo com certa força no colchão.
-O que foi?
-Você sabe.
-Ah, então você queria mesmo,né, Thomie? –Ele riu, fazendo uma cara que sabia que o seduzia, só para provocá-lo.
-Não me olhe com essa cara.
-Senão o quê? – Gallahad e sua língua incontrolável.
-Pare. Estamos na casa de outra pessoa.
-Mas ninguém disse que não podemos sair... –Ele inflou as bochechas, puxando Thomas mais para perto e lambendo o sangue que ainda escorria no seu queixo.
O ruivo desviou o rosto com a ação, meio corado. Se bem que...Ele estava certo. Não tinha nada que os proibisse de sair. Mas para onde iriam? Era uma boa pergunta. Estava certo, é claro, de fazer a mesma para ele.
-Mas para onde iríamos, senhor manhoso?
-Boa pergunta.- Gallahad desviou o olhar.
Os dois frustraram-se e suspiraram, mas não saíram daquela mesma posição.
-Talvez...Só um pequeno foreplay?
-Talvez. Se você conseguir me deixar com mais vontade do que já estou. – Ele sorriu, deitando-se ao seu lado finalmente, incapaz de acreditar que ele sequer tentaria.
Gallahad bufou e murmurou reclamando, nyeh para você Thomie, por que era tão teimoso? Bufou de novo, resolvendo consigo mesmo se tentava ou não seduzi-lo. A preguiça o consumia. Que trágico. Acabou por dormir mesmo, tal como o ruivo ao percebê-lo inconsciente ali.
Enquanto eles dormiam, a conversa continuava lá por baixo entre os adultos. Tudo bem que alguns deles já tinham mais de uma centena de anos, mas que podiam fazer? Eram amigos a tanto tempo, é também era a primeira visita que Susan fazia a amiga. Geralmente só conversava com ela por telefone ou pela webcam que possuía.
Não demorou para que um certo tantinho de luz aparecesse, distraindo os três vampiros completos ali presentes. Susan não percebeu de primeira, fazendo uma cara confusa e pendendo a cabeça um pouco para o lado.
-O que houve?
-O sol.
-Huh?
-Susan uma das cortinas abriu.
-Aaah. – Ela olhou para trás, vendo a cortina principal aberta e logo depois olhando para Khristina, que se escondia atrás do marido por ser a mais pálida, e também a mais velha e mais frágil, dali.
Ela ficou um tanto preocupada, mas lembrou-se de poder andar sobre a luz sem problemas. Sempre esquecia-se disso por morar com dois vampiros em casa, só andando com eles durante a noite por assim dizer. Ela riu consigo mesma e foi até o lado de fora da casa, subindo até o nível da cortina aberta e fechando a mesma, não querendo que o mordomo, tão gentil, tivesse trabalho. Num instante desceu, mas acabou tropeçando e terminando por cair dali.
Não foi lá uma queda bonita. Ela deu um jeito de torcer o pé direito. Bem feio.
-Eu e minha desastrosa personalidade. AH! – É claro que doía, e muito! Por que tinha que ser humana justamente nessas horas?
Os servos dali logo vieram ajudá-la pondo-a encima de uma poltrona.
-Não se preocupe comigo, já sofri coisa pior. Acho que consigo ajeitar sozinha. – Ela sorriu gentilmente para eles.
Nem diga isso, moçaa. – Respondeu Khristina por eles, arriscando-se a andar até ela. – Cuidarei eu mesma disso. – Ela sabia uma ou duas coisas de anatomia, então sabia como ajudá-la naquela situação específica.
-Realmente não precisa, Khristina.
-Eu insisto!!
Eles não se lembraram muito na hora que Khristina era frágil e louca, e que seus braços estavam soltos, ainda meio estranhos por causa do que acabara de acontecer, mas não demorou muito para uma das cozinheiras se tocar da situação.
-Uh, senhor Walter!
-Sim?
-A senhorita Khristina. Os braços dela.
-Oh céus. – Ele se tocou logo e correu até ela. –Khristina!
-O que foi Walter? – Ela fez uma cara de nervosa, sem entender.
-Pare, agora. Nós ajudaremos Susan, mas pare.
-Por quê? Posso saber? – Ela se levantou, meio agressiva.
-Esqueceu-se disso? – Ele a puxou um pouco para perto de si, mostrando a ela os sinais de quebra em sua pele. Era como vidro, tinham algumas rachaduras. Um simples movimento poderia quebrá-los.
-Desculpa... – Ela disse, olhando para o lado.
Susan não entendia. Não tinha uma audição tão boa quanto a de Joseph, nem visão tão boa quanto a de Gallahad. O que havia no braço dela? Preocupava-se um pouco, ignorando a dor que sentia no pé direito.
-Khristina? – Ele perguntou. – Você está bem, querida?
-Ah, sim, sim, Susan. Eu estou muuuito bem. – Ela disse com o típico sorriso em seu rosto. – É só o Walter preocupando-se a toa com iisto aqui. – Ela lhe mostrou as rachaduras que tinha.
-Khristina...! O que houve com seus braços??
-Estão rachados por causa de Vincent. – Disse Walter, respondendo por ela.
-Huh? Do seu filho?
-Sim. Vamos dizer que ele nasceu numa situação crítica.
Susan estava mais preocupada com a amiga do que consigo mesma. Na verdade nem ligava tanto para si mesma, tanto que até se levantou e andou até ela, melhor, mancou até ela.
-Desculpa, Khristina. Eu não sabia disso.
-Nah, queriida. Não precisa ficar assiiiim. Não foi culpa de ninguééém. –Ela se aproximou e encostou-se na ruiva, que a abraçou com certa fraqueza, com medo de quebrar os braços dela.
-É por isso que seus braços vivem presos no vestido?
-Sim.
-Entendo...
Um momento de silêncio percorreu por todos os cantos neste momento, sem que alguém ousasse quebrá-lo. Estava um tanto tenso também, até que Susan pensou um pouco e resolveu ousar tal ato.
-Uh, vocês deveriam voltar a dormir. Ainda está de dia...E tenho quase certeza que dormiram pouco.
-Mas Suuuusan.
-Nada de “Mas”, Khristina. Você sabe que eu estou certa, dessa vez.
A mulher loira inflou suas bochechas, como se fosse uma criança.
-Táá. Vamos, Walter. – Ela puxou-o com a ponta dos pés, já que andava descalça.
Walter a seguiu lentamente pelas escadas, entrando em seu devido aposento junto dela. Joseph ainda estava calado, concentrado no desenho que havia começado poucos minutos atrás.
-Joseph?
-Hm?
-Como está o desenho?
-Por que você mesma não vê? – Ele disse, sorrindo ao olhar para ela.
Ela se aproximou, obedecendo ao pedido indireto dele para que se aproximasse, acocorando-se a sua altura e vendo o que ele desenhara: Ela própria e seu filho, tocando juntos novamente.  É claro que a hiperativa ruiva corou no mesmo instante que reconheceu tais rostos.
-J-J-Joseph, vo-você não p-precisava ter feito isso..! – Ela disse, com um sorriso meio torto e a cara queimando, parecia estar usando um corante vermelho.
-Não precisava? Sério? – Ele disse irônico. – Que pena, acabei fazendo. Desculpe. – Ele estava brincando é claro. Teria feito de qualquer jeito. Afinal, estava inspirado!
-N-Não se desculpe. – Ela olhou para o lado, inflando as bochechas dela.
Ele riu e beijou uma das mesmas de leve, desinflando-as.
-Por que não sai para passear um pouco? Tenho absoluta certeza de que você nunca viu neve na vida.
-Não vi mesmo não. – Ela retrucou, um tanto mal educada, mas não muito.
-Então vá. Vá vê-la e divertir-se como eu um dia já a senti.
-Que frase profunda, Joseph.
Ele riu, lembrando-se de sua época de humano. Era bom sentir alguma coisa que não fosse dor. Mal lembrava dos sensações frias, quentes ou de qualquer outra temperatura. Afinal, era um corpo morto que estava usando. Um mero ‘frasco de vidro’ que quebra por qualquer coisinha.
-Vá, Susan. Ficarei pelo quarto, mesmo sem conseguir dormir. Esse fuso-horário me mata um dia.
Ela franziu um pouco as sobrancelhas para cima, aproximando-se dele e dando-lhe um beijo na testa, guardando para si a cara de surpresa e a repentina vermelhidão que surgiu em seu rosto pálido e sério. Ela sorriu mais uma vez, indo até o quarto pegar algumas roupas mais confortáveis que a deixassem aquecida pela temperatura fria ali fora.
Logo ela saiu, andando pelos caminhos desconhecidos e brancos, tão bonitos à seus olhos esverdeados e curiosos. Ela sorria para as pessoas que por ela passavam, as vezes não tendo o mesmo retribuído, mas parecia uma criança a andar por um parque de diversões. Realmente se divertia pelas camadas fofas e alvas da neve, com o pé já melhorzinho.
O máximo que acontecia é dela mancar, nada mais que isso.
Algumas crianças chegaram a pedir para brincar com ela na neve, fazendo aquelas famosas guerras de bola de neve que ela tanto via na televisão quando criança. Era bem divertido. Passou o dia lá fora, se cansando para chegar em casa, tomar um bom banho e cair na cama.
Andou pelos mesmos caminhos que veio, milagrosamente com a perna do mesmo jeito que saiu, chegando até a grande mansão em poucos minutos. Ela bateu na porta é claro, não era mal educada. John e Maria a ensinaram bem quando pequena.
Foi atendida mais uma vez por Walter. Já estava escurinho, então não tinha mais problemas deles saírem.
-Bem vinda de volta, Susan.
-O-Obrigada, Walter. – Ela disse, arfando. Realmente passou muito tempo se cansando. Praticamente se jogou no chão quentinho daquela casa. –Chão queente, que saudade. – Ela fez graça.
Os que estavam presentes ali, que para variar eram todos, riram de sua palhaçada. Exceto Vincent. Era muito cara dura para essas coisas, principalmente com humanos. Ele e Aiden estavam afastados do grupo que ali se formara, andando em direção ao laboratório para ‘cuidar’ de suas cobaias. Na verdade, iria ficar ali até ter certeza de que estariam dormindo. Estava muito determinado a pegar Thomas enquanto este dormia e a se trancar ali, impedindo que os outros entrassem, pela semana que viria. Talvez mais outra. Talvez até que todos morressem.
Era fascinado por esquizofrênicos, e é claro que de vez em quando tinha as suas correntes alucinações, mas era facilmente acordado por Aiden. O vampiro bufafa e se fazia de mimado toda hora, murmurando de que queria o esquizofrênico a qualquer custo, ver até que ponto ele seria capaz de agüentar a dor que lhe causaria.
Observava os convidados entretendo-se com seus pais e se enojava ao ver a mãe de sua próxima cobaia toda suada daquele jeito.Ela não tomava banho, por acaso? Argh, era irritante ter humanos em sua presença.
-Ah, Khristina?
-Sim, Susaaan?
-Onde fica o banheiro? Eu realmente necessito de um banho. – Ela fez uma pose dramática só para ouvir a outra rir.
-Lá em cima, duas portas depois do quarto de Vincent. – Ela respondeu aos risos pela pose da ruiva.
-Valeu!! – Ela fez mais uma pose, pondo os dois polegares para cima. O famoso “Joinha”.
Ela subiu as escadas e tomou um longo banho, avisando que logo depois iria para o quarto dormir por estar muito cansada. É claro que Vincent ouviu isso.
“Ótimo. Uma a menos. Ainda faltam mais quatro.” –Ele pensou, ainda com a intenção de pegar Thomas nessa noite.
Ele os observava pela fechadura de sua porta. Um a um, atrapalhando seu desejo, sem ele notar o ciúme que em Aiden crescia.
-Vincent. – Ele disse, com um tom meio possessivo e manhoso para distraí-lo.
-O quê, Vincent? – Ele não parou para olhá-lo. Praticamente só mexeu os lábios.
-Desde que você entrou que não sais daí. Você não vai cuidar das cobaias hoje?
-Aiden, eu não quero saber deles. Eu quero saber do Riverland.
-Oh... – Ele ficou meio triste com a frase respondida por ele. Será que havia se esquecido de Aiden? – Desculpe atrapalhá-lo... – Aiden disse, afastando-se lentamente, esperando que ele percebesse.
-Ahan.
Ao perceber que ele não iria mesmo virar-se para ele, chuto o vento e foi descontar a raiva em sua própria cela, batendo em tudo que poderia encostar. Era um lobo. Era normal que ficasse abusado assim.
Vincent apenas ficou ali, observando os adultos se afastarem um por um, deixando Thomas e Gallahad finalmente sozinhos. Finalmente. A oportunidade perfeita. Mas não podia fazer isso sozinho, sabia que o outro mestiço o defenderia.
-Aiden—Ele disse, achando que o mesmo ainda se encontrava atrás de si. – Aiden?
Ele saiu andando pelos corredores do laboratório, chamando pelo seu nome, sem fazer ideia do porquê de ele ter sumido. Até que chegou em sua cela, toda destruída, e ele lá encolhido, fazendo sons de choro. Imediatamente se preocupou, entrando na cela lentamente.
-Aiden?
Quando este ouviu a voz do loiro, levantou um pouco a cabeça para olhá-lo, mas logo voltou a posição que estava.
-...Sim?
-Preciso de sua ajuda agora.
-Pra quê? Você não está interessado em mim, mesmo.
-Huh? Ah... – Lembrou-se daquilo que havia dito. – Isso é por causa do que eu disse antes, Aiden?
Ele se calou, virando um pouco o rosto que estava ali encostado. Enfim Vincent percebeu que ele estava com ciúmes.
-Você...Você está com ciúmes, Aiden? – Ele perguntou, meio arrependido do que havia dito.
-Q-Quem está com ciúmes? – Ele franziu as sobrancelhas.
-Aw, que fofo. – Ele se aproximou. – Desculpe pelo que eu disse, Aiden. –Ele o abraçou, apesar da posição que ele se encontrava. – Você continua sendo meu preferido. O Riverland é só algo passageiro.
-Hunf.
-Deixe de se bancar difícil. – Ele sorriu, apertando-o um pouco. – O que posso fazer para tirar esse seu ciuminho?
-Hunf, não sei. – Ele inflou as bochechas e fez biquinho.
-Ah não? Mas eu sei. – Ele o tocou onde sabia que ele gostava. – Eu sei exatamente como. – Ele deu um sorriso irônico e esqueceu-se de Riverland por essa noite.
Por essa noite.
Bem, para um resumo, a semana foi um tanto quanto a mesma coisa. Todos conversando, de vez em quando, passeando, mas praticamente nada além disso. Vincent sem nenhuma outra oportunidade para capturar o Riverland. Apesar de tudo não se arrependia do que tinha feito com Aiden. É claro que não o deixaria de novo com ciúmes, apesar de tê-lo achado a coisa mais fofa do mundo. É claro que ele não deixaria de ser seu preferido.
No penúltimo/último dia, já que era de madrugada, por um milagre todos resolveram dormir, só para acordar no mesmo horário em que Susan,Joseph,Gallahad e Thomas iriam: De manhã, mas é claro que Vincent não. Pelo contrário. Algumas horas antes, sabendo do fato que aconteceria, pegou a cópia da chave do seu próprio quarto, tal como a do de Thomas, e quando teve certeza de que todos estavam a dormir, foi até o quarto dele.
Ele era fofo enquanto dormia, hah, quem diria? Muita ironia.
Pegou-o com cuidado para que ele não acordasse, tendo a ajuda de Aiden para que o outro lobo não acordasse, e levou-o até a porta de metal de seu laboratório.  Ele pôs a senha na mesma e o puxou para dentro ainda com cuidado, levando-o direto para a cela que lhe tinha reservado.
Chegando lá, Aiden sentou-se num canto, enquanto Vincent prendia o ruivo mestiço numa cadeira. Estando ele completamente preso à ela, tratou de acordá-lo com uma furada na perna com a própria garra dele. Ele não acordou por completo. Era meio sonâmbulo. Talvez fosse isso que causasse a maior parte de sua esquizofrenia.
-Olá, Thomie.
-Huh? Onde? Como? – Ele perguntava para si mesmo, não vendo nada nitidamente. Na verdade, estava tendo certas alucinações e os sussurros de seus pesadelos o assombravam. Mas nada dizia, nada fazia. Apenas tremia.
-Como você está?
Ele via um vulto com a cabeça meio amarela passar por sua frente, pendendo seu corpo para o lado e movendo os lábios, dando para ver pontos brancos e afiados aparecendo por baixo dos mesmos. Ele abaixava a cabeça e os olhos semicerrados incertos do que viam. Não estava sabendo de nada.
-RESPONDA-ME! – Vincent lhe deu um tapa, dando um susto no mesmo.
Bem é claro que o ruivo estava meio esquizofrênico. Com o tapa levado, os sussurros ficaram mais intensos e ele começou a contorcer-se de leve na cadeira que estava preso. Em sua cabeça, estava preso algum lugar no chão, com coisas afiadas perfurando a sua pele pálida e meio rosada. Ele estava trêmulo, sem ter muita ideia do que estava acontecendo ao seu redor.
-Ah, entendi. Só consegue me ouvir, não me responder, não é seu inútil? – Disse Vincent, sorrindo de maneira sarcástica.
Aiden o observava apenas.
-Vamos! Fique perigoso! Torne isso divertido!
Os sussurros em seus ouvidos ficavam cada vez mais audíveis e entendíveis:
“Mate-o,mate-o, mate todos!”
Esta frase era dita a todo instante, deixando a cabeça dele confusa e meio agressiva. 
-Me solte... – Ele disse, tendo consciência que era Vincent quem o segurava. Mas estava claro que a esquizofrenia o dominava. – ME SOLTE. Me solte, ME SOLTE!
-Por que você mesmo não tenta se soltar, hein? –Ele pegou uma lâmina e a arrastava lentamente pela perna direita de Thomas, vendo seu sangue mestiço escorrer pelas duas.
É claro que a lâmina se movimentava pela perna dele estar trêmula e incontrolada, mas as amarras que estava usando o impediam de fazer qualquer coisa além de mandá-lo parar ou soltá-lo.
As mãos se mexiam freneticamente, com as garras procurando por algo para arranhar, os olhos agora completamente abertos, mas ainda não nítidos, olhando para todos os cantos com uma fúria contida. O desejo de matar praticamente escorria de suas orelhas, os dentes rangendo provavam isso.
-Hah, quer me matar?
-Q-Quero. Eu quero. – Ele respondeu, perdendo o controle e passando a tentar mordê-lo a todo custo, com a intenção de matar.
-Então tenta! Mestiço nojento, tenta! – Ele se afastava de vez em quando, só para provocá-lo, querendo fazer com que ele se libertasse dali.
-Eu..Não o provocaria tanto, Vicent.
-Cale-se por agora, Aiden. Eu sei o que estou fazendo.
Não, não sabia. Thomas era muito mais forte do que aparentava. Bastou perder o controle que as amarras de suas mãos foram soltas e ele se jogou no chão, arrastando-se até Vincent. Vincent não pareceu tão assustado. Pelo contrário, parecia até louco.
-VENHA! VENHA ME MATAR, RIVERLAND, VENHA!
Thomas se arrastava com certa velocidade e por certa ironia, ou não, suas garras pareciam não se desgastar por estarem sendo arrastadas contra o chão duro e sangrento que ali tinha. Sim, o cheiro de sangue estava presente ali. Só tornou a situação pior. Mesmo sem ser de Gallahad, sangue o atraía de qualquer forma. Arrastou-se até Vincent mais uma vez, com mais velocidade e voracidade também, agarrando-se em sua perna e arranhando-a como nunca, deixando mililitros de sangue serem escorridos.
Vincent tirou a perna dali, mesmo que tenha resultado em cortes mais profundos do que ele estava fazendo. Afinal, é claro que ele tentou segurá-lo. Com força.
Thomas ,agora, sentiu-se incomodado com as amarras que o seguravam e contorceu-se para alcançá-las e arrancá-las com as garras,finalmente ficando em pé. Vincent sorria como louco, provocando Thomas mais e mais e preocupando Aiden mais e mais. Não demorou para que o ruivo se atirasse nele e que ambos travassem uma luta pelo poder, sem conseguirem achar um vencedor por um bom tempo.
Com esse tempo passando e com o tanto de sangue escorrendo, não demorou tanto para que os vampiros percebessem, e principalmente Susan que tinha um olfato muito melhor do que o deles. Ela foi a primeira a se levantar e a correr para a grande porta de metal que , por acaso, só que não, estava trancada.
-ARGH, ABRA ESSA PORTA, WLADIMIR! – Gallahad já chegou gritando, batendo na porta com toda a força que tinha. Não parecia sequer causar-lhe um arranhão.
Os outros três chegaram não muito depois, fazendo o mesmo que Susan e Gallahad: Tentando abrir a porta. Khristina nem tanto por causa dos braços frágeis, mas tentava.
-VINCENT! – Walter parecia furioso. – ABRA ISSO, AGORA!
Enquanto ouviam os berros dos adultos lá fora, os dois jovens ainda brigavam, com Aiden tentando à todo custo separá-los, pois sabia que essa briga não acabaria bem. Percebendo que não conseguiria de jeito nenhum, foi para a porta, tentando se lembrar da combinação exata que o mestre havia colocado ali, milagrosamente não acertando de primeira.
-Droga! – Ele disse, de vez em quando olhando para trás para ver o quão grave a situação estava. Até ossos estavam expostos! Tinha de ser mais rápido.
Após várias e várias tentativas, finalmente conseguiu abrir, deparando-se com uma pequena multidão furiosa que não demorou nenhum instante para entrar e correr até os dois que brigavam.
-THOMAS!
-VINCENT!
Os quatro pais disseram simultaneamente, assustando os dois também simultaneamente.
Como eles tinham mais força, conseguiram separá-los, mesmo com certa dificuldade, afastando-os um do outro com mais dificuldade ainda. Thomas ainda estava esquizofrênico, trêmulo, com o desejo de matar, mas se segurava na presença de sua mãe. Sempre sentia quando ela estava por perto, e mesmo quando estava naquela situação, ela era como um forte seguro para sua mente.
Enquanto os pais do outro jovem, o mais ousado,  reclamavam e brigavam com ele, mas parecia não lhes dar ouvidos. Ele ria como louco, sorria como um, agia como um. Aiden estava assustado com a situação.
-POR QUÊ? POR QUE VOCÊ AJUDOU ELE COM ISSO SABENDO QUE IA DAR NESSA SITUAÇÃO? – Gallahad gritou para ele, bem agressivo. – RESPONDA!!!
Aiden recuou um pouco.
-Eu não sabia...Que ia ser tão grave.
-AH, NÃO SABIA? POIS AGORA JÁ SABE. – Aproveitou e deu-lhe um soco no rosto, mas quase ninguém percebeu. Pensou até em desculpar-se, sabendo que ele ao menos tentou, mas não o fez. Apenas se afastou para junto dos que veio junto.
Logo a manhã chegou.
Os Riverland partiram daquela casa, tristes, e decepcionados com o que tinha acontecido.
Tal como os Wladimir, que apesar de amarem tal família, jamais os convidaria de novo.

Ter filhos loucos não é lá algo fácil de lidar.