Experimentos.
Sim, experimentos.
Muitos deles.
Eles me satisfazem.
Me deixam feliz.
...
Eu sou um louco não sou?
Risadas e mais risadas, sangue e mais sangue. Gritos de
desespero, gritos de misericórdia. Não importava. Não eram coisas importantes.
Eram apenas objetos. Inúteis.
Nada progredia.
Estava tudo dando errado. Aqueles malditos humanos,malditos
animais; malditas espécie desse planeta miserável! Todos eles não servem para
nada!!! Só para me deixar cada vez mais frustrado com o sangue inútil que corre
de suas veias, que não servem para me alimentar.
Sim, sou um vampiro. Mas não daqueles tipos que as
adolescentes vivem comentando hoje em dia. Não brilho no sol, eu queimo.
Aqueles raios dourados que iluminam o céu azul todos os dias é a coisa que mais
odeio no mundo. Me queima lentamente, me mata lentamente, me sufoca lentamente,
me destrói lentamente.
A lua. Sim, a perfeita lua. Ela é o meu anjo, minha guarda e
proteção, minha inspiração. Minha vontade de fazer experimentos. É para ela
que, vamos dizer, sirvo. É para ela que mato. É para ela que dedico minha arte.
Minha arte sangrenta e violenta, cheia de dor e sofrimento de pessoas que se
dizem inocentes.
Inocentes são os cabelos de minha mãe.
Ironia é uma benção. Doce ironia.
Que se lasquem os vizinhos, as crianças e seus bichinhos.
Nada importa para mim. Só o que preciso é de seus corpos. Seus corpos que,
embora sujos, são perfeitos para tal. Não posso dizer que todos são assim.
Tenho lá meus preferidos... Especialmente aquele que vejo toda noite.
Sim. Ele.
Meu preferido.
Todas as noites vou até sua cela e o vejo se arrastar até
meus pés, clamando por dor. Um masoquista, é claro. Por isso é meu preferido.
Achei-o na neve alva que estava ao redor de minha casa. Estava tremendo, quase
sem roupas, e sorrindo. Notei seu fascínio doloroso por alguns instantes e
resolvi, vamos dizer, adotá-lo.
Ah, ele era como a noite. A mais traiçoeira e bela noite já
vista.
Segui seus passos por alguns breves momentos, vendo-o se contorcer
e sentindo seu sangue jorrar em meu rosto. Ouvi suas risadas masoquistas e até
meio loucas, parecidas com as minhas. As vezes me pergunto se esse meu jeito é
de herança.
Pai e mãe loucos, acho que é isso.
Que posso fazer? Fui criado assim.
Criado de um jeito que minhas lágrimas fossem de crocodilo.
De um jeito de que não desse a mínima para a vida, ou morte, alheia. De um
jeito que me fez adorar ver dor e sofrimento. De um jeito que aumenta minha
necessidade de sangue. De um jeito corrosivo o suficiente para me tornar quem
sou.
A mente suicida ou até mesmo homicida, capaz de fazer
qualquer coisa para ter o que quer. O corpo necessitado de sangue para ser
sujado, a garganta com a mesma coisa. As mãos feitas para matar e cortar,
torturar e fazer chorar. Os olhos, feitos para observar e julgar. A boca, feita
para rir,gargalhar, desdenhar e para ser preenchida com sangue.
O que eu sou? Ora, sou um vampiro. Sou alguém que não vais
querer conhecer, mera criatura. Alguém que não se deve confiar.
Um assassino.Um cientista.
Um Wladimir.
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